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Project Cars Project Cars #424

Começando a restauração do meu Chevrolet Opala 1978, o Project Cars #424

Antes de mais nada na primeira parte eu esqueci de agradecer a oportunidade de estar aqui contando a história desse carro. Bom, relembrando a história, estava indo para casa dos meus pais no Natal de 2006, quando o Opalão estoura a engrenagem de comando. Cheguei na casa deles de Guincho. Você pode recapitular a história clicando aqui.

Passei o Natal em família, mas tive que voltar pra Ubá para trabalhar na semana entre o natal e réveillon, pensando que ia arrumar o Opalão no início de janeiro, mas por revés do destino tive problemas no trabalho e acabei sendo demitido numa sexta feira dia 29 de dezembro. Em janeiro de 2007 tirei uns dias viajando com a Dona Onça. Planejando mexer no Opalão apenas em fevereiro de 2007, o Reinado amigo e mecânico, ao examinar o carro na garagem dos meus pais me falou que eu precisava fazer algumas coisas alem de mexer apenas na engrenagem de comando. Havia buchas e pivôs bem desgastados na suspensão, alem de 2 pneus em fim de vida. (afinal foram anos só andando e fazendo manutenção básica.)

Estava eu desempregado e no seguro desemprego. Fomos comprando as peças picadas pro carro, começamos a mexer nele só em outubro de 2007.

 

Foto tirada em setembro de 2007 após nove meses parado na garagem dos meus pais

Já com  tudo comprado e desde maio estava empregado, ou seja, tinha dinheiro para um ou outro imprevisto.

Vamos ao que foi trocado: buchas da suspensão na frente, todos pivôs e ponteiras foram aproveitadas as molas, e as buchas da parte traseira e amortecedores. Um jogo de pneus novos na traseira, mais a troca da engrenagem de comando, aproveitamos pra trocar o óleo, filtros, fluidos, flexíveis de freio e mangueiras, velas, cabos de vela, tampa do distribuidor, revisão no carburador (troca de boia, estilete, junta, agulha, entre outras que não lembro o nome).

Acabou que o único imprevisto foi um burrinho de freio estourou e vazou o fluido, e que acabei trocando os dois, e foi difícil de fazer o carro ter freio indicando possível troca do cilindro mestre em breve. O carro estava sem a bateria, a do meu carro estava no carro do meu pai, já que a dele tinha estragado perto do carnaval, e ele pensando em preservar a minha usou ela no carro dele por vários meses, então em agradecimento pela paciência na compra das peças e tudo, comprei uma nova pra ele e peguei a velha e pus de volta ao Opalão. Não sei ao certo os valores de tudo isso, acredito que mais ou menos uns R$ 2.000 ou R$ 3.000, afinal as peças foram compradas aos poucos e o Reinaldo sempre faz preços muito camaradas em sua mão de obra. Eu infelizmente não tenho fotos da suspensão toda desmontada nem da troca da engrenagem de comando, porque estava morando e trabalhando em Ubá e os reparos sendo feitos em Juiz de Fora na casa dos meus pais com um mecânico, que além de ser um grande profissional era amigo.

Resultado em novembro eu voltava pra Ubá com Opalão agora muito mais macio e gostoso de dirigir (foram 11 meses hibernando em JF). Mas a situação da lataria e pintura estava me incomodando cada vez mais. Nesse período que o carro ficou parado em Juiz de fora, mudamos de casa em Ubá, desta vez pra um sobrado sem garagem novamente, mas pouco antes de acabar de arrumar tudo no carro achei uma garagem num vizinho fechada e coberta e aluguei. Agora mesmo se eu não conseguisse mexer no carro por agora, os danos do tempo eram minimizados.

O fim do ano de 2007 e grande parte do de 2008 foi um ano tranquilo com Opalão funcionando muito bem até que no feriado de 7 de setembro de 2008 (seis anos após o fatídico acidente) voltando de Visconde do Rio Branco ele começa a engasgar e falhar, por sorte já estávamos chegando em Ubá. Seu funcionamento estava uma m**da, quando ficava ligado. E eu mexendo na regulagem do carburador, verificando platinado e com muito custo cheguei em casa (Dona Onça Pé da Vida), após isso na semana seguinte horas o carro funcionava bem, mas na maioria dos casos não e eu levando em mexanicos que não resolviam e queriam trocar tudo. Eu Liguei pro Reinaldo e ele me disse que podia ser um problemas nas esferas do carburador (o meu é um DFV228) , e depois de muito sofrer, recebi indicação de um colega, vai no Paulo ele é bom.

Ao chegar na oficina do Paulo, pensei, o que eu estou fazendo aqui? (a oficina era oficina e garagem da casa dele, eram um andar de chão batido e sua casa um sobrado que ainda estava no tijolo) Lá tinham uma C10 aparentemente refazendo a suspensão e Chevette sem o motor e o carro do mecânico que era um Opala 78 duas portas cinza, isso me animou, mas estava meio incrédulo.

Parei conversei com ele, expliquei quem havia me indicado e expliquei que apesar da pintura e lataria do carro estar feia falei tudo que havia sido feito no fim de 2007. Ele me pediu liga aí. Ele futicou no carburador, mexeu nas regulagens, e me disse isso pode ser que alguma esfera esteja agarrando. Era quase meio dia ele me disse vou ter que desmontar esse carburador a tarde deve estar pronto. Pegou meu número e eu peguei o dele. E eu meio que preocupado, falei to de férias (tinha tirado uns dias no serviço) e não tenho nada pra fazer, posso ver você mexer? Ele me disse vou almoçar agora lá pelas duas eu volto pra mexer no seu carro. Pode sim.

Então fiz isso. E que surpresa positiva. O Paulo além de ser um ótimo mecânico, cobrava um preço justo. Era fim da tarde e carburador estava no lugar resolvido, realmente era um problema na esfera que estava agarrando, o que mais me assustou foi ver ele regulando o ponto e carburador do carro, com uma rapidez e facilidade, o carro ficou um espetáculo, agora estava sossegado tinha bons mecânicos em Juiz de Fora e em Ubá.

O ano de 2009 foi um ano de muitas dúvidas e incertezas eu e Dona Onça, desde 2007 estávamos estudando e tentando concursos e havíamos feito em 2008 um concurso para a prefeitura de Juiz de Fora. Não lembro ao certo, mas acho que no inicio de 2009 ou no fim de 2008 saiu o resultado final e desta vez os dois haviam passado. O combinado foi como nos dois passamos, vamos os dois a única questão era se um for chamado primeiro, o outro aguarda aqui. Mesmo assim já notei certa relutância dela por conta do salário em Ubá ser um pouco melhor que em JF. Mesmo assim o combinado foi esse.

No fim de 2009 (novembro para dezembro) eu volto pra JF e ficamos assim um fim de semana ela vinha pra jf no outro eu ia pra Ubá (Foi assim até Agosto de 2010, acho que o Opalão conhece aquela estrada muito bem).

Era uma fase complicada. Com intuito de cortar gastos ao invés de alugar algo pra mim, acabei voltando pra casa dos meus pais e ela em março de 2010, foi dividir um apto com uma amiga, pra ajudar a casa que morávamos foi pedida pelo proprietário. Estávamos juntando dinheiro pra dar entrada numa casa ou apto. Apenas aguardando o seu retorno a JF, mas eu pensando essa grana dava pra dar um trato legal no Opalão, cabeça de Guerdhead.

Resumindo a nossa relação desandou e em setembro de 2010 optamos por nos separar. Foi amigável, e a divisão pós divorcio, foi simples. Eu na época morava com meus pais, sugeri eu fico com o carro e metade da grana guardada e ela ficaria com a mobília e a outra metade da grana. E assim foi, bom para os dois, e bola pra frente.

Com o dinheiro em mãos resolvi, não vai dar para fazer uma restauração completa no carro, mas vou tirar esses podres e lhe devolver o brilho de alguns anos. Em Outubro de 2010, após visitar diversos ferros velhos encontrei o que precisava, uma frete de Opala com um para choque e um capô perfeitos, já que ia trocar a frente o que era mais um capô, comprei isso e mais uma folha de chapa e duas caixas de ar novas, tudo ficou nuns 700 reais.

Combinei com um lanterneiro indicado pelo dono do ferro velho. Que por sinal era conhecido de longa data do Delorme, pintor automotivo aposentado e tio da minha Ex- mulher, que pra mim ia fazer uma exceção e pintar meu carro (ele na época estava aposentado há 4 anos) .

Confesso que tive receio, tanto por parte do lanterneiro, quanto por parte do Delorme que já estava aposentado, mas confesso que lembrando o caso de 2002 e histórias que ouvimos a surpresa foi positiva, quanto ao serviço do lanterneiro ele fez o combinado no preço certo e sem atrasos o combinado foi R$ 700,00 (de 2x), em apenas duas semanas, infelizmente não tirei fotos do processo do carro no lanterneiro, porque por azar na época meu celular tinha uma câmera vga e pouco espaço e minha câmera digital tinha falecido há poucos dias. O serviço no lanterneiro foi justo e no prazo, mas na hora de entregar o serviço sempre tem que ter um, porém. Como frente foi trocada, o lanterneiro não prendeu o radiador corretamente e no caminho até o Delorme o mesmo caiu em cima do motor por sorte eu percebi e parei o carro e não houveram danos muito graves a não ser um pequeno estrago nas colmeias. Resultado prendi o radiador com arame compeltei a água e fui com ele vazando até chegar no pintor.

A pintura foi efetuada em novembro de 2010. Deixei o carro na casa do Delorme na segunda cedo, e fomos comprar a tinta e alugar o compressor, como estava enrolado no trabalho apenas fui com ele na loja de tinta, compramos a tinta, verniz, fundo, tudo o que precisava deu quase mil reais, não lembro ao certo, mais foi novecentos e uns quebrados. Falei com ele o compressor fica por sua conta depois você me fala que acertamos, e fiquei muito atolado no trabalho e estudando, quando fui no sábado na casa dele ver o carro, para meu espanto ele já estava pronto, faltando detalhes como prender faróis, emblemas, entre outros detalhes, Aí perguntei como assim já tá pronto que eficiência! Ele me disse foram anos fazendo isso, e que ele adorou pintar meu carro.

Fiquei muito feliz e surpreendido positivamente com tudo, apenas acertei com ele uma parte do combinado, completei a água do radiador e parti pra casa, nesse fim de semana foi, a vontade de dar umas voltas, mas o problema do radiador, não me deixava arriscar. No caminho do Delorme até em casa parei duas vezes para completar a água, nas semanas seguintes, fui trocar várias borrachas, regular fechamento de portas regular maquinas de vidro e reparar o radiador e prende-lo corretamente, ajustar faróis, comprar umas capas para os bancos, porque a tapeçaria teria que esperar o próximo ano, entre outros detalhes.  Após a pintura na cor certa, o azul Danúbio, muitos amigos falando que o carro é verde e outros dizendo que azul. Um amigo sacramentou. Então é o trovão azul, a partir daí virou o nome da barca.

No próximo e último capítulo conto os percalços pelo caminho entre outras surpresas até os dias atuais.

Até lá!

Por Daniel Oliveira, Project Cars #424

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