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Car Culture

Como a Koenigsegg quase usou o motor Subaru da Fórmula 1 em seus hipercarros

É certo que a Koenigsegg está entre as mais criativas e inovadoras fabricantes de supercarros da atualidade – e nós só precisamos lembrar de seu mais recente hipercarro, o Jesko, para corroborar esta afirmação.

O carro, batizado com o nome do pai de Christian Von Koenigsegg, está entre os mais superlativos anunciados nos últimos tempos, com seu motor V8 flex de cinco litros com dois turbos, um compressor elétrico e impressionantes 1.600 cv quando abastecido com etanol E85. Ele também tem um câmbio de nove marchas com múltiplas embreagens, um quadro de instrumentos giroscópico que se move junto com o volante, e teoricamente é capaz de passar dos 480 km/h. Enfim, você entendeu o ponto.

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O que você talvez não saiba é que a Koenigsegg quase usou um motor de Fórmula 1, literalmente, em seu primeiro modelo – o Koenigsegg CC8S, que foi lançado em 2002, mas começou a ser desenvolvido alguns anos antes, na década de 1990. O primeiro protótipo foi construído em 1996 e, pasme, ele quase usou o motor abortado da Subaru para a F1.

Se você nos acompanha há algum tempo, deve ter lido em nossas páginas a história do motor fracassado que a Subaru fez para competir na Fórmula 1. Vamos relembrar rapidamente: em 1988, a Subaru decidiu que tentaria a sorte na maior categoria do automobilismo – eles ainda não haviam se tornado a potência dos WRC que seriam na década de 1990, e valia a pena experimentar todas as possibilidades. Ou ao menos eles achavam que valia.

A questão é que o motor não foi projetado pela Subaru: a fabricante japonesa meramente definiu as diretrizes, dizendo que deveria ser um flat-12 – para manter-se dentro da filosofia da empresa – naturalmente aspirado. O restante do projeto ficou a cargo da italiana Motori Moderni, fundada em 1984 pelo experiente Carlo Chiti. Sim, o engenheiro italiano que, nas décadas de 1950 e 1960, trabalhou com Enzo Ferrari na Alfa Romeo e na própria Scuderia Ferrari.

Acontece que, apesar do renome de seu projetista, o motor boxer da Subaru não era dos melhores: ele entregava 550 cv, fraco para a época, e o carro que o utilizava – o Coloni C3B – era pesado demais e tinha a aerodinâmica defasada. Como resultado, ele sequer conseguiu classificar-se para nenhuma corrida. A Subaru decidiu, depois disso, abandonar o programa de F1 e concentrar-se nos ralis. A melhor coisa que eles poderiam ter feito.

A fabricante japonesa sequer fez questão de ficar com os motores, que foram devolvidos à Motori Moderni. E é aí que a Koenigsegg entra na história.

Christian Von Koenigsegg é um cara surpreendentemente acessível – em 2015, ele contou toda a história de como colocou as mãos em dois motores Subaru de Fórmula 1 no blog da Koenigsegg.

Em 1994, Christian Von Koenigsegg estava dando início às atividades da fabricante com seu sobrenome. Ele já tinha dado início à construção do protótipo do Koenigsegg CC, que daria origem ao CCX, e estava pronto para assinar um contrato de fornecimento de motores com a Audi – ele usaria o motor V8 de 4,2 litros dos alemães, que era suficientemente moderno e oferecia boas possibilidades de preparação.

Pois foram justamente suas intenções de modificar o V8 que levaram a Audi a voltar atrás na parceria, para a decepção de Von Koenigsegg. Eles queriam que o motor fosse usado exatamente como era – o que, para Christian, era inconcebível.

Para sua sorte, ele “conhecia um cara que conhecia um cara” que conhecia Carlo Chiti. E, através deste contato, ele conseguiu comprar dois motores do antigo programa da Subaru para a Fórmula 1. De acordo com o próprio Christian, conforme dito em seu blog:

Conseguimos ir até lá e conversar com [a Motori Moderni], e eles foram muito receptivos. Disseram até que podiam modificar o flat-12 de 3,5 litros para nós. Motores semelhantes haviam sido usados em corridas de barco, com dois turbos, então estávamos bem confiantes quanto a sua durabilidade. Eles montaram um flat-12 de 3,8 litros e reduziram o limite de rotações de 12.000 rpm para 9.000 rpm. E também trocaram os comandos de válvulas, aumentaram o curso dos pistões e modificaram o coletor de admissão. O motor foi acertado para entregar 580 cv a 9.000 rpm e eu tenho até hoje as folhas com os testes no dinamômetro.

Quando projetamos o monocoque do primeiro Koenigsegg, o fizemos para acomodar aquele motor – na verdade, aquele foi o primeiro motor que colocamo sno carro. A posição dos suportes é a mesma que temos no Agera hoje em dia.

Não existem – não na Internet, ao menos – muitas imagens do protótipo da Koenigsegg com o motor Subaru. Christian diz, porém, que o bloco todo do motor ficava abaixo do eixo traseiro, proporcionando um centro de gravidade baixíssimo. O motor era usado como componente estrutural e, segundo Von Koenigsegg, dava um efeito visual muito legal quando se levantava a tampa traseira.

Sendo assim, por que foi que a Koenigsegg não continuou com o motor da Subaru?

O primeiro problema foi a morte de Carlo Chiti, em julho de 1994. Sem seu fundador e principal mente criativa, a Motori Moderni pediu falência – e, consequentemente, a Koenigsegg ficou sem seu principal suporte no desenvolvimento do motor.

Em 1997, Von Koenigsegg conseguiu comprar parte dos recursos da extinta companhia em um leilão – utilizando os projetos e esquemas originais do motor, talvez ele pudesse construí-lo sozinho. Contudo, de volta à Suécia, ele descobriu que havia gasto dinheiro à toa: o ferramental usado pelos italianos era antiquado e estava em péssimo estado de conservação. Não havia nenhum projeto computadorizado – apenas desenhos feitos à mão. Basicamente, era tudo inútil.

O segundo problema: fazendo alguns cálculos e simulações, Von Koenigsegg se deu conta de que conseguiria extrair, no máximo, 750 cv do flat-12 Subaru. Parece muita coisa, especialmente para os anos 1990, mas estava bem abaixo do objetivo da Koenigsegg, como sabemos hoje.

Por isso, os dois motores foram guardados em um depósito, e a Koenigsegg acabou optando por um V8 feito com base no Ford Modular. Que, depois de muitas modificações, tornou-se o motor que os hipercarros suecos utilizam até hoje.

Isto não quer dizer, porém, que o flat-12 Motori Moderni/Subaru não tenha encontrado uso em um carro de rua. Já em 1989, uma empresa chamada Jiotto o empregou em um supercarro chamado Jiotto Caspita – te desafiamos a encontrar um nome mais italiano do que este.

O Jiotto Caspita foi produzido em duas unidades: uma com o motor da Subaru, e outra com um motor V10 Judd. Mas esta história vai ter de ficar para outro dia…

(Via Drivetribe)

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