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Car Culture

Como aprendi a fazer drift em apenas dois dias

Olá, galera do FlatOut. Meu nome é Gustavo Chagas e quero contar um pouco de como realizei o sonho de fazer drifts  — e como consegui aprender a técnica em apenas dois dias!

Como a maioria de vocês, aprendi a gostar de carros desde novo, e sempre gostei e estudei muito pilotagem (os artigos sobre técnica do Flatout! ajudaram muito), mecânica, preparação, acerto e sempre busquei aprender e aperfeiçoar a tocada, lendo, vendo vídeos aos montes, como os antigos Best Motoring (virei fã do Keiichi Tsuchiya), vários do Tiff Needell, Chris Harris, ensinando peripécias com os FWD e os RWD, e tive a chance de praticar os aprendizados em algumas oportunidades na pista ou numa estradinha na serra.

Na pista com o Si:

Me apaixonei pelo drifting há vários anos, boa parte por culpa dos vídeos da Best Motoring, porém sempre tive carros tração dianteira e, na falta de um RWD, treinava em um FWD mesmo. O jeito era procurar um lugar afastado e …

Depois tive um Subaru WRX 2003, mais conhecido como Blob Eye, e fui apresentado ao mundo AWD. Foi divertido e participei de track days com ele.

Mas ainda não tinha tido uma experiência real e livre com algum carro RWD. Já tinha guiado alguns carros de tração traseira de amigos — alguns de forma até pra lá de animada, mas ainda não havia explorado o drift, as derrapagens controladas e powerslides.

E como iniciar nesse mundo sem ter efetivamente um carro tração traseira para treinar? Resposta: simulador, vídeos, leitura técnica sobre o assunto, mais simulador, mais vídeos e mais leitura. Era o que eu podia fazer. Aprendi muito lendo sobre drifting, vendo todos os vídeos que vocês possam imaginar — o “Drift Bible” do Keiichi Tsuchiya é regra pra quem está iniciando nesse mundo. Assista quantas vezes puder:

Antes mesmo de iniciar no simulador eu já conhecia as técnicas —  basicamente são seis e o nosso professor acima fala sobre cada umas delas:

Técnicas sem transferência de peso:
1 – Side (uso do freio de mão);
2 – Shift Lock (uso das reduções de marcha sem punta-tacco, com o intuito de travar as rodas traseiras, mais indicado em pistas úmidas ou molhadas);
3 – Power Over (usar a força do motor para fazer a traseira escapar; o clutch kick, aqui, pode ajudar).
Técnicas com transferência de peso:
4 – Braking (fazer a traseira do carro escapar com o uso de transferência de peso, usando o freio para transferir o peso para a frente do carro);
5 – Feint (uso apenas da transferência de peso para fazer a traseira escapar, pêndulo ou scandinavian flick);
6 – Lift-Off (soltar o acelerador no momento certo, transferindo o peso para frente do carro, fazendo a traseira escapar).

Então comprei um G27 e alguns simuladores para começar a treinar. Sempre simulei com GTR2, rFactor e mais recentemente com Assetto Corsa, iRacing e LFS (Live For Speed). Desses, o que tem a melhor física para drifting é  LFS, embora os gráficos não sejam dos melhores. Nele, conforme os pneus esquentam você tem menos grip e isso ajuda muito a ter sensibilidade e sempre sentir as mudanças que acontecem com o carro durante o processo.

O simulador ajuda muito a automatizar os movimentos, a ponto de você não pensar mais, simplesmente fazê-los instintivamente. Também ajuda a treinar a reação e tempo das correções do volante e do controle do acelerador.

A verdade é que tudo isso que contei para vocês ajudou muito no que estava por vir. Essa preparação fez com que a curva de aprendizado fosse bem mais rápida e que eu realmente conseguisse aprender bastante e evoluir até rápido quando tivesse meu primeiro contato com um carro tração traseira ou um carro preparado para o drift.

Durante uma conversa com meu amigo Dieckle Icklis, nos animamos a comprar um carro para iniciar os treinos na vida real. A ideia era dividir um carro, mas nem tudo acontece no tempo certo e, para mim, ainda não era o tempo de comprar um carro apenas para este fim. Começamos a procurar um BMW 325i ou 328i para ele e ficamos sabendo de um curso de drift em Brasília, na BSB Drift School.

Era a nossa chance. Entramos em contato e agendamos nosso curso. Enquanto esperávamos o dia, fomos ao Rio de Janeiro e buscamos um BMW 328i manual muito bem cuidado. Restava apenas esperar o dia do curso. O Dieckle é um piloto que já correu algumas categorias profissionais e tem bastante bagagem, por isso a curva de aprendizado para ele também foi bem rápida.

No início deste ano fomos para Brasília para o curso. Com a compreensão de nossas esposas, que nos acompanharam. Vejam só que sorte: o curso seria ministrado apenas para nós dois e mais ninguém. Dois dias, um BMW 325i Turbo preparado para andar de lado e dois amigos para dividir essa experiência — além, é claro, da torcida das nossas esposas debaixo de sol e chuva fazendo as fotos e filmagens. Era a realização de um sonho.

 

O primeiro dia do curso começou com uma conversa sobre o drift com o piloto e professor Hélio Fausto, super atencioso. Parte teórica concluída, fomos para a prática. O primeiro dia foi sofrido no bom sentido, pois fazer os exercícios requer atenção e sensibilidade para entender o carro, o tempo do volante e acelerador e, além de tudo, há a dificuldade dos exercícios, que só aumenta a cada passo. Chegamos exaustos no hotel ao fim do primeiro dia. E ainda teríamos mais um… A expectativa era enorme.

O segundo dia prometia. Seria a hora de usar todo o conhecimento aprendido e praticado no primeiro dia para começar a fazer um traçado todo de drifting. Mas, para isso, tínhamos de estar aplicando bem as técnicas e estar bem atentos às transições.

Para mim, no início, o exercício mais difícil foi controlar a mudança repentina da traseira na transição de um lado para o outro. Com as várias dicas do Hélio, a tocada só ia melhorando. Depois de muitos erros e acertos, a coisa já estava fluindo bem e os resultados já apareciam.

Vocês não imaginam a felicidade de alcançar o resultado acima em apenas dois dias. Claro, toda essa bagagem anterior nos simuladores, querendo ou não, ajudou muito. Mesmo que você não tenha uma mínima experiência anterior que o ajude, o drift é uma técnica e ela pode ser aprendida por qualquer um. Basta dedicação e treino. Acredito que, se você seguir os passos deste texto, também conseguirá um resultado rápido.

Olha a cara de felicidade da minha esposa andando com nosso professor Hélio.

Chegamos ao fim do segundo dia e eu não podia estar mais feliz. Parece besteira, mas tinha realizado uma vontade antiga, um sonho, mesmo. Agradeço à BSB Drift School por me proporcionar essa oportunidade. Podem ter certeza: em breve estarei de volta a Brasília para mais dois dias.

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Recentemente, andei aqui em Vitória no 328i do meu amigo Dieckle, no quintal da casa dele. É uma pista particular perfeita para a prática do drift, o Autódromo Geraldo Backer (AGB ou BKR).

O BMW está praticamente original, apenas com molas H&R, escape em inox, bancos-concha, volante Lotse e diferencial soldado, por enquanto. Mas garanto que é diversão garantida e perfeita para continuar treinando. Agradeço a ele a oportunidade de andar e treinar.

A sensação é indescritível. A satisfação de controlar o carro nessa situação é muito prazerosa e completamente viciante. Você não quer parar nunca. Os próximos passos serão daqui a alguns meses, quando pretendo comprar um 325i ou 328i para continuar praticando e me aperfeiçoando cada vez mais. Não é um esporte barato, ainda mais no Brasil, mas, se você tem essa vontade, como eu tinha, vale a pena buscar. Se comprar um carro para praticar é um sonho distante, o curso permite dois dias inesquecíveis.

Espero que este relato ajude outras pessoas ou as motive a realizar seus sonhos, sejam eles simples ou não. Basta dedicação, estudo e esforço. Um dia acontece. Abraço.

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