Edição diária: 17/06/2019
FlatOut!
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Sessão da manhã

Como é conviver com o McLaren P1 no mundo real, fora das pistas? Chris Harris responde!

“Qual é o sentido de se ter um carro como o McLaren P1 se ele pode ser guiado como um 650S ou um Porsche 911?” É este o tipo de problema que todos nós gostaríamos de ter, não é? E é esta a pergunta que Chris Harris faz no meio de seu mais novo vídeo — outra vez com o McLaren P1, mas agora é diferente, porque ele pegou um dos 375 P1 que existem no mundo para descobrir se dá para aproveitá-lo mesmo sem levá-lo ao limite. A resposta? Venha com a gente e descubra.

Já faz mais de um ano que mostramos aqui o teste que Chris Harris fez com o P1, com direito a um raio-X e a uma sessão de voltas rápidas em Yas Marina, e o vídeo de hoje — que Harris publicou na última sexta-feira (27) em seu canal — foi gravado no fim de 2014, mas a história agora é diferente.

Em vez de levar o P1 ao limite para atestar suas qualidades dinâmicas e sua potência mais uma vez — afinal, é um V8 biturbo de 3,8 litros combinado a um motor elétrico para produzir 916 cv — Harris decide usar uma abordagem oposta: pegar a estrada com o carro. Não para ir de um lugar ao outro, mas simplesmente para dirigi-lo e saber quais são as sensações que ele transmite sendo guiado civilizadamente (bem, quase).

Pois o vídeo começa na pista — mais precisamente, no circuito de Anglesey, no Reino Unido, onde Chris Harris acelera o P1 com gosto — talvez para se lembrar de como é usar todo o potencial do hipercarro e ter um parâmetro para analisar as situações do dia-a-dia.

Não vamos reclamar; um P1 saindo de traseira em uma curva de alta é sempre algo bom de se ver. Harris concorda e não cansa de elogiar o acerto do carro, que consegue ser mais civilizado que a LaFerrari sem comprometer as sensações extremas que se têm ao domar quase 1.000 cv de fúria em uma pista de corridas. Mas ele já havia feito isso.

O que ele não havia feito era conviver com o carro no mundo real, na estrada, ao lado de outros carros, sendo obrigado a respeitar as leis de trânsito e os limites de velocidade. Hipercarros não foram feitos para isto — eles até conseguem, mas a concepção que temos é que eles são duros, complicados de dirigir, cheios de comandos estranhos e que não se aguenta mais que uma ou duas horas ao volante sem conseguir uma bela dor nas costas. Harris consegue provar que o P1 é um dos que mais toleram uma direção mais tranquila e até dá conta de entreter os ocupantes no caminho.

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Comparado novamente à LaFerrari, o P1 não é tão intimidador quanto a estrela de Maranello. Basta aprender dosar o acelerador de forma mais modular e você consegue se sentir seguro o bastante para apreciar a firmeza do monobloco de fibra de carbono, a surpreendente maciez da suspensão no modo normal (obviamente ela ainda é bem dura, mas não dá para dizer que é desconfortável), a ergonomia impecável com comandos convencionais para faróis, luzes de direção etc, e o sistema multimídia com interface intuitiva e alto-falantes de qualidade. Sendo um carro baixo, você também ouve cada pedregulho batendo no assoalho de fibra de carbono, algo que, segundo Harris, pode ser “incrível ou irritante dependendo da forma como você encara o uso deste carro”.

Outro ponto interessante é como as nossas referências passadas interferem na forma como passamos por certas experiências. Harris comprovou isto ao levar um completo estranho para um passeio — mesmo sem ser levado ao limite, o P1 levou o rapaz à loucura, e ele só conseguia dizer “WOW” repetidas vezes.

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Só que, na verdade, hipercarros como o P1 têm esta habilidade de bagunçar nossas referências, algo que pode ser visto na prática quando Harris colocou o P1 para disputar uma arrancada contra um Audi RS6 Avant, uma das peruas mais rápidas do planeta com seu V8 biturbo de quatro litros e 560 cv que a leva aos 100 km/h em 3,9 segundos. Em uma demonstração crua e extrema de velocidade em linha reta, o P1 e o RS6 saem juntos, mas não são precisos mais que cinco ou seis segundos para que, de repente, uma perua de 560 cv se transforme em um carro dolorosamente lento.

Harris também observa que mesmo em um teste de aceleração em linha reta, o asfalto molhado e a velocidade extrema do P1 o fizeram perceber que, não fosse pelas babás eletrônicas, ele provavelmente teria perdido o controle e se transformado em um prejuízo milionário.

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Fotos: McLaren/Divulgação

No meio de tudo isto, é fácil esquecer uma coisa: o McLaren P1 é um híbrido, e ele tem um modo totalmente elétrico com autonomia de 10 km — não é muito, mas é o bastante para dar uma volta pelas colinas ao redor de Goodwood e notar uma coisa: por mais que se diga que um carro elétrico roda em completo silêncio, o P1 faz bastante barulho — um zunido futurista que não é ensurdecedor, mas é alto o bastante para fazer qualquer um que dirija um P1 ter certeza de que está ao volante de um carro que veio do futuro.

 

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