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Fiat Isotta-Fraschini 1905: o insano foguete de 1905 com motor de 16 litros, 250 cv e 415 mkgf de torque

A gente vive falando sobre como carros com torque demais são capazes de girar o planeta Terra ao contrário, mas a verdade é que a gente sempre exagera. De qualquer forma, se for para usar esta analogia de novo, que seja com este cara aqui: o Fiat Isotta-Fraschini 1905 que, na verdade, não foi feito em 1905. Mas isto é só um detalhe: o que importa é que, caso a Fiat decidisse fazer um supercarro há 111 anos, provavelmente ele ficaria assim.

E eles quase o fizeram: em 1905, os italianos decidiram construir uma máquina para quebrar recordes de velocidade em solo, como era muito comum naquela época (leia mais sobre o assunto neste post). Assim, surgiu o projeto do Fiat Isotta-Fraschini, que deveria usar dois motores de quatro cilindros — usados nos Grands Prix — enfileirados para formar um oito-cilindros em linha.

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Só que a Fiat jamais colocou o projeto em prática: os motores de corrida foram parar em, bem, carros de corrida, e o projeto foi abortado antes mesmo de nascer. Só ficaram os esquemas técnicos e blueprints originais.

Mas… há cerca de vinte anos, um cara chamado Graham Rankin encontrou o projeto e decidiu colocá-lo em prática. Ele não conseguiu dois motores de corrida para colocar debaixo do enorme capô, mas achou algo bem melhor: um seis-em-linha aeronáutico feito em 1917 para um caça da Primeira Guerra Mundial.

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Graham comprou o motor da família do lendário inventor, empresário, piloto e construtor de barcos Gar Wood, morto em 1971. Ao longo de sua vida, Gar havia comprado diversos motores aeronáuticos para usar em seus barcos, e Graham teve a sorte de encontrar um Isotta-Fraschini que jamais havia entrado na água.

Como de costume, o motor é gigantesco: são 16,5 litros. O diâmetro dos cilindros é de 140 mm, com curso de 180 mm e taxa de compressão de apenas 5,1:1. O motor gira baixo, bem baixo, e acaba entregando muito torque: 414,7 mkgf. A transmissão é por corrente, usando uma caixa Dennis fabricada em 1912 e adaptada para ficar atrás do eixo traseiro. Acredite: o carro original para recordes de velocidade não teria câmbio!

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O que nos leva a 2012, quando o atual dono do carro, Mike Vardy, decidiu dar continuidade ao projeto de Graham. Ele instalou a transmissão e decidiu que, por mais insana que esta ideia soasse, usaria o carro regularmente. Assim, ele decidiu completá-lo da maneira mais genuína possível, utilizando materiais e componentes period correct. O resultado ficou sensacional, pois o carro simplesmente não parece ter sido finalizado só recentemente. Tudo parece realmente ter sido feito há mais de 100 anos, como o volante e os comandos, os faróis a gás, as rodas e pneus, os bancos e o assoalho de madeira.

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E, se você pensa que Mike aproveitou para colocar no carro amenidades mais modernas. Longe disso: ele só tem freios na traseira, traz dezenas de instrumentos para monitorar o funcionamento do motor, alavancas e botões. Parece extremamente complicado, e é mesmo.

Nada disso impede, contudo, que Mike use o carro quase que regularmente. Claro, talvez o consumo de combustível e o nível de envolvimento necessários para pilotar uma máquina destas dê uma freada em seu entusiasmo mas, quando o dia está tranquilo e favorável o bastante para um passeio, ele coloca o Fiat Isotta-Fraschini para esticar as pernas e assusta as pessoas com sua máquina.

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O carro é capaz de chegar aos 200 km/h. Ok, um hatchback (nem precisa ser hot) com motor de quatro cilindros e uma fração do deslocamento faz isto, mas nem de longe com o mesmo estardalhaço – que, neste caso, é o mínimo que se espera de um automóvel como este. Mike diz, no entanto, que com o câmbio certo o Fiat Isotta-Fraschini seria ainda mais veloz. Mas talvez ele não tenha coragem de testar.

A gente não o culpa.

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