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Como é pilotar o Jaguar XJR-9 que venceu as 24 Horas de Daytona? Matador, claro!

Muitas vezes tendemos a pensar nos protótipos do Grupo C da FIA como as lendas de Le Mans — afinal, a corrida de 24 horas disputada no Circuito de La Sarthe é considerada por muita gente como a maior corrida do planeta. Acontece que aqueles carros também competiam em outras categorias que também seguiam o regulamento da FIA — e não é porque não venceram em Le Mans que alguns carros não são históricos.

Tome como exemplo este Jaguar XJR-9 com pintura da Castrol. Ele foi um dos três que foram construídos em 1988 para que a Jaguar competisse na IMSA GT Series, que também seguia as regras do Grupo C para protótipos, era organizada pela International Motorsports Association e disputada entre 1971 e 1998.

O carro foi construído e acertado pela Tom Walkinshaw Racing em 1988 e traz no currículo o primeiro lugar nas 24 Horas de Daytona de 1990. Vinte e cinco anos depois deste feito, Chris Harris mostra, mais uma vez, por que é um dos caras mais sortudos do mundo — seu trabalho o “obrigou” a dar um passeio com o XJR-9 nº 61 no circuito britânico de Brands Hatch debaixo de chuva e ainda trocar umas ideias com um dos pilotos que o conduziram na época. Simplesmente épico:

Logo no início do vídeo, Harris diz que, justamente por causa da chuva, não é possível sentar a bota em seu encontro com o XJR-9, mas que ele também não dá a mínima — e nem você deveria: é um protótipo histórico, cara! Além disso, ouvir o ronco do sonoro V12 aspirado de seis litros é uma bela experiência, mesmo que pelas caixas de som do computador.

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Este mesmíssimo carro, em 1989, com faróis cobertos

Mesmo sem poder acelerar até o limite (afinal, estamos falando de um carro histórico que definitivamente não gostaríamos de ver todo desfigurado em um muro), Harris não para de elogiar o carro — surpreendentemente intuitivo de guiar, pregado no chão e muito, muito rápido. Além disso, é um dos protótipos mais bonitos da história.

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Embora o XJR-9 tenha ficado famoso como vencedor de Le Mans em seu ano de estreia, decorado com a pintura roxa e amarela da Silk Cut (outro carro, com motor V12 de sete litros), o tricolor da Castrol cai como uma luva na carroceria que é uma das mais bem proporcionadas entre os protótipos Le Mans e traz como marca registrada as rodas traseiras cobertas pelas chamadas piss flaps (algo como “cobertura contra xixi”, em uma tradução livre, brincando com o fato de evitar que cachorros urinassem nas rodas).

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O XJR-9 que correu na IMSA tinha um V12 de seis litros e cerca de 700 cv. Este carro, que colecionou boas colocações em 1988 e 1989 (doze pódios e uma pole position em 1989), mas foi em 1990 que conquistou sua vitória em Daytona, com Davey Jones, Jan Lammers e Andy Wallace. E foi com Wallace que Chris Harris conversou para saber como o XJR-9 se comportava na pista quando era levado ao ápice de suas capacidades.

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Wallace conta que, no caso do XJR-9, é muito marcante o efeito do motor V12 na sua dinâmica. Por ser comprido e pesado, o V12 causa um efeito pêndulo que compromete o equilíbrio do carro nas curvas. Ele também diz que é um carro muito exigente em qualquer circuito — no tortuoso e rápido La Sarthe ou em um oval inclinado como Daytona.

Por outro lado, é um carro surpreendentemente simples de conduzir — não leva mais que dez minutos para se acostumar com a localização dos comandos, com a ergonomia (impecável), a ampla área envidraçada e os engates precisos do câmbio.

Max Girardo, da RM Auctions — que leiloará o carro em um evento em Amelia Island em março deste ano, diz que estas características fazem deste XJR-9 em especial um carro histórico atraente a todo tipo de colecionador  — seja o cara que mantém o carro em uma garagem climatizada e iluminada ou um ricaço que compete em corridas históricas, pois ele logo vai se sentir em casa (bem, ao menos até começar a correr de verdade).

Nós preferimos que seja o segundo cara. Nós seríamos este cara.

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