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Car Culture

Como era o mundo quando o Fusca começou a ser produzido?

Na semana passada contamos a incrível história do início da produção do Fusca, e não pudemos deixar de notar a quantidade de leitores que ainda hoje, setenta anos depois, usam o besouro diariamente como se o tempo não tivesse passado para ele. Na verdade, a longevidade do Fusca é algo impressionante em todos os sentidos. Começando por seu período de produção: foram 65 anos se você contar os primeiros protótipos de 1938, ou 58 anos se considerarmos sua produção em série real, iniciada pelo major britânico Ivan Hirst. Nenhum outro carro foi produzido tanto tempo sobre uma mesma plataforma.

Depois, porque até a década de 1990, o imaginário popular via o mundo do século 21 como aquele mostrado em “De Volta Para o Futuro II”, com carros voadores, automatização por todos os lados, Skype, Facetime, drones, video-games controlados por gestos e circuitos biônicos. Então veio 2001 e nenhum computador assassino apareceu. Veio 2015 e nenhum carro voador está riscando o céu. Os carros modernos já são bem inteligentes, e podem prevenir capotamentos e colisões, estacionam sozinhos e até estão começando a rodar por aí sem a ajuda de um motorista. Mas assim como aquele Fusca vermelho em Hill Valley, o mundo real ainda está cheio de Fuscas que circulam por aí diariamente.

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E este é o lado mais impressionante da longevidade do Fusca. Eles dividem as ruas com carros extremamente tecnológicos, levam pessoas ao McDonalds, são revendidos pela internet, fotografados com câmeras digitais (em smartphones), abastecidos com gasolina de primeira e lubrificados com óleo sintético multiviscoso. Mas eles simplesmente não são desse mundo.

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Sim, eles foram concebidos no planeta Terra, que ainda orbita ao redor do Sol numa galáxia chamada Via Láctea. Eles também existem até hoje, mas com exceção destes Fuscas, o resto do mundo é completamente diferente. Essa noção talvez não seja muito clara pois, afinal de contas, o Fusca acabou resistindo por suas qualidades, ainda valorizadas por muita gente, e por isso ainda é estranho encará-lo meramente como uma peça de museu/coleção como o Fiat Topolino (o 500 original, dos anos 1930 e 1940) ou o Citroën 2CV.

Mas essa noção pode ficar mais clara se colocarmos o Fusca no contexto histórico. Para ressaltar a idade do Fusca e provar que ele veio de uma época muito diferente, decidimos relembrar como era o mundo quando suas primeiras unidades começaram a ser produzidas, no distante 27 de dezembro de 1945.

 

Ferrari, Porsche e Lamborghini ainda não existiam

As principais fabricantes de esportivos da atualidade surgiram anos depois do lançamento do Fusca. A Scuderia Ferrari foi fundada em 1929, mas nos primeiros dez anos da equipe Enzo usava apenas carros da Alfa Romeo pintados com o emblema do cavalo rampante (leia mais neste post).

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Tem cor de Ferrari, logotipo de Ferrari, foi de Enzo Ferrari, mas é um Alfa Romeo

A Ferrari, na verdade, foi a equipe de fábrica da Alfa entre 1933 e 1939, quando a Segunda Guerra começou. Depois do conflito, Enzo voltou a usar os Alfa Romeo, mas por um curto período: ele decidiu colocar em prática sua intenção de fabricar seus próprios carros de corrida — e eles seriam bancados por carros de rua. Assim, em 1948 a Ferrari lançou seus dois primeiros carros, a Ferrari 125 de corrida e a 166 Inter de rua.

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Ferdinand e o primeiro Porsche 356

Naquele mesmo ano, um pouco mais ao noroeste de Maranello, Ferdinand Porsche finalmente tirou da prancheta um esportivo com seu nome. Depois de um período na Mercedes-Benz e na Auto Union, e de vender o Fusca a Adolf Hitler, Porsche lançou o 356 em 1948. Ele era uma variação bastante radical do Fusca, e as primeiras unidades foram produzidas na Áustria, e não em Stuttgart (veja a história aqui).

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Ferruccio Lamborghini apresenta seu primeiro protótipo, o 350GTV

Já a Lamborghini foi aparecer somente em 1963, quando Ferruccio Lamborghini foi reclamar com Enzo sobre a embreagem de sua Ferrari e os dois brigaram e Ferruccio fez o 350GT para mostrar como se faz um grã-turismo de verdade. Antes disso, Ferruccio já era um magnata industrial da Itália (como você acha que ele teve acesso direto a Enzo Ferrari?), mas sua fábrica de tratores não é mais antiga que o Fusca. Ela foi fundada em… 1948!

 

A Honda ainda não existia

Hamamatsu Art Shokai: a primeira oficina de Soichiro Honda (ele é o de óculos, apoiado no “cockpit” do carro de corrida). Um legítimo gearhead

Acredite: a fabricante japonesa mais vitoriosa do automobilismo mundial, e uma das maiores fabricantes de carros do planeta ainda não existia em 1945. Soichiro Honda só fundou a empresa que leva seu nome em 1948 (que ano!) e seu primeiro produto só começou a ser produzido em 1949 — a moto Honda D-Type. Os carros só chegaram em 1963, quando a mini picape T360 começou a ser vendida em agosto de 1963.

 

O carro mais rápido do mundo não chegava aos 180 km/h

Desempenho nunca foi o forte do Fusca. Os primeiros modelos, com motor 1.100, tinham apenas 24 cv e só chegavam aos 100 km/h descendo uma ladeira ou rebocados por um Mercedes, BMW ou Auto Union. Mesmo em sua versão mais potente o Fusca nunca passou dos 160 km/h em configuração original de fábrica. Não que fosse um carro ruim ou mal feito, mas porque quando ele foi desenvolvido, os carros mais rápidos das ruas mal chegavam aos 180 km/h.

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Na verdade, o primeiro carro produzido em série que teve sua velocidade máxima comprovada foi o Healey Type 2.4 (acima), que foi levado aos 178 km/h em um teste da revista Autocar (sim, a mesma do site autocar.co.uk) realizado em 1947, dois anos depois do início da produção do Fusca. A maioria dos esportivos da época, como o Alfa Romeo 8C, Duesenberg, Bugatti e Talbot tinham velocidades superiores declaradas — o Alfa tecnicamente chegava aos 225 km/h —, mas nenhum deles passou por um teste para verificar se os números eram possíveis de se atingir no mundo real. Em 1948 a Jaguar lançou o XK120 (abaixo), que chegou aos 200 km/h e se tornou o carro mais rápido do mundo — e o primeiro produzido em série a atingir essa marca.

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Logicamente os carros de corridas já eram bem mais rápidos. A marca dos 200 km/h foi superada décadas antes com o Blitzen Benz, e nos anos 1930 os Auto Union, Mercedes e Alfa dos Grandes Prêmios chegavam além dos 300 km/h. Também vale mencionar os recordistas de velocidade sobre terra (land speed record): em 1945 o recorde era de John Cobb, que levou seu Railton Special à planície de sal de Bonneville e chegou à impressionante velocidade de 595 km/h ao longo de uma milha. Atualmente este recorde é de Andy Green, que levou o “carro” a jato ThrustSSC aos 1.227,986 km/h em 1998.

 

Os pneus radiais ainda não haviam sido inventados

Em 1945 os pneus já eram pretos e bem mais resistentes que os primeiros modelos, ainda brancos e feitos com látex natural. Mas todos ainda tinham sua lona disposta em forma diagonal. Os primeiros pneus radiais foram produzidos como experimento em 1915, mas só foram lançados comercialmente em (adivinhem só…) 1948, quando a Michelin lançou um pneu com malha de aço disposta radialmente. Mesmo assim, eles só se tornaram populares no fim dos anos 1970.

 

Não existia direção hidráulica…

Ao menos não em carros de passeio. O conceito de um sistema hidráulico para auxiliar o movimento do volante dos veículos foi idealizado em 1926 pelo engenheiro Francis W. Davis, que trabalhava na divisão de caminhões da Pierce-Arrow. Mais tarde, Davis foi para a GM, onde evoluiu o sistema mas acabou transferindo-se para a Bendix. Então veio a guerra e surgiu a necessidade de melhorar a direção dos veículos militares pesados. Por isso as primeiras aplicações do sistema de Davis foram em veículos de combate durante a Segunda Guerra, mas a direção hidráulica como conhecemos nos carros, só surgiu em 1951, quando a Chrysler passou a oferecer a direção “Hydraglide” no Imperial.

 

… nem freios a disco…

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Tal como a direção hidráulica, o conceito de freios a disco surgiu no início do século 20, mas ainda não havia materiais adequados para um sistema mais eficiente que os tambores e lonas. O primeiro carro com freio a disco surgiu somente em 1950, quando a Crosley ofereceu o Hotshot com esse opcional por seis meses. Mais tarde a Jaguar instalou freios a disco nos seus C-Type que disputaram as 24 Horas de Le Mans em 1953, mas o primeiro carro produzido em larga escala a usar discos para frear foi o revolucionário Citroën DS de 1955.

 

… nem alternadores

Hoje os alternadores estão começando a ser substituídos por motores elétricos com função de recuperação de energia — uma necessidade em tempos de start-stop e dezenas de controles e comandos e equipamentos eletro-eletrônicos embarcados e até sistemas elétricos de 24 e 48 volts. Mas na época do Fusca eles ainda nem haviam sido inventados. Em vez disso, a eletricidade para o sistema de 6 volts que alimentava a ignição e os faróis do Fusca era gerada por um sistema de dínamo e comutador.

O dínamo fica atrás da polia de cima

Os alternadores automotivos só deram as caras depois de 1960, quando a Chrysler lançou o Valiant com um desses no lugar do dínamo.

 

A adolescência não tinha sido inventada…

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É lógico que as pessoas não pulavam direto dos 11 para os 18 anos em 1945, mas a cultura “teen” só surgiu nos anos 1950, com as mudanças sociais e econômicas acontecidas no mundo ocidental após a Segunda Guerra Mundial. Antes dessa mudança, não havia um período de transição da infância para a vida adulta. Você precisava largar os brinquedos e brincadeiras e começar a agir como um adulto logo após completar seus 12 ou 13 anos e viver assim até o fim de sua vida.

Nos anos 1950 a prosperidade econômica e até mesmo uma mudança no comportamento dos pais em relação aos filhos resultou em uma cultura jovem que transformou os adolescentes em um nicho cultural e econômico, com sua própria moda, seus próprios filmes, ídolos e músicas.

 

… nem o Rock and Roll

“Five Minutes More”, um dos hits de 1946

Em 1945 os artistas mais populares segundo a Billboard eram Frank Sinatra, Perry Como e Bing Crosby. Os estilos musicais eram basicamente o jazz, o blues e o country e suas variações (r&b, bebop, skiffle e afins) e, se você já assistiu filmes de época deve ter notado, era essa a trilha que embalava a diversão dos jovens.

Dez anos mais tarde, a “rebeldia” da nova cultura jovem foi o tempero que faltava para transformar a mistura de country e blues em um som completamente novo chamado “rock and roll”.

 

Os Beatles e os Rolling Stones eram crianças

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Paul, Ringo, John e George por volta de 1945

Assim como o Fusca e os hippies os Beatles e os Rolling Stones foram símbolos dos anos 1960. E eles nasceram todos na mesma época. Ringo Starr foi o primeiro a chegar, em 1940. Em outubro daquele ano foi a vez de John Lennon, e em 1941 Charlie Watts. Depois, em 1942 veio Paul McCartney e no ano seguinte George Harrison, Keith Richards e Mick Jagger.

Beetle e os Beatles, 24 anos depois do lançamento do carro

Ringo e John, portanto, tinham cinco anos quando o Fusca deu as caras. Charlie Watts provavelmente já batucava aos quatro anos, Paul McCartney aprendia o ob-la-di-ob-la-da com três anos, e Harrison, Keith e Jagger ainda estavam nas fraldas com dois anos de idade.

 

O Brasil tinha 20 estados…

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É sério. O Mato Grosso do Sul e o Tocantins ainda não existiam, e faziam parte do Mato Grosso e Goiás, respectivamente. Com isso, a lista dos 26 atuais cai para 24. Os outros quatro eram os Territórios Federais, administrados diretamente pelo presidente da república. Eles foram criados durante a Segunda Guerra por estarem em regiões de fronteira com outros países, mas ao fim do conflito, somente dois deles (o Território de Iguaçu, que abrangia o oeste do Paraná e Santa Catarina, e o Território de Ponta Porã, que abrangia o sul do Mato Grosso) voltaram a ser integrados aos seus respectivos estados.

O Território do Amapá, do Acre, de Rondônia e de Roraima foram mantidos assim. O Acre virou estado em 1962, mas os demais não se tornaram autônomos até a promulgação da Constituição Federal de 1988, que os transformou em estados. Outra curiosidade interessante: São Paulo fazia parte da região Sul, a Bahia e o Sergipe não ficavam no Nordeste, e o Sudeste chamava-se região Leste. Ah, e a capital nacional era o Rio de Janeiro.

 

… e a expectativa de vida era pouco maior que o tanque do Fusca

A maioria dos Fusca leva 40/41 litros em seu tanque de combustível. Em 1945 a expectativa de vida do brasileiro era de 45,5 anos. Sim: 45 anos e seis meses. Ao longo desses 70 anos as mudanças demográficas, tecnológicas e sociais do país e do mundo elevaram a expectativa de vida para 73,4 anos — o que talvez explique a longevidade do Fusca por aqui.

 

A África era praticamente toda colonizada pelos europeus

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Fiat Tagliero: herança da colonização italiana na Eritreia (leia mais aqui)

Em 2016 todos os países africanos são estados independentes e soberanos — ao menos em teoria —, mas essa história era bem diferente em 1945. Na época em que os primeiros Fuscas saíram da linha de produção em Wolfsburg, o continente africano tinha apenas quatro países livres — Libéria, África do Sul, Egito e Etiópia. A descolonização da África, contudo, foi acelerada nos anos 1950 e 1960, até finalmente terminar em 1977, quando o Djibouti se tornou independente da França.

 

O mundo tinha menos de 3 bilhões de pessoas

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Em 31 de outubro de 2011 nasceu o sétimo bilionésimo (7.000.000.000º) habitante do planeta. Isso aconteceu exatamente 12 anos após a população atingir seis bilhões de pessoas. Em 1945, contudo, havia menos da metade das pessoas: a população mundial só atingiu a marca dos 3 bilhões em 1959, 14 anos mais tarde.

 

A humanidade ainda não havia chegado ao espaço

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As primeiras tentativas de viagem espacial surgiram ainda durante o Terceiro Reich, parte da megalomania nazista, mas elas só foram embalar de verdade durante a “Corrida Espacial”, travada entre os EUA e a URSS a partir dos anos 1950. O soviéticos saíram na frente, colocando o Sputnik 1 — primeiro satélite artificial da história — na órbita terrestre em 1957. Naquele mesmo ano, eles também lançaram o Sputnik 2, que realizou o primeiro voo espacial tripulado. A passageira era a cadela Laika, que se tornou o primeiro ser vivo a viajar para o espaço.

Vídeo: Nasa (ou seria Stanley Kubrick?)

Em 1961 foi a vez de Yuri Gagarin, coronel da Força Aérea Soviética. Ele embarcou no foguete Vostok e se tornou o primeiro homem a conhecer o espaço. Seu voo durou pouco mais de uma hora e meia, tempo suficiente para dizer que a terra é azul e que não havia deus nenhum lá em cima. Já os americanos demoraram mais tempo, porém conseguiram um feito igualmente memorável: a conquista da Lua, o que aconteceu em 20 de julho de 1969.

 

Cuba era uma democracia capitalista

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Hotel Nacional em Havana, construído em 1930

A revolução cubana, que instaurou o regime socialista na ilha caribenha, completou 57 anos neste mês de janeiro. Ela colocou fim à ditadura militarizada imposta em 1952 por um golpe de estado de Fulgêncio Batista, mas antes destes dois regimes autoritários, Cuba foi por 50 anos uma nação democrática, com economia baseada no livre mercado.

Nos anos 1940, quando o Fusca começou a ser produzido, o clima tropical combinado às belezas naturais e a profusão de cassinos e casas de show transformou a ilha no “resort” favorito dos americanos e gente rica de todo o mundo. Mas em 1952 o presidente Fulgêncio Batista (que havia sido eleito na década anterior) deu um golpe de estado, dando origem a uma ditadura militar que eliminou a oposição política, mas ainda manteve o mercado aberto.

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No ano seguinte, os revolucionários liderados por Fidel Castro iniciaram a luta armada contra Batista (eles até sequestraram Juan Manuel Fangio!), triunfando em 1959, quando impuseram o regime socialista. Os estrangeiros foram praticamente expulsos e suas propriedades confiscadas pelo governo. É por isso que hoje há tantos carros de luxo dos anos 1950 circulando (ou não) pela Ilha: eram os carros dos americanos ricos, que foram abandonados após o golpe socialista.

 

O computador ainda não havia sido inventado

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O primeiro computador da história, o ENIAC, foi concebido depois do Fusca, em 1943. Diferentemente do besouro, ele começou a ser construído imediatamente, mas só ficou pronto em 1946, quando a fábrica de Wolfsburg já estava a pleno vapor. Na época os transistores ainda não haviam sido inventados, e por isso o ENIAC usava nada menos que 17.468 válvulas.

Também por isso o Fusca era um carro produzido de forma completamente mecânica. O maquinário computadorizado (CNC) só apareceu dez anos mais tarde, quando também surgiram os primeiros transistores.

 

Nem o jato comercial

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Praticamente todas as linhas aéreas operam com aviões a jato em 2016. Ainda há alguns turbo-hélices voando pelo interior do Brasil, mas a maior parte dos voos comerciais é feito com os jatos da Airbus, Boeing, Embraer e Bombardier. Em 1945, contudo, o avião a jato era usado somente por corporações militares — e eles nem eram tão comuns. Os voos comerciais eram feitos em sua maioria por bimotores Douglas DC 3 — que voavam mais baixo (o teto máximo era 7.100 metros), eram mais lentos (chegavam aos 370 km/h, no máximo) e não tinham cabine pressurizada.

As viagens comerciais a jato começaram em 1952, quando a British Overseas Airways Corporation, mais conhecida como BOAC, comprou um de Havilland Comet — o primeiro jato comercial da história — e passou a oferecer viagens na metade do tempo que suas concorrentes. Ele era movido por um par de turbinas a jato Rolls-Royce Avon Mk524 com empuxo de 10.500 lbft/47.000 kN.

 

O CEO que encerrou a produção do Fusca ainda não era nascido

O Fusca é um carro tão antigo e foi produzido por tanto tempo, que o CEO que encerrou sua produção ainda não havia nascido quando ela começou. Bernd Pischetsrieder era o CEO da Volkswagen em 2003, quando o último Vocho foi produzido na fábrica de Puebla, no México. Na ocasião, Pischetsrieder tinha 55 anos e a produção do Fusca tinha 58 — o executivo nasceu três anos depois, em 1948 (olha ele aí de novo).

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