A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Projetos Gringos

Como este monstruoso Honda Civic EG de hillclimb pode ser legalizado para as ruas?

Quem já tentou modificar um carro de rua no Brasil sabe que depois de conceber o projeto, comprar as peças, encontrar um bom mecânico (ou montar tudo sozinho, dependendo do seu nível de habilidade), fazer o shakedown e realizar os ajustes finos, ainda é preciso regularizar toda a documentação junto às autoridades de trânsito para não ter problemas em uma blitz ou algo do tipo. É um processo burocrático e caro e, não por acaso, há quem opte por simplesmente arcar com as despesas com multas, guincho e pátio. Não é o ideal, mas acontece.

Ainda não é assinante do FlatOut? Considere fazê-lo: além de nos ajudar a manter o site e o nosso canal funcionando, você terá acesso a uma série de matérias exclusivas para assinantes – como conteúdos técnicoshistórias de carros e pilotosavaliações e muito mais!

 

FLATOUTER

Membro especial, com todos os benefícios: acesso livre a todo o conteúdo do FlatOut, participação no grupo secreto no Facebook (fique próximo de nossa equipe!), descontos em nossa loja, oficinas e lojas parceiras!

A partir de

R$20,00 / mês

ASSINANTE

Plano feito na medida para quem quer acessar livremente todo o conteúdo do FlatOut, incluindo vídeos exclusivos para assinantes e FlatOuters.*

De R$14,90

por R$9,90 / mês

*Não há convite para participar do grupo secreto do FlatOut nem há descontos em nossa loja ou em parceiros.

Na verdade, você nem precisa ter um projeto radical para passar por tudo isto – às vezes, novas rodas e um jogo de molas esportivas já podem te arranjar problemas. Sabendo disto, ficamos embasbacados ao ver o Honda Civic “Beastie Hatch” de Cody Loveland – o hatchback da geração EG, fabricado em 1993, parece um protótipo de Pikes Peak, mas é totalmente legalizado para rodar em ruas e estradas. Ou melhor, nas ruas e estradas americanas, mas ainda assim… é difícil acreditar.

Cody é dono de uma equipe de corridas que leva seu nome, a Cody Loveland Racing. Além de participar de provas de subida de montanha, Cody é projetista e fabricante do Enviate Hypercar. Apesar do nome, ele não é um hipercarro – ao menos não como a LaFerrari ou o Aston Martin Valkyrie. O Enviate é um monoposto com ares de protótipo Le Mans, estrutura tubular, carroceria de fibra de carbono e um V8 LS feito do zero com dois turbos e mais de 1.200 cv nas rodas.

O Enviate foi o segundo colocado na categoria principal da Pikes Peak Hillclimb em 2017, a Unlimited, atrás apenas do Norma M20 de Romain Dumas. Ele subiu a montanha em 10min29s312 e foi o carro que atingiu a maior velocidade durante a prova – 236 km/h. Com apenas 907 kg, ele tem 0,75 kg/cv e é capaz de gerar até 3.200 kg de downforce, o que dá quase o triplo de seu peso. Naturalmente, se quiser um, você vai ter de desembolsar pelo menos US$ 320.000 – ou quase R$ 1,2 milhão.

O Honda Civic é o projeto paralelo de Cody, usado para sua própria diversão. Ele é menos sofisticado que o Enviate, obviamente, mas aproveita alguns de seus princípios para andar mais rápido. Na verdade, as lições aprendidas com o projeto aerodinâmico do Enviate e incorporadas ao Civic – ou melhor, Beastie Hatch, como o projeto foi batizado – são boa parte do que o torna tão insano.

O motor em si é um V6 J32A2, vindo do Acura TL Type-S de terceira geração – uma versão mais luxuosa do Honda Accord, voltada para o mercado norte-americano, fabricada entre 2004 e 2008. Com um turbocompressor Garrett GTX3576R operando a 0,96 bar, o motor de 3,2 litros manteve os componentes internos originais (ao menos por enquanto) e entrega por volta de 500 cv a 6.550 rpm e 58,9 mkgf de torque a 5.500 rpm. Cody afirma que planos futuros incluem novas molas para as válvulas e outras modificações relativamente leves, sob medida para permitir um aumento na pressão de trabalho. O objetivo é chegar aos 530 cv, com uma faixa de rotações mais ampla. O câmbio manual de seis marchas do Acura TL também foi aproveitado, recebendo apenas uma alavanca de engate rápido.

A suspensão recebeu braços triangulares sobrepostos, molas Eibach e amortecedores ajustáveis nas quatro rodas, além de bitolas consideravelmente mais largas. Os para-lamas foram alargados aproveitando as faces dos para-lamas e usando chapas de metal – feitos de forma bastante rústica, sem preocupação com acabamento perfeito. Apenas com a função.

Abrigados sobre ele estão rodas HRE de 18×13,5 polegadas (!), calçadas por pneus slick da Toyo – exatamente o mesmo conjunto usado no Enviate. Assim como os freios, que têm discos de carbono-cerâmica de 380 mm, e pesam apenas 4,5 kg – para comparação, discos de freio de tamanho equivalente, porém de metal, pesam cerca de 11 kg.

O interior, em harmonia com o lado de fora, foi completamente aliviado e conta apenas com um banco do tipo concha, uma gaiola de proteção integral e, incrivelmente, o cluster de instrumentos original do Civic, que funciona perfeitamente e está preso diretamente à barra frontal da cabine usando simples presilhas de plástico – os famosos enforca-gato.

Mas o que realmente nos deixa boquiabertos é o conjunto aerodinâmico. O splitter frontal que lembra a peça do famoso Suzuki Escudo Pikes Peak é feito de fibra de carbono, tem 2.500 mm de largura e é preso diretamente ao subchassi dianteiro. O assoalho é todo plano. Atrás dos arcos de roda dianteiros estão dois extratores aerodinâmicos, que canalizam o fluxo de ar por sobre as extensões laterais e ajudam a reduzir a pressão sob a dianteira.

Na traseira, uma enorme asa de fibra de carbono, derivada da peça encontrada no Enviate, trabalha em conjunto com o difusor abaixo do para-choque para compensar a distribuição do peso desequilibrada – 63% na dianteira e 37% na traseira. No total, o conjunto aerodinâmico é capaz de gerar 227 kg de downforce a 145 km/h.

Com o Beastie Hatch, Cody já participou de alguns eventos de subida de montanha, competições de time attack e track days – e o plano, agora, é inscrever o carro no Campeonato Mundial de Time Attack. Pikes Peak, por enquanto, está mais adiante na lista de objetivos.

Mas o Civic, como dissemos, é legalizado para rodar em vias públicas dentro do estado de Michigan. Também nos perguntamos como isto é possível, mas uma visita ao site do governo do estado norte-americano nos deixou surpresos.

Para legalizar um carro modificado, ou mesmo um protótipo, basicamente você precisa se preocupar com as dimensões do carro e em colocar todos os equipamentos de segurança básicos exigidos pela lei. Não há restrições para o motor – de nenhum tipo. E eles também não exigem testes de emissões de poluentes. No caso de um protótipo, você precisa descrever a origem dos componentes – se foram feitos especificamente para o carro, ou se são fornecidos por outras fabricantes. E é isto.

Alguém aí ficou a fim de se mudar para Michigan?

 

Matérias relacionadas

Quantos aplausos este BMW M3 E30 com motor V10 da M5 merece?

Dalmo Hernandes

Supermáquinas: os maiores veículos já feitos pelo homem

Dalmo Hernandes

Para quem acha que já viu de tudo: este é o Lamborghini Murciélago de drift de Daigo Saito

Dalmo Hernandes