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Como seria a perseguição de Bullitt se ela tivesse sido gravada em Silverstone?

Alguns filmes têm perseguições de carros. Bullitt é uma perseguição que tem um filme. Brincadeiras à parte, a história do detetive Frank Bullit rendeu um bom thriller policial, mas foi totalmente ofuscada pela sequência em que ele persegue os assassinos em seu Mustang GT 390 saltando pelas famosas ladeiras de São Francisco, na Califórnia. Mas como seria essa perseguição se ela fosse gravada em Silverstone?

Por que Silverstone? É que o Mustang está completando 50 anos, e os organizadores do festival Silverstone Classic decidiram homenagear o carro com um enorme encontro de proprietários do pony car. E hoje em dia não há nada melhor para divulgar um produto, evento ou ideia do que um vídeo viral, certo? Então eles decidiram recriar o momento mais célebre do Mustang no local do evento, o autódromo de Silverstone. Veja como ficou:

Claro, não há contato entre os carros e nem um décimo da ação da perseguição original, mas isso é compreensível, uma vez que ninguém arriscaria destruir dois clássicos para um mero evento de colecionadores. Também por que recriar uma perseguição dessa não seria uma tarefa muito simples.

Para se ter uma ideia, no filme foram usados dois Mustang GT 1968 na cor Highland Green com motor 390 V8 (6,4 l) de 324 cv e rodas Torq Thrust, e três Dodge Charger R/T 1968 com motor 440 (7,2 l) de 380 cv. Para as cenas de perseguição, os Mustang tiveram as luzes de neblina removidas, assim como todos os emblemas do carro. O carro também foi riscado e levemente amassado pelo próprio Steve McQueen para parecer mais realista.

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Em termos mecânicos os Mustang receberam suspensão dianteira reforçada com molas mais rígidas e amortecedores Koni, e o subchassi recebeu barras de amarração extra. O motor 390, que originalmente produzia 324 cv teve o cabeçote usinado para aumentar a taxa de compressão, e recebeu novos coletores de escape, ignição para alto desempenho e carburador retrabalhado.

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Os Dodge Charger, por sua vez, receberam apenas barras estabilizadoras mais rígidas e o feixe de molas traseiro foi trocado pelo modelo usado nos carros de polícia, com carga de molas maior, porém a mesma altura de rodagem. O motor foi deixado original, e o dublê Bill Hickman ainda instalou pneus menores para matar um pouco do desempenho do Charger para que o Mustang pudesse acompanhá-lo.

A cena levou mais de duas semanas para ser gravada, e tudo foi feito com pilotagem real. Lembra quando o Charger sub-esterça em uma curva e vem deslizando em nossa direção? Ele acertou a câmera de verdade. O mesmo aconteceu com Steve McQueen, que deu uma escapada de frente tão grande que precisou frear e dar a ré — que acabou ficando na edição final.  No fim, as fitas foram reduzidas a uma edição de 9 minutos e 42 segundos sem efeitos especiais nem truques de edição. Até mesmo a trilha sonora se limitou ao ronco dos motores V8. Nunca ninguém havia feito uma cena de perseguição como a de Bullitt.

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Os mais atentos, contudo, conhecem muito bem alguns “problemas” com a continuidade das cenas. O Fusca verde descendo a ladeira, por exemplo, está sempre à frente dos carros e aparece repetidas vezes (e também no vídeo de Silverstone!), assim como o Pontiac Firebird branco e o táxi Galaxie amarelo. Já o Dodge Charger, apesar de ter apenas quatro rodas perdeu dois jogos de calotas durante a cena final. Tudo isso, contudo, tornou-se insignificante diante do resultado final — que rendeu ao editor Frank P. Keller o Oscar de Melhor Edição naquele ano e um lugar na história do cinema e dos muscle cars.

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Mas agora que todos sabemos que o Mustang de Frank Bullitt não seria páreo para pegar os malvados no Dodge, talvez seja uma boa hora para perguntar: de que lado você está? Mustang ou Charger?

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