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Como transformar uma Kombi em um hot rod de uso diário? Com um V8 de 7,7 litros e quase 600 cv, claro!

É fácil ficar admirado com uma Volkswagen Kombi equipada com um flat-six Porsche, por exemplo – ainda que um 911 e uma Kombi sejam dois mundos completamente diferentes, eles ainda têm certas características em comum: a origem de seu motor, o arranjo com a mecânica toda atrás do eixo traseiro e o fato de Porsche e VW serem companhias próximas desde sempre. Dá para entender o transplante de um motor Porsche em uma Kombi como um upgrade natural.

O que não é o caso da Kombi que vamos mostrar neste post, como você já deve ter suspeitado. Sim, aquilo ali no meio é um big block Chevrolet instalado atrás da cabine, algo que os fãs mais ferrenhos da Velha Senhora podem considerar uma total heresia. Mas, uma vez que você abre a cabeça e entende o que está rolando, é difícil ao menos não respeitar o criador deste monstro de Frankenstein por sua ousadia. Até porque o cara é uma figura!

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Seu nome é Mike “Hot Rod” Rowan, e ele é um senhor de cabelos e barba branca, enormes óculos de lentes grossas e um uniforme que consiste em boné, camiseta preta, jeans surrados e botas de couro – o típico redneck. E, para ter o apelido de “Hot Rod”, o cara realmente deve viver para isto.

Foram os caras do canal 1320Video que encontraram Mike em um evento, ao volante desta Kombi 1963 com pintura preta fosca e a marcha lenta embaralhada como a de um muscle car de arrancada. Sempre gargalhando, Rowan conta que encontrou a Kombi abandonada no mato há alguns anos e, que, em questão de seis semanas, a transformou em um hot rod para lá de exclusivo. Vamos dar uma olhada:

Mike conta que o motor veio de um barco, mas não dá mais detalhes a respeito de sua origem. Quanto às especificações, ele também é econômico: o big block de 468 pol³ (7,7 litros) entrega 586 cv aferidos em dinamômetro, mais 150 cv quando recebe uma descarga de óxido nitroso.

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Ele diz que o conjunto mecânico, que inclui uma transmissão GM Turbo 400 automática de três marchas, só foi instalado ali porque, bem, não caberia em nenhum outro lugar (repare como só o motor e o câmbio já ocupam praticamente todo o entre-eixos). O cardã, bastante curto, é conectado ao eixo traseiro com diferencial Ford de 9” vindo de um Lincoln Continental, enquanto o arranjo dianteiro vem de uma Chevrolet Astro Van, com braços sobrepostos e barras de torção. No fim das contas, Mike instalou um sistema de suspensão a ar.

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Com tantas modificações, foi necessário construir um chassi sob medida para a Kombi que, de acordo com Mike, roda todos os dias. Para aguentar o ritmo, foi instalado um tanque de combustível com capacidade para 80 litros, sendo que a perua é capaz de rodar 8 km/l. Fazendo as contas por cima, é uma autonomia de 640 km, o que não é nada mau para um daily driver. Claro, não deve ser fácil lidar com um motor V8 preparado assim no dia-a-dia, mas olhe bem para Mike. Parece que ele está mentindo?

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Além de tudo, ele diz que a Kombi é capaz de cumprir o quarto-de-milha (402 metros) em 12,2 segundos, e que já chegou aos 270 km/h com ela. Não conseguimos evitar a preocupação: sem bancos do tipo concha, gaiola de proteção ou cintos de competição, a cabine da perua só tem mostradores Autometer, um banco traseiro de Chevrolet Cavalier e cintos comuns.

Mike parece não ligar muito para isto, como também não liga para quem diz que ele destruiu um clássico. E também não se preocupa em justificar ou defender sua criação, dizendo apenas que as revistas e sites especializados em Volkswagen não querem mostrar sua Kombi porque ela não tem motor boxer arrefecido a ar. Ele não está nem aí.

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