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Conheça os clássicos de corrida e de rua vendidos pela própria Mercedes-Benz

No início da semana, postamos aqui no FlatOut a notícia de que a Mercedes-Benz começou a vender seus clássicos, de corrida e de rua, através do programa All Time Stars. Através do Museu Mercedes em Stuttgart, são oferecidos carros antigos e usados, que podem ter sido restaurados ou simplesmente preservados pelo tempo — todos eles, no entanto, são vistoriados e aprovados por uma equipe de especialistas.

Agora, chegou a hora de dar uma olhada no que eles têm em seu acervo… e sofrer um pouquinho por não tê-los na garagem, não é?

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A premissa é simples: a Mercedes sabe que há muita gente querendo seus clássicos e, por isso, decidiu dar uma mãozinha com o programa All Time Stars. Funciona assim: alguém que está interessado em vender seu Mercedes antigo entra em contato com o Museu e conta suas intenções. Então, o carro passa por uma vistoria completa para ter seu potencial avaliado.

Dependendo de algumas variáveis — ano de fabricação, estado de conservação, raridade —, o automóvel é encaixado em uma de três categorias: Premium Edition, Collectors Edition e Drivers Edition. O que isto significa? De acordo com a própria Mercedes-Benz:

Categoria A: “Premium Edition” – carros antigos raros, originais e pouco rodados. São veículos que foram cuidadosamente restaurados por especialistas em um Mercedes-Benz Classic Center em Fellbach ou Stuttgart.

Categoria B: “Collectors Edition” – carros que estão em boas condições mecânicas e estéticas. A patina dá a eles uma personalidade especial.

Categoria C: “Drivers Edition” – para quem quer dirigir seu clássico diariamente. São carros que estão em boas condições mecânicas, mas ainda oferecem potencial para restauração.

Parece interessante, não? E fica ainda mais quando você vê os carros que estão à venda. Não são dezenas deles, pois não se trata de uma concessionária, mas de um negócio de nicho — qualidade, nesse caso, é muito mais importante do que quantidade. Até porque não existem muitos Mercedes-Benz CLK GTR-LM por aí, não é?

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Pois sim: uma das preciosidades oferecidas pelo programa All Time Stars é um protótipo de Le Mans — mais precisamente, o carro de chassi #1, que participou dos treinos de classificação para as 24 Horas de Le Mans de 1998, com o brasileiro Ricardo Zonta ao volante.

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Diferentemente dos carros que garantiram títulos para a Mercedes-Benz nas temporadas de 1997 e 1998 do FIA GT, porém, bólido que foi ao circuito de La Sarthe não era equipado com um V12, mas sim um V8. O motor de cinco litros é capaz de entregar 600 cv e é acoplado a uma caixa sequencial de seis marchas. O conjunto é capaz de levar o CLK GTR-LM até os 100 km/h em 2,9 segundos, com máxima de 360 km/h. O valor? Apenas sob consulta — mas vale a máxima: se você precisa perguntar, provavelmente não pode comprar. Obviamente, o carro faz parte da categoria “Premium Edition”.

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Mas é claro que existem opções bem mais em conta, como este Mercedes-Benz 450SEL 6.9. Quem olha para este nobre representante da geração W116 do Mercedes Classe S jamais desconfia que se trata de um verdadeiro foguete. Seu motor V8 M100 de 6,9 litros — derivado daquele usado na limusine ultra-luxuosa 600 Grosser — desenvolvia 290 cv e 55,9 mkgf de torque.

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Aliado a uma caixa automática de três marchas, o V8 era capaz de levar o grande sedã de quase duas toneladas aos 100 km/h em apenas sete segundos, o que é uma bela marca para um carro introduzido há exatos 40 anos. Sendo um “Collectors Edition”, o carro passou por uma restauração completa “e agora está em muito boas condições”. E, sendo um Mercedes antigo, você provavelmente não vai precisar se preocupar com os 112.300 km no hodômetro. O preço? € 70 mil, ou R$ 284 mil em conversão direta.

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Quer algo mais esportivo? Olha o cara aí em cima: um Mercedes-Benz 500 SL R129 1992. O 500 SL era a versão de topo do roadster lançado em 1989, e tinha um V8 de cinco litros e 326 cv — capaz de levá-lo até os 100 km/h em 6,5 segundos. O carro parece novo, e seu preço está marcado como “sob consulta”.

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O serviço começou a ser divulgado no início do mês e, acredite, vários carros já foram vendidos. Por exemplo, este E60 AMG, versão do Classe E W124 equipada com um V8 de seis litros, 381 cv e 59,1 mkgf de torque. Era o bastante para chegar aos 100 km/h em 5,4 segundos com máxima de 250 km/h  (limitada eletronicamente).

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Mais do que isto: este V8 foi baseado exatamente naquele que foi usado no CLK-LM. Além disso, o E60 data de uma época em que a AMG ainda não era a preparadora oficial da Mercedes — as modificações eram oferecidas como pacotes de opcionais e instaladas artesanalmente. Apenas 45 exemplares foram feitos e este aqui, que também foi revitalizado pelo time do Museu Mercedes, foi vendido por € 189 mil (cerca de R$ 770 mil em conversão direta).

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Atualmente, cinco carros estão à  venda. Além do CLK GTR-LM, do 450SEL 6.9 e do 500 SL R129, há um 280SE W116 1973 que foi totalmente restaurado pela própria Mercedes e um clássico de 1929 — o 630 Kompressor, que tem este nome por causa do supercharger em seu seis-em-linha de 6,2 litros e 160 cv. O primeiro tem preço sob consulta, enquanto o segundo custa nada menos que € 850 mil, o que dá cerca de R$ 3,4 milhões.

Vale lembrar que qualquer pessoa, em qualquer lugar do planeta, que tenha um Mercedes antigo bem conservado pode se inscrever para enviá-lo ao Museu Mercedes. Muitos já o fizeram, e há dezenas de carros que ainda não foram revelados, mas já estão sendo preparados para entrar no catálogo.

Não seria incrível se toda fabricante fizesse o mesmo?

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