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Car Culture

Coração mecânico: como uma fabricante de carros ajudou a revolucionar as cirurgias cardíacas

Se você está se perguntando que motor é esse da foto acima, aqui vai a resposta logo de cara: Dodril-GMR. Você provavelmente nunca ouviu falar dele, pois ele nunca equipou carro nenhum. Na verdade, o título da matéria não é uma metáfora: este motor é realmente um coração mecânico. O primeiro deles. E ele tem essa cara de motor V12 por que foi produzido pela General Motors.

Como todos nós sabemos, o coração é a bomba de combustível do corpo humano. Para trocá-la em um carro, você desliga o motor, tira a antiga e coloca a nova. No corpo humano o sangue leva oxigênio para o cérebro e demais órgãos, e sem irrigação não há oxigenação e o órgão para de funcionar. Para fazer a manutenção em nossa bomba de combustível humana, é preciso manter o fluxo sanguíneo constante e independente do coração. Foi assim que surgiu a noção de usar uma máquina para fazer o trabalho do coração enquanto ele fica no conserto.

O autor da ideia foi o dr. Forest Dodrill, um cirurgião do Hospital Harper de Detroit e presidente da Associação de Cardiologia de Michigan. Ele acreditava que seria possível criar uma máquina para substituir temporariamente a função de bombeamento de sangue do coração humano e assim possibilitar as cirurgias cardiovasculares. Na época, a virada da década de 1940 para a década de 1950, vários dispositivos anteriores já haviam sido utilizados em cirurgias em animais, mas ainda havia problemas como a preservação dos glóbulos vermelhos quando o sangue passava pela máquina, ou a coagulação do sangue, infecções e hemorragias, que precisavam ser resolvidos antes de usar um aparelho desses com humanos.

O dr. Dodrill então reuniu-se com sua equipe médica e engenheiros dos GM Research Laboratories para chegar a uma solução. O resultado foi a máquina de circulação extracorpórea Dodrill-GMR, construída pelo GM Research Laboratories e financiado, em parte, pela American Heart Association.

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O coração mecânico Dodril-GMR tinha 25,5 cm de largura, 30,48 cm de comprimento e 43,18 cm de altura, era feito de aço inoxidável, vidro e borracha. Essa máquina circulação extracorpórea usava a pressão do ar e bombas a vácuo para circular o sangue das doze câmaras para o corpo do paciente enquanto a cirurgia cardíaca era realizada. Sim: doze câmaras. É por isso que ele parecia um motor V12.

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A máquina foi usada pela primeira vez em julho de 1952 na cirurgia do imigrante polonês Henry Opitek, que sentia dores no peito e falta de ar. A cirurgia durou 80 minutos e o coração mecânico foi usado por 50 minutos, enquanto os cirurgiões faziam o procedimento na válvula mitral. Opitek viveu por mais 30 anos após a cirurgia. Esse coração mecânico continuou em uso até 1954 quando modelos mais sofisticados apareceram.

O Dodrill-GMR foi o primeiro passo para a criação de órgãos artificias, uma grande revolução na medicina que permitiu uma maior expectativa de vida para muitos pacientes que sofriam de doenças cardíacas. Estima-se que hoje sejam feitas um milhão de operações cardiovasculares com algum tipo de coração mecânico.

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