Edição diária: 18/06/2019
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Duelo do Dia Zero a 300

Croácia vs. França: Rimac C_Two ou Bugatti Chiron? Você decide!

A Copa do Mundo terminou mais cedo do que o esperado para o Brasil – a Seleção foi eliminada pela Bélgica nas quartas de final, como você provavelmente ainda não esqueceu. Hoje é o dia da grande final e a Croácia vai ninguém menos que a França, que levou a melhor sobre o Brasil jogando em casa na final de 1998. Sendo assim, a partida entre Croácia e França que vai rolar neste domingo na Rússia tem certos ares de revanche para os brasileiros.

E nós ficamos inspirados para mais um Duelo do Dia especial!  Do lado dos croatas temos o Rimac C_Two, hipercarro que aposta nos quase 2.000 cv de seus quatro motores elétricos para superar o francês Bugatti Chiron, cujo motor W16 quadriturbo entrega mais de 1.500 cv. Ambos estão entre os automóveis mais rápidos e velozes do planeta, e você só pode escolher um. Qual vai ser?

 

 

Rimac C_Two

A Rimac Automobili é uma companhia recente: foi fundada pelo jovem croata Mate Rimac em 2009 e, em 2010, começou a desenvolver o Concept_One (assim mesmo, com underline). Em março de 2014, no Salão de Genebra, a versão de produção foi apresentada. O que, por si, já é impressionante — não é todo dia que uma fabricante de supercarros surge de repente, promete algo revolucionário e realmente cumpre a promessa. Mas Rimac tem suas credenciais: em 2009, ele começou a converter seu próprio BMW Série 3 E30 para usar um motor elétrico e conseguiu virar menos de 12 segundos no quarto-de-milha. As frequentes exibições do BMW em pistas de arrancada atraíram a atenção de investidores, tornando possível o desenvolvimento de um supercarro.

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O Concept_One foi o carro que estabeleceu a fórmula da Rimac: quatro motores elétricos, um para cada roda, sendo que cada motor é acoplado a uma transmissão individual, de design próprio da Rimac, com as traseiras usando dupla embreagem. De acordo com a companhia, esta é a base de seu sistema de vetorização de torque, que adapta o funcionamento de cada um dos subsistemas de acordo com as condições de rodagem e é capaz de realizar centenas de ajustes por segundo. No caso do Concept_One, os motores produziam 1.241 cv e 163,1 mkgf de torque, e eram capazes de levar o hipercarro de 1.850 kg de zero a 100 km/h em 2,5 segundos, com máxima limitada em 340 km/h. O zero a 200 km/h foi medido em seis segundos, e o Concept_One levava 14 segundos para ir até os 300 km/h.

Em 2016 foi apresentada a versão S, com potência aumentada para 1.384 cv e peso reduzido em 50 kg, além de velocidade máxima de 365 km/h. No total, dez unidades do Concept_One foram feitas, incluindo duas da versão S. E em março deste ano foi apresentado seu sucessor: o C_Two – pouco antes de a Porsche anunciar que estava comprando parte da Rimac.

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O C_Two é o verdadeiro rival do Bugatti Chiron: seus quatro motores elétricos foram recalibrados para entregar, no total, 1.914 cv e 234,5 mkgf de torque. De acordo com a Rimac, com isto o hipercarro é capaz de ir de zero a 100 km/h em 1,97 segundo, ir de zero a 300 km/h em menos de 12 segundos, e chegar aos 412 km/h de velocidade máxima. Seus quatro motores elétricos são alimentados por baterias de íon de lítio, magnésio e níquel, totalizando 6.960 células de energia e potência de 120 kWh.

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Além disso, o Rimac C_Two é um carro autônomo de nível 4. Isto significa que, através de seus sensores de ultrassom, oito câmeras e oito radares (sendo dois a laser), ele conseguirá se conduzir sozinho caso o motorista não assuma o controle quando solicitado – em uma via não mapeada em seu sistema de navegação por GPS, por exemplo – e parar em um local seguro.

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Assim como o Concept_One, o C_Two tem estrutura de alumínio, cromo-molibdênio e fibra de carbono, com carroceria também no material compósito. A Rimac planeja produzir 150 unidades a partir de 2019, começando as entregas em 2020.

 

Bugatti Chiron

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A primeira grande vantagem do Bugatti Chiron sobre o Rimac C_Two é a infraestrutura de sua fabricante – a Bugatti, apesar de nascida na França, hoje pertence à alemã VW. E foi isto que a salvou da falência no fim da década de 1990 – o que seria um fim triste para uma das fabricantes de luxo mais sensacionais do início do século 20.

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Graças à compra pela VW em 1998, a marca Bugatti teve condições de se reinventar como fornecedora de carros de altíssimo desempenho, com tecnologia de ponta e superlativos que só poderiam ser bancados por gente realmente rica. Oito litros, dezesseis cilindros, quatro turbos, dez radiadores, 1.014 cv no Bugatti Veyron, anunciado em 2001. Ele começou a ser fabricado em 2005 e, em dez anos, teve 450 unidades e algumas versões diferentes.

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O Bugatti Veyron estabeleceu a receita seguida por seu sucessor, o Chiron. A silhueta dos dois é semelhante, os dois são construídos sobre monocoques de fibra de carbono e os dois são verdadeiros monumentos ao exagero sobre rodas. O motor do Chiron, lançado em março de 2016 no Salão de Genebra (ao lado do Rimac Concept_One S, aliás), é uma evolução do W16 do Chiron, capaz de entregar 1.500 cv a 6.700 rpm e 163,15 mkgf de torque moderados por uma caixa de dupla embreagem e seis marchas. A força também é levada para as quatro rodas através de um sistema de tração integral permanente com diferencial Haldex, mas no Chiron há a vantagem de mais de dez anos de evolução na engenharia automotiva. De certo modo, o Bugatti Chiron é o “Veyron 2.0”, atualizado e otimizado.

Isto também influencia no modo como ele é percebido pelo público – o Veyron foi o carro que inaugurou o conceito de uma máquina caríssima e cheia de tecnologia para garantir não apenas desempenho, mas status e exclusividade. O Chiron pode ser mais rápido, mais moderno e o mais potente, mas não teve o mesmo impacto que o Veyron. Mesmo com seu desempenho absurdo – 0-100 km/h em 2,4 segundos, 0-200 km/h em 6,1 segundos, 0-300 km/h em 13,1 segundos e 0-400 km/h em 32,6 segundos.

Velocidade máxima? Em tese, 463 km/h. A Bugatti limitou o Chiron a 420 km/h e disse que foi por questão de segurança, pois nenhum pneu fabricado atualmente seria capaz de suportar o esforço na velocidade máxima que o hipercarro, em tese, é capaz de atingir.

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Nem todo mundo simpatiza com o Bugatti Chiron por causa deste exagero proposital. Especialmente porque é perfeitamente possível atingir o desempenho do hipercarro francês com metade dos cilindros, metade dos turbos e metade do deslocamento. Mas é este exagero que dá identidade ao Bugatti. Ele tem sua razão de ser, concordemos com ela ou não.

O caso é que, no contexto deste duelo, o Chiron é o mais old school. Além de sua marca ter tradição (embora a Bugatti original, fundada na França, fosse uma companhia completamente diferente), ele é um carro com motor a combustão interna com sobrealimentação. Não é um híbrido, não é um elétrico, não é um autônomo. E não dá para ignorar toda a engenharia por trás do feito de colocar um carro de 1.998 kg em movimento tão rápido.

Mais do que um duelo de fichas técnicas, este pode ser considerado um duelo de filosofias. Na prática, tanto o Rimac C_Two quanto o Bugatti Chiron estão entre os carros mais rápidos e velozes do mundo e podem ser amados ou odiados por vários motivos. Não é uma escolha muito fácil.

 

Qual deles você prefere?


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