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Cutaways: a literal beleza interior dos carros de corrida

Pode parecer confuso, mas a beleza das coisas nem sempre se baseia na estética delas. O SR-71 “Blackbird” por exemplo, tem uma beleza funcional. São todas aquelas curvas, rebites, paineis metálicos, motores e máquinas que lhe permitem voar a milhares de quilômetros por hora que o tornam um avião tão bonito.

O mesmo acontece com os carros de corrida. Eles não são o tipo de carro que você usaria para chegar a uma festa vestindo black tie em um hotel de Mônaco. Para isso inventaram os Jags, Astons, Ferraris e Alfas. A beleza deles está na poesia mecânica escrita por engenheiros e projetistas para acalentar as leis da física, e que injustamente fica escondida sob a burocrática carenagem. Felizmente, os cutaways estão aí para resolver esse problema e exibir toda a beleza funcional geralmente restrita a mecânicos e projetistas.

Aqui estão 15 modelos de corrida que marcaram época – dos Fórmula 1 da década de 50 aos campeões da Indy dos anos 1980, passando pelos Lancia de rali do Grupo B – em imagens “raio-x” para conhecermos melhor cada detalhe técnico de nossos ícones das pistas.

 

Lancia D50

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Projetado por Vittorio Jano, o Landia D50 foi um carro de Fórmula 1 que estreou na temporada de 1954 com o bicampeão italiano Alberto Ascari. Era um carro muito rápido e logo na primeira corrida Ascari conseguiu a pole. Era um carro bastante inovador, com características então pouco vistas, como o motor usado como componente estrutural e os tanques de combustível achatados na lateral para reduzir peso e melhorar a aerodinâmica. Contudo, problemas na embreagem o forçaram a deixar a corrida na décima volta.

Em 1955, depois da morte de Ascari, a Lancia passava por problemas financeiros e foi vendida para a Ferrari, que o rebatizou como Ferrari D50. Em 1956, Juan Manuel Fangio conseguiu seu quarto título com o D50.

 

McLaren M26

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O McLaren M26 foi projetado em 1976 pelo xará menos conhecido de Gordon Murray, Gordon Coppuck, e sua missão era ser mais leve e ágil que seu antecessor, o M23. Apesar disso, James Hunt, piloto principal da equipe naquele ano, detestava o carro — que não era ruim, mas também não era dos melhores. De qualquer forma, depois de apanhar bastante do piloto britânico, o carro o ajudou a conseguir três vitórias e dois pódios na segunda metade da temporada de 1977.

 

March-Porsche 90P

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Além de ser um dos mais bonitos carros a correr na Formula Indy, o March 90P foi construído para um cliente muito especial: a Porsche. O projeto era específico para a equipe em uma de suas poucas aventuras pelas corridas de monopostos, e era movido por um V8 de 2,65 litros com 90° de separação entre os cilindros e 725 cv a espetaculares 12.500 rpm. Pena que não era um carro muito bom, terminando em 8º na Indy 500 de 1990.

 

McLaren M19C

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Projetado para a temporada de 1971, o M19A tinha um sistema de suspensão dianteira com amortecedores inboard e dois dos seus três tanques de combustível posicionados ao lado do cockpit sob uma protuberante “barriga”, o que lhe rendeu o apelido de “carro jacaré”.

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Um jacaré que comeu demais

Para 1972, o sistema de suspensão foi trocado por outro, mais convencional.

 

 

Ferrari 330 P4

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A série de protótipos “P” da Ferrari certamente tem alguns dos carros de corrida mais belos já feitos no mundo, e a 330 P4 é o mais bonito de todos para muita gente. Foi feita para competir em Le Mans em 1967, mas todos sabemos que seu V12 de quatro litros, 36 válvulas e 450 cv não foi páreo para o Ford GT40, que levou o segundo de seus quatro títulos consecutivos para casa naquele ano. Um detalhe interessante é o radiador instalado no recorte do bico (como muitos carros de corrida com motor-central traseiro), além da posição do câmbio, que como em um monoposto, fica pendurado atrás do eixo traseiro.

 

Penske PC17

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O Penske PC17 faturou o título da Fórmula Indy, em 1988 (seu ano de estreia) com Danny Sullivan ao volante. Boa parte de seu sucesso se deve ao motor Chevrolet V8 265 que, como o nome sugere, deslocava 2,65 litros, e foi um dos mais bem-sucedidos da história da Indy, vencendo 64 das 78 corridas que disputou entre 1987 e 1991.

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O carro que venceu a Indy 500 naquele ano, porém, foi pilotado por Rick Mears e tinha pintura amarela da Pennzoil. E, sinceramente, não sabemos qual dos dois é o mais bonito…

 

Nissan R89C

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Criado para competir no WSC em 1989, o Nissan R89C era movido por um V8 biturbo de 3,5 litros e pelo menos 950 cv. Apesar da cavalaria monstruosa, porém, o carro não era muito confiável e só marcou pontos em três das oito corridas, ficando apenas na quinta colocação. Você pode ler mais sobre a Nissan no WSC aqui!

 

Ferrari 250 Testa Rossa, ou simplesmente TR

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Esta ilustração deixa a mostra a origem do nome deste que é um dos mais bonitos protótipos do planeta: os cabeçotes com tampa vermelha do motor V12 de três litros acoplado a uma caixa manual. Foi com uma 250 TR que Olivier Gendebien e Phil Hill venceram as 24 Horas de Le Mans de 1958.

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O carro acima é a primeira versão da 250 Testa Rossa, que tinha os para-lamas visivelmente separados da carroceria e era conhecida como “Pontoon”.  Essas duas imagens ilustram claramente a posição central-dianteira do V12, que fica totalmente atrás do eixo dianteiro.

 

Maserati 8CTF

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As fotos de época não mostram o belo bordô da carroceria do Maserati 8CTF, que estreou em 1938, pouco antes do estouro da Segunda Guerra Mundial. Naqueles tempos sombrios, o 8CTF foi um carro bastante inovador, com um V8 de três litros com um sistema de alimentação para cada bancada de cilindros e um compressor mecânico que garantia respeitáveis 365 cv, um número muito alto para a época. Contudo, não foi o bastante para uma trajetória brilhante no automobilismo, participando de pouca corridas e totalmente ultrapassado ao final do conflito.

 

March 711

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Equipado com motores V8 de três litros da Cosworth e da Alfa Romeo, o March 711 seria mais um carro esquecido na história da Fórmula 1, com um terceiro lugar no GP do Canadá de 1970 sob o comando de Chris Amon, não fosse um detalhe: sua asa dianteira presa à parte de cima do nariz. Plana e avantajada a peça deu ao 711 o merecido apelido de “bandeja de chá” (tea-tray).

 

Aston Martin DBR1

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Este cara aí em cima é responsável por nada menos que a única vitória da Aston Martin nas 24 Horas de Le Mans, em 1959. Equipado com um seis-em-linha em um grid dominado por motores em V, o DBR1 só precisou de 250 cv para conseguir uma dobradinha na corrida mais desafiadora do mundo. Quem ficou na ponta? Um texano chamado Carroll Shelby.

Apesar da carroceria aparentemente comum, ele usava chassi tubular em treliça, e como muitos carros de corrida de sua época, tinha motor central-dianteiro.

 

Maserati 250F, chassi nº 2528

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O Maserati 250F foi construído em meados da década de 1950 e disputou, ao longo de seis anos (1954-1960), 46 corridas valendo pontos para a Fórmula 1 e venceu oito delas. O exemplar retratado acima, de chassi nº 2528, tem entre-eixos mais curto (2.240 mm em vez de 2.280 mm), mas o mesmo V12 de três litros empregado nos outros carros daquele ano.

 

Lotus 95T

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A bela pintura preta com letras douradas da John Player Special do Lotus 95T, de 1984, esconde um V6 de 1,5 litros que, equipado com um turbocompressor, entregava impressionantes 811 cv (ainda mais se levarmos em conta o peso de apenas 540 kg do carro com chassi do tipo colméia feito de Kevlar). Apesar de ter um dos motores mais potentes e confiáveis do grid, o 95T era beberrão demais, o que comprometeu seu desempenho nas corridas. Suas duas pole positions, porém, não negam o potencial do primeiro carro totalmente novo da Lotus F1 em quatro anos (o último havia sido o Lotus 88, de 1981).

 

BMW 3.0CSL “Batmóvel”

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Não nos surpreendemos com o fato de o BMW 3.0CSL, conhecido como “Batmóvel” por seu intrincado conjunto aerodinâmico, ser tão bonito por dentro quanto por fora. O coração do bólido que dominou o Campeonato Europeu de Turismo entre 1975 e 1979 é um seis-em-linha de pelo menos 3,2 litros e 340 cv, com comando simples no cabeçote e injeção mecânica Kugelfischer.

 

Ford GT40

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Abrindo e fechando este belo apanhado de “radiografias” de carros de corrida, temos o Ford GT40, e os cutaways deixam expostas todas as características que fizeram dele um vencedor: motor V8 potente e confiável, aerodinâmica impecável e um interior que é o escritório perfeito para quem vive de chegar em primeiro — no caso, nomes como Bruce McLaren, Dan Gurney e Jacky Ickx. Na primeira imagem, a que abre o post, é possível ver uma característica peculiar do GT40: embora tenha o volante na direita, o câmbio foi mantido à esquerda dos pilotos, na soleira da porta.

 

 

 

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