Edição diária: 15/06/2019
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Car Culture

Das telas para as pistas: grandes atores que também são bons pilotos

No começo da semana contamos a história de como uma preparação para interpretar um piloto de Fórmula 1 transformou o ator James Garner em um gearhead e grande piloto de corridas. Ele talvez tenha sido o primeiro, mas logicamente não foi o único. Depois dele, vários outros atores com um pouco de gasolina nas veias se aventuraram nas pistas sem fazer feio. Aqui estão os dez mais famosos deles.

 

Paul Newman

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Assim como James Garner, Paul Newman pegou gosto pelo automobilismo quando se preparava para um filme — nesse caso, 500 Milhas de Indianápolis (Winning – 1969). Newman foi para a escola de pilotagem de Watkins Glen e conta que o automobilismo foi “a primeira coisa que ele achou que tinha jeito para fazer”.

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E tinha mesmo. Paul Newman foi o mais bem-sucedido dos atores pilotos. Em 1972 ele participou de sua primeira corrida profissional do SCCA e até o fim da década venceu quatro títulos do campeonato. Enquanto isso, ele também disputou as corridas da Trans-Am pela equipe do piloto Bob Sharp (que não é o jornalista brasileiro) a bordo dos Z-Cars da Datsun, e em 1979 Newman disputou as 24 Horas de Le Mans com o Porsche 935 de Dick Barbour e chegou em segundo lugar geral.

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Ainda nos anos 1970, ele fundou a Newman Freeman Racing, sua primeira equipe de corridas, e se tornou chefe de equipe, conseguindo bons resultados com seus esporte-protótipos na Can-Am, chegando ao título da categoria em 1979. Pela equipe passaram nomes como Keke Rosberg, Teo Fabi, Patrick Depailler e Bobby Rahal.

Mais tarde, em 1983, ele juntou-se ao campeão da Champ Car/CART Carl Hass para criar sua segunda equipe, que também se tornou a mais famosa: a Newman/Haas Racing. Sob o controle da dupla, a equipe faturou quatro títulos de pilotos com Mario Andretti, Michael Andretti, Nigel Mansell e Cristiano da Matta.

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Em 1995, aos 70 anos e oito dias, ele se tornou o piloto mais velho a vencer uma corrida de categoria profissional, nas 24 Horas de Daytona daquele ano, e continuou ativo nas pistas até o começo da década passada. Em 2006, aos 81 anos, Newman alinhou no grid pela última vez nas 24 Horas de Daytona daquele ano, menos de dois anos antes de sua morte.

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James Garner

O inspirador desta lista aprendeu a pilotar durante os preparativos para as gravações de Grand Prix. Ele frequentou a escola de Carroll Shelby e gravou as cenas de ação com os carros de F3 usados no filme. Depois, criou uma equipe de corridas chamada American International Racers em 1967 e com ela disputou as 24 Horas de Daytona de 1969.

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A equipe de Garner ainda inscreveu carros em Le Mans, Daytona e Sebring entre 1967 e 1969 e também fez um acordo com a AMC para preparar SC/Ramblers para a Baja 500. O próprio Garner disputou o rali mexicano em 1969 e 1970 com um Oldsmobile 442 (!).

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Depois de abandonar as competições, Garner ainda pilotou o pace car da Indy 500 em 1975, 1977 e 1985 e não largou as pistas. Ele tinha até mesmo um IndyCar com três lugares, construído especialmente para levar seus amigos em suas voltas rápidas pelos circuitos americanos.

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Nas telas, além de Grand Prix, Garner também gravava as cenas de perseguição na série “Arquivo Confidencial” (Rockford Files), na qual fazia o papel de um detetive chamado Jim Rockford, que dirigia um Pontiac Firebird Esprit.

 

Steve McQueen

Steve McQueen era um gearhead nato. Sempre que tinha a oportunidade de pilotar em seus filmes, ele dispensava os dublês e fazia tudo por conta própria — ao menos o que a seguradora do estúdio o deixasse fazer.

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Entre suas cenas mais famosas estão a fuga da prisão nazista de “Fugindo do Inferno” (The Great Escape – 1962)  e partes da perseguição de “Bullitt” (1968). Ele ainda atuou em “24 Horas de Le Mans” (Le Mans – 1971) pilotando pra valer um dos Porsche 917 vistos no filme, mas não disputou a corrida por ter sua inscrição recusada.

Fora das telas, McQueen era um colecionador de carros, tendo algumas Ferrari — a mais famosa era a 250 Lusso marrom, que ganhou de presente de aniversário de sua esposa — e um Jaguar D-Type 1958 de Le Mans adaptado para as ruas. O gosto pelos carros era tanto que ele chegou a considerar uma carreira paralela como piloto. McQueen participou de uma etapa do BTCC em Brands Hattch em 1961 com um Mini, chegando em terceiro lugar.

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Em 1970, ele dividiu um Porsche 908/2 com Peter Revson nas 12 Horas de Sebring de 1970 e, mesmo usando uma tala no pé esquerdo, venceu a categoria de três litros e chegou em segundo lugar geral, apenas 23 segundos atrás da Ferrari 512 S de cinco litros de Mario Andretti, Ignazio Giunti e Nino Vaccarella.

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McQueen ainda competiu em eventos de motociclismo off-road. Sua primeira moto foi uma Triumph 500 e com ela participou do Baja 1000. Em 1964 ele representou os EUA com uma Triumph TR6 Trophy no International Six Days Trial (Desafio Internacional de Seis Dias).

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James Dean

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Repetindo um clichê, James Dean viveu rápido e morreu jovem. Ele tinha apenas 24 anos quando sofreu um acidente fatal com seu Porsche 550 “Little Bastard” a caminho de um evento em Salinas, na Califórnia. A corrida seria apenas mais uma de uma curta carreira que durou menos de um ano.

Em 1954, um ano antes de sua morte, James Dean comprou um MG TD e pegou gosto pelos esportivos. Em 1955 ele trocou o MG por um Porsche Super Speedster e disputou um evento de dois dias em Palm Springs (acima) com o carro em março daquele ano, vencendo a classe de novatos no sábado e chegando em segundo na corrida principal, realizada no domingo.

Ele ainda correu com o Speedster em Bakersfield dois meses mais tarde, chegando em terceiro lugar geral e vencendo sua categoria. A última corrida disputada por Dean foi em Santa Barbara, no dia 30 de maio de 1955. Ele largou na 18ª posição e chegou a ficar em quarto, mas uma troca de marcha errada fritou um pistão.

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A Warner Bros. solicitou que Dean não disputasse corridas durante a produção de “Assim Caminha a Humanidade” (Giant – 1955), obviamente temendo um acidente com o astro. Após as gravações, Dean voltaria a correr, mas a caminho do evento sofreu o acidente que o matou aos 24 anos.

 

Patrick Dempsey

Você deve tê-lo conhecido como um entregador de pizzas que fazia a festa das/nas mulheres solitárias, ou talvez como um nerd que tentou alugar uma namorada, mas Patrick Dempsey faz questão de dizer que sua carreira nas pistas é tão importante para ele quanto sua carreira no cinema.

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Ele começou aos 2004, aos 38 anos, em eventos amadores nos EUA, e depois tornou-se sócio da equipe Vision Racing na Indy. Em 2009 já estava alinhando uma Ferrari F430 GT nas classe GT2 das 24 Horas de Le Mans, prova que terminou em nono na categoria. Em 2011 Dempsey participou das 24 Horas de Daytona com um Mazda RX-8 e chegou em terceiro lugar na classe GT.

Desde então, Dempsey criou sua própria equipe, a Dempsey Racing, e sempre que pode participa das 24 Horas de Le Mans, como fez nas últimas duas edições. Em 2013 ele pilotou um 997 GT3 RSR e chegou em quarto lugar na GTE Am, e em 2014 ele foi com um 911 RSR, chegando em quinto na GTE Am.

 

Tim Allen

Aposto que você nunca imaginou que Tim Allen fosse um cara ligado aos carros, mas ele na verdade é um grande gearhead, do tipo que coleciona carros e assiste a corridas no paddock.

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Na verdade ele é tão fanático que em 1995 ele decidiu ir além do culto aos carros e entrou na escola de pilotagem de Skip Barber e de Bob Bondurant e depois juntou-se a Steve Saleen para formar a Saleen/Allen Speedlab Racing.

Pela equipe, Allen disputou o SCCA World Challenges e as 24 Horas de Daytona de 1997 — esta com dois Mustang Saleen diferentes — e terminou em 58º e 60º. Depois disso ele parece ter desistido das pistas, mas a paixão por carros continua firme como sempe.

 

Eric Bana

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Eric Bana é um gearhead e piloto desde antes de se tornar um ator famoso mundialmente. Aos 14 anos, ele tentou deixar a escola para trabalhar como mecânico de carros, mas foi convencido por seu pai a terminar os estudos. No ano seguinte, ele comprou seu primeiro carro, o Ford Falcon XB (ou Félcon, como ele fala) e o preparou para competir na Targa Tasmania de 1996.

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Mais recentemente, já famoso, ele comprou um Porsche 944 para competir no Porsche Challenge australiano, evento que participa com frequência, atualmente com um 911. Em 2007 ele decidiu restaurar seu Falcon XB para voltar ao Targa Tasmania, mas acabou batendo o carro. A história é contada no documentário Love the Beast (obrigatório para os leitores do FlatOut!). 

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Depois do Targa Tasmania, Bana ainda disputou duas edições das 12 Horas de Bathurst com um Lancer Evo em 2009 e 2010. Em 2014 ele tentou participar da prova novamente, mas não conseguiu devido aos seus compromissos profissionais.

 

Gene Hackman

Hackman foi mais um dos atores que dispensou dublês em cenas de ação. Em “Operação França” (The French Connection – 1971), por exemplo, foi possível gravar vários takes da perseguição de dentro do carro, sem a necessidade de esconder o rosto do motorista (ainda que as manobras mais perigosas tenham sido gravadas pelo dublê Bill Hickman).

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Mais tarde, no fim dos anos 1970, Hackman chegou a competir na Formula Ford americana e em 1983 ele participou de algumas etapas do campeonato da IMSA, incluindo as 24 Horas de Daytona, pela equipe de Dan Gurney com um Toyota Celica.

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Jason Priestley

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Depois do fim de Barrados no Baile, Jason Priestley decidiu ocupar seu tempo pilotando carros. Ele começou com um Toyota Celica All-Trac ST 185 na Pro Rally do SCCA e foi comentarista da Indy no canal de TV ABC. Ainda durante os anos 1990 ele disputou outras categorias da SCCA com um Mustang Cobra R (que era vendido apenas a pilotos profissionais) e participou do primeiro Gumball 3000 com um Lotus Esprit V8.

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Priestley estava tentando ingressar na Indy quando sofreu um gravíssimo acidente em 2002, batendo de frente com um muro de concreto a mais de 290 km/h.

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Ele precisou de várias cirurgias de reconstrução facial e, embora tenha se recuperado perfeitamente, o acidente acabou com sua carreira de piloto. Ele ainda foi sócio-proprietário de uma equipe da Indy, a Rubicon Race Team, que mais tarde tornou-se a FAZZT e, indiretamente, a Sam Schmidt Motorsports.

 

Tom Cruise

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Antes de se tornar Cole Trickle em “Dias de Trovão” (Days of Thunder – 1990) tentou se aventurar nas pistas inspirado em Paul Newman. Foi o próprio Newman que o colocou nas pistas, a bordo de um Nissan 300ZX na categoria GT3 da SCCA em 1988. Cruise tinha talento ao volante, tanto que chegou a vencer uma corrida em Road America naquela temporada.

Apesar disso, a carreira de Cruise nas pistas foi curta devido ao seu estilo agressivo de pilotagem, segundo conta seu instrutor de pilotagem na época, Roger French. Cruise não era muito afeito às dicas de French e também não era muito bom em conservar o carro ao longo das corridas, pilotando sempre como se pudesse definir as corridas nas primeiras voltas. Uma amostra disso, está em sua volta cronometrada com o Kia C’eed em Top Gear.

 

Paul Walker

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Depois de ser alçado à fama mundial no papel de Brian O’ Conner em “Velozes e Furiosos” (Fast & Furious – 2001), Paul Walker tornou-se um fã de carros a ponto de abrir uma oficina de preparação — a Always Evolving — e passou a participar de provas de time attack na Califórnia a bordo de um BMW M3 E92.

Além do Redline Time Attack, Walker também disputava o Pirelli World Challenge Series — categoria na qual também corria Roger Rodas, seu sócio na Always Evolving. A dupla mantinha uma bela coleção de esportivos na oficina/preparadora, dentre os quais estava o Porsche Carrera GT em que Walker e Rodas morreram.

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