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Project Cars #53

De mão em mão: a história do Jaguar Mark VII de José Curado

Olá galera! Meu nome é José Curado, e sou o doido número 53 do Project Cars do FlatOut. Tenho 23 anos, sou formado em TI, mas atualmente trabalho no setor sucroalcooleiro.

Minha história com carros começa desde que me entendo por gente – ou até antes disso, já que meu pai e avô paterno também são gearheads de primeira. Para vocês terem uma ideia do drama, quando eu ainda era bebê, minha mãe descobriu que eu dormia mais fácil no carro que no berço. Por causa disso, ela passava horas com o Monza da família funcionando na garagem aberta, quase todo dia, enquanto eu tranquilamente dormia no banco traseiro – meu pai passou um tempão sem entender o consumo de menos de 2 km/l do carro!

Lembro até hoje do dia em que estava viajando com meus pais, com uns quatro anos de idade, e ganhei uma caixa que continha umas 30 miniaturas da Maisto, daquelas em escala similar aos dos Hot Wheels. Dentre todos, havia um carro prata, meio futurista e de design invocado, que logo me chamou atenção. Perguntei para o meu pai que carro era: um Jaguar XJ220. Nascia aí minha paixão pela Jaguar. À medida em que fui crescendo, tive pouco contato com a marca, mas ela seguiu sendo minha favorita.

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Para vocês entenderem melhor minha filosofia sobre automóveis, para mim carro não tem idade: existem apenas carros bons e carros ruins. Bem, alguns muito bons e outros muito ruins também… Meu gosto é bastante eclético – gosto de caminhonetes, de SUVs, de muscle cars, de esportivos, mas para o dia a dia mesmo, eu gosto é de barca. Sou fanático pelos Crown Vics, Impalas, Dodjões e é claro, os grandes sedãs da Jaguar.

 

O Jaguar Mark VII

No Pós-Guerra a Jaguar, assim como a maioria dos fabricantes europeus, retomou a produção com um modelo do pré-guerra, os sedãs 1½ Litre, 2½ Litre e 3½ Litre de 1935, que eram o mesmo carro com diferentes motorizações. Em 1948 veio o Mark V, que ainda tinha bastante das linhas do modelo anterior. O interessante é o nome, já que não nunca existiram os Mark I, II e III. Pela referência criada, a geração anterior passou a ser chamada de Mark IV.

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Em 1951 chegou seu sucessor, o Mark VII (fotos acima). Não, eu não errei a conta: como já havia o Bentley Mark VI no mercado, a Jaguar optou chamar seu novo sedã de Mark VII. Pois bem, o novo modelo possuía um design moderno e fluido, e foi o segundo modelo a empregar a mecânica do XK120, um motor com seis cilindros em linha de três litros e meio e 160 bhp, suficientes para levar o grandalhão de quase 5 metros e 1.700 kg aos 100 km/h em 13,7 segundos, com velocidade final superior a 160 km/h. Nada mal para os anos 50.

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O Mark VII foi um modelo de sucesso da marca, vendendo 30.969 carros até 1956. Os sucessores Mark VIII e Mark IX seguiram sem grandes alterações até a chegada do Mark X em 1961 (foto acima), que foi o último a seguir essa nomenclatura.

 

O meu Mark VII

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Há alguns anos fiz amizade com um engenheiro que é um grande gearhead, além de piloto amador. Ele também é fã dos Jags desde criança e já teve muitos modelos como XK120, XJ6, XJ8 e E-Type. Há mais de 30 anos, enquanto andava por São Paulo, ele viu um Mark VII preto sendo colocado em cima de um guincho. Rapidamente ele parou e foi perguntar o que iriam fazer com o carro. A dona ficou muito surpresa com um jovem bem vestido se interessando por aquela velharia, e prontamente respondeu: “se o senhor pagar o guincho ele é seu!”.

Assim meu amigo mandou o velho sedã para a sua fazenda. Na época, ele tinha um XK120 e o E-Type que tem até hoje, e o Mark VII acabou servindo de doador de peças (os três usam o motor XK). Ele tinha a ideia de restaurá-lo, mas como sua preferência é pelos esportivos, o velho Mark VII foi ficando de lado. Para deixar sua situação mais deprimente, um episódio pra lá de infeliz aconteceu: um funcionário da fazenda, achando que se tratava de ferro velho, empurrou o Jaguar com seu trator, causando o grande estrago no para-lamas esquerdo, que é pior ponto do carro.

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Os anos passaram e o velho Jaguar ficou até bem preservado, já que sempre ficou em espaço coberto. Sempre que o via, chamava a atenção do meu amigo por deixar aquela raridade abandonada, até que um dia ele me disse: “você quer tanto reformar esse carro, leve ele para você!”. Assim acabei comprando o carro por um valor simbólico, e no dia seguinte, 16 de dezembro de 2013, ele já estava sendo descarregado na minha casa.

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No meu próximo post vou contar sobre o que já fiz no carro, e meus planos para fazer o felino voltar a rugir como em seus dias de glória – até lá!

 

Por José Curado, Project Cars #53

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[ Créditos Fotos adicionais: Mercurycarlover @ Flickr (interior Jaguar), Dean Richie @ Flickr (Jaguar branco) ]