A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture Dunlop

De Suzuka a Le Mans: os desafios das curvas Dunlop ao redor do mundo

dunlopabrecurvas2

Nürburgring, Suzuka, Tsukuba, Fuji Speedway, Mondello Park e, claro, Le Mans. O que estes seis circuitos históricos espetaculares possuem em comum, além de o fato de serem tradicionais locais de peregrinação de petrol heads de todo o mundo? A resposta está no título: a Dunlop batizou em todos estes traçados ao menos uma curva marcante com o seu nome – e há todo tipo de desenho: chicanes, cotovelos, variantes de raio constante e curvas de altíssima velocidade.

Neste post vocês irão descobrir os detalhes e os desafios técnicos destes trechos ao redor do globo: aperte os cintos, aumente o volume e prepare o seu pescoço para a força G lateral!

 

Nürburgring: Dunlop-Kehre

O complexo de Nürburgring é uma verdadeira Meca para os fãs de autódromos desafiadores – quem é o fanático por carros que nunca sonhou em acelerar nos mais de 20 quilômetros de Nordschleife, o monstruoso autódromo construído na década de 1920 ou que não se impressionou com o desempenho de Ayrton Senna na corrida de inauguração do traçado moderno (conhecido GP Strecke) a bordo de um Mercedes-Benz 190E 2.3-16?

A Dunlop-Kehre (curva Dunlop, em alemão) faz parte do GP Strecke e é um dos pontos favoritos tanto do público quanto dos fotógrafos – as imagens abaixo dispensam maiores explicações. Trata-se de uma longa curva de 180º à direita, com aproximação em forte descida (um bom ponto de ultrapassagem para carros de turismo) e que faz a ligação com a parte rápida do circuito.

dunlop1nurb

Embora pareça simétrica, tanto a Dunlop-Kehre quanto a forma mais veloz de contorná-la são assimétricas: note o rastro dos faróis e lanternas na foto acima. A longa descida que a antecede forma um arco para a esquerda – no momento mais forte da freada, traça-se uma linha reta, o que faz o carro cortar o traçado e entrar na curva pelo centro da pista (e não pelo lado de fora, como levaria a pensar o senso comum). O piloto começa a aliviar o pedal do freio enquanto começa a esterçar para a curva – e, desta forma, é possível prolongar a frenagem até quase a metade da Dunlop-Kehre. Como em toda curva longa, há um certo dilema sobre o momento e a intensidade de voltar a pisar no acelerador – muito cedo e a frente espalha; muito tarde e repentino e a traseira é que escorrega.

Para visualizar o parágrafo acima a bordo de nada menos que um Dodge Viper de corrida, assista ao vídeo a seguir (caso queira, adiante diretamente para 1:32).

Ah! Por ser uma curva muito longa e com velocidade de contorno relativamente baixa, ela também é prato cheio para pilotos de track days que gostam de derrapar de lado em dias chuvosos.

 

Suzuka: Dunlop Curve

O autódromo de Suzuka é parte integrante da história da Fórmula 1 e da carreira de Ayrton Senna: é o local onde ele conquistou os seus três títulos mundiais na categoria e onde foram filmados os seus vídeos a bordo do Honda NSX, carro que ele ajudou a desenvolver os ajustes dinâmicos. Com 5,8 km, muita variação topográfica e um traçado absolutamente técnico, fluido e veloz; Suzuka é uma das pistas favoritas dos pilotos e entusiastas em todo o mundo, ao lado de outros mitos como Spa-Francorchamps, Brands Hatch e Laguna Seca.

dunlopcurvesuzuka1

A Dunlop Curve de Suzuka é a cereja do bolo que encerra o primeiro trecho da pista, os famosos Esses. Trata-se de uma curva extremamente longa à esquerda, com dois pontos de tangência e que se inicia em subida, mas termina em um suave declive. Esta transição de relevo deixa a saída da primeira parte absolutamente cega; fazendo da Dunlop Curve um trecho no qual os pilotos mais ousados e técnicos conseguem ganhar bastante tempo. Sua entrada também é complicada, pois os carros chegam desequilibrados da última perna dos Esses.

Para mostrá-la, ninguém melhor do que Ayrton Senna. Pegue uma carona a bordo do Honda NSX: a Dunlop rola entre 1:27 e 1:41 do vídeo abaixo – e fique atento ao contraesterço na saída da primeira perna!

 

Le Mans: Dunlop Curve e Dunlop Chicane

Com mais de 100 anos de história – a primeira edição rolou em 1923, 35 anos após a fundação da Dunlop Tyres –, a corrida de 24 Horas em Le Mans é a prova mais tradicional do automobilismo de endurance (o FlatOut esteve lá neste ano – confira nosso especial de Le Mans clicando aqui!).

A Dunlop Curve de Le Mans é o local onde nasceram duas tradições da Dunlop: a de batizar curvas em autódromos e a de construir os enormes arcos que simulam um pneu gigante enterrado, obras que acabam se tornando parte integrante da paisagem dos circuitos (falaremos destas pontes em breve).

dunloplemans1

A Dunlop Curve de Le Mans, uma variante de altíssima velocidade à direita que inicia os atuais 13,62 km do circuito que mescla um autódromo e as rodovias da região, nasceu em 1951. Atualmente, os protótipos mais velozes a contornam a 270 km/h (!). Contudo, a sua sequência sofreu modificações ao longo das décadas: em 1987 nasceu a Dunlop Chicane, um “S” de baixa velocidade instalado algumas centenas de metros após a Dunlop Curve, com o intuito de reduzir a velocidade para o trecho seguinte. Em 1987, em 1997, em 2002 e em 2006 a sequência de curvas sofreu sutis modificações, com o intuito de se aumentar a área de escape e deixar o local mais seguro. Caso queira ler um guia completo com o traçado de Le Mans, clique aqui.

0lemansaereabarata-22

São poucos os autódromos que atualmente possuem curvas tão velozes. Ao lado da Blanchimont de Spa-Francorchamps, da 130-R de Suzuka e da The Chase no autódromo australiano de Bathrust, a Dunlop Curve de Le Mans faz parte dos trechos que separam os meninos dos homens.

Veja como era a curva em 1956 (aos 54 s) com o Jaguar D-Type de Mike Hawthorn…

…em 1977 (aos 6 s), com o Porsche 936 de Jürgen Barth…

…e hoje em dia, com o modelo que venceu as 24 Horas de Le Mans deste ano: o Audi R18!

 

Tsukuba: Dunlop Corner

Misture o nanismo do oval Bristol Motor Speedway, o desafio de curvas apertadas e agressivas de Oschersleben e dê uma pitada do tempero kamikase dos street racers japoneses: eis alguns dos temperos que fazem de Tsukuba um dos autódromos favoritos dos entusiastas. Com ínfimos 2 km de extensão e 14 (!) curvas, Tsukuba é um dos berços da cultura do track day, graças aos mitológicos eventos de Time Attack, que concentram carros de corrida e de rua (com equipamentos de segurança de pista) em disputas de voltas lançadas pelo melhor tempo.

r34_02_1280-768

Um dos melhores representantes de Time Attack é o monstruoso Lancer Evo IX da Tilton Interiors Racing (vídeo abaixo), com motor Cosworth de 2,2 litros e 850 cv casado a um câmbio sequencial Holinger de seis marchas. A Dunlop Corner rola aos 5 minutos do vídeo. Cuidado para não perdê-la de vista!

A curva Dunlop de Tsukuba é relativamente fácil, mas é muito importante para o tempo de volta. Trata-se de uma perna de 90º à direita, que faz ligação com um trecho veloz (curvas 8 e 9). O desafio ali é tentar acelerar ao máximo sem se adiantar demais e espalhar na saída.

dunloptskuba

 

Fuji Speedway: Dunlop Corner 15R

O autódromo de Fuji ficou novamente famoso ao público por ter sediado a última prova do campeonato de 1976 (a primeira corrida de Fórmula 1 disputada no Japão), representada no épico filme Rush – que reconta a rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda (vídeo abaixo). Infelizmente, a festa durou apenas dois anos: em 1977, um trágico acidente envolvendo Gilles Villeneuve e Ronnie Peterson (uma combinação que não tinha como dar certo) acabou resultando na morte de dois espectadores e um hiato de 30 anos sem Fórmula 1 no circuito.

A curva Dunlop 15R do Fuji Speedway é um grampo para a direita após um trecho de alta velocidade na parte norte do traçado. O “15R” descreve o raio da variante em metros – ou seja, é pra lá de apertado. Pegue uma carona com Kimi “so gimme more power!” Raikkonen nos 4,5 km do autódromo e fique atento aos 44 s:

Como você pode ver, há uma versão de pouco menos de 90º desta curva, que é feita para categorias de acesso e algumas provas de motociclismo.

 

Mondello Park: Dunlop Curve

O autódromo irlandês Mondello Park é como aquele pub escondido e meio obscuro:  não é todo mundo que conhece, alguns já ouviram falar, mas quem já o provou (nem que seja virtualmente – caso do simulador GT Legends ou do game Need For Speed: Pro Street), se encanta na hora e vira frequentador assíduo. Pense em uma versão mais longa e com mais área de escape de Tsukuba e você acaba de descobrir o básico de Mondello Park – que também é conhecido por sediar provas de carros clássicos e preparados, competições de drift, de kart, do campeonato britânico de turismo (BTCC) e corridas de categorias amadoras e de acesso. Coração grande, este…

Mondello-Park-8I

A Dunlop Curve de Mondello Park é a última do autódromo. É uma longa curva de pouco menos de 180º à direita, que tanto serve como ponto de ultrapassagem como também define as ultrapassagens que ocorrerão no fim da reta dos boxes. Veja o caos que é uma corrida de BTCC disputada no estreito autódromo irlandês (a Dunlop Curve aparece entre 1:17 e 1:33):

Já que falamos no GT Legends, por que não matar as saudades deste belo simulador (se você nunca experimentou, corra atrás dele agora mesmo)? Veja a Dunlop Curve logo no começo do vídeo.

Da mesma forma que a Dunlop-Kehre de Nürburgring, o raio longo e constante da Dunlop Curve de Mondello Park serve um prato delicioso aos pilotos e fãs do drifting!

7759789190_ed0fa7aece_b
11211572133_7f6fd036dd_b
3937089869_70082bd59e_o

[ Fotografias: Tom Banks (destaque) / DR – Archives ACO  / Nagisa-Auto /Jamie Harbour / Kevin Balanda / PDXa4 (Devian Art) / FreshFix Adam / Kevin Collins / Rymus ]

Matérias relacionadas

Não, Carros nunca foi só um filme para crianças

Dalmo Hernandes

Comemore os 50 anos do motor boxer Subaru com esta coletânea matadora!

Dalmo Hernandes

Este cara tem uma das maiores coleções Mopar do mundo — e uma garagem dos sonhos

Dalmo Hernandes