Dez incríveis circuitos ovais que não ficam nos Estados Unidos

Leonardo Contesini 28 dezembro, 2015 0
Dez incríveis circuitos ovais que não ficam nos Estados Unidos

Apesar dos circuitos ovais estarem fortemente ligados à imagem do automobilismo dos EUA, eles foram bastante comuns em todo o mundo na primeira metade do século passado. No início as corridas eram disputadas em vias públicas, geralmente entre cidades. Depois alguém teve a ideia de copiar o layout circular dos velódromos — que por sua vez foram inspirados nas arenas e anfiteatros da antiguidade — e assim surgiram os primeiros circuitos da história.

Alguns deles eram feitos de madeira, outros de tijolos, macadame, concreto e até mesmo areia da praia. Mas todos tinham em comum o layout circular que, na prática, é uma linha infinita e que permite ao público acompanhar a corrida inteira nas arquibancadas. Dos velódromos e motódromos também veio a noção de que as curvas inclinadas permitiam maiores velocidades, tornando as corridas mais disputadas e mais emocionantes não só para os pilotos, mas também para o público.

Com o tempo os circuitos passaram a ser formados por vias públicas, como os circuitos da Gávea, Spa-Francorchamps, Mônaco, La Sarthe, e mais tarde tiveram traçados mistos construídos especificamente para as corridas, e os ovais acabaram esquecidos no restante do mundo, exceto nos EUA. A seguir, relembramos os ovais mais famosos que não ficam nos EUA.

 

Brooklands, Inglaterra

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Brooklands foi o primeiro autódromo do mundo, inaugurado em 1907. O local também foi um dos primeiros campos aéreos da Grã-Bretanha, e se tornou o maior centro aeronáutico do país em 1918. O circuito teve sua última corrida em 1939, mas isto não significa que sua história acabou. Pelo contrário!

Em 1945, em péssimas condições, Brooklands foi vendido à fabricante de aeronaves Vickers-Armstrongs, que em 1946 construiu uma fábrica na área do circuito. Nos anos 1970, a Vickers passou a fazer parte da British Aerospace, que entre 1976 e 1973 produziu o Concorde, o um dos únicos aviões comerciais supersônicos do planeta. Hoje, diversas empresas estão instaladas em Brooklands — incluindo a Mercedes-Benz e seu complexo Mercedes-Benz World, uma espécie de museu/parque temático que oferece até cursos de pilotagem em parte do traçado original do circuito.

 

Autódromo de Sitges-Terramar, Espanha

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O Autodromo de Terramar foi projetado no começo da década de 1920 pelo arquiteto catalão Jaume Mestres Fosas e foi construído em apenas 300 dias a um custo de 4 milhões de pesetas.

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A pista sediou o GP da Espanha em 1923, e nos anos que se seguiram pilotos do alto escalão testaram suas habilidades nos 2 km de concreto com curvas inclinadas de 60º, chegando a 90º na parte mais alta. No entanto, o alto investimento da construção e a má administração do autódromo levaram ao calote dos prêmios aos vencedores das corridas, e a Federação Internacional do Automóvel proibiu a realização de corridas internacionais em Terramar em 1927.

No início da década de 1930, o piloto aristocrata Edgar Morawitz comprou a pista e organizou algumas corridas de exibição, mas nunca conseguiu faturar dinheiro com isso. Assim, o último evento antes de Sitges-Terramar ser abandonado aconteceu em 1956. O último evento foi organizado em 1956 e desde então o autódromo acabou abandonado — a menos que você considere uma pequena peregrinação de fãs de automobilismo que conhecem a pista e viajam até Sitges para conhecer o local. Uma restauração completa está prevista para terminar no fim de 2016.

 

Autodromo Nationale Monza, Itália

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Monza ainda é uma das pistas mais rápidas do mundo, mas o traçado oval está se deteriorando lentamente desde que foi declarado inseguro na década de 1960. Eles o usam apenas para uma corrida de rali que acontece uma vez por ano.

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Antes disso, o traçado oval recebia “Monzanapolis”, a Corrida de Dois Mundos, na qual os pilotos da Indy competiam com os carros de GP da Europa. Como a maioria dos europeus achou a ideia muito louca, os americanos faturaram a corrida nas duas edições, 1957 e 1958. A velocidade máxima registrada foi 315 km/h, e isso foi em 1957.

 

Lausitzring, Alemanha

Wenn Politiker sich an Grossbauprojekten die Finger verbrennen

Este nome meio impronunciável foi escolhido por causa da localização do circuito, na cidade de Lausitz, na Alemanha — hoje, o circuito se chama EuroSpeedway Lausitz. E, de qualquer forma, o que importa é que o Lausitzring é um oval moderno, construído em 2000, feito para atender a todas as atuais (e futuras) normas de segurança. O traçado oval com três chicanes compreende cerca de 3,2 km e fica ao lado de um circuito tradicional. Ambas as pistas podem ser ligadas, totalizando cerca de 4,5 km.

 

Rockingham Motor Speedway, Inglaterra

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Rockingham não é tão famosa quanto Brooklands, mas ao menos é ocupadíssima e muito viva: além de receber corridas de stock car o ano todo, além de etapas da Fórmula 3 e da IndyCar, Rockingham recebe cursos de pilotagem, exibições de clássicos e track days. Detalhe: o “oval” de 2,34 km é só uma das 13 configurações diferentes que podem ser utilizadas no circuito.

Ah, e recorde é do brasileiro Tony Kanaan, que percorreu o traçado em 0:24,719 em 2001, ao volante de um Champ Car. Não é para menos: Rockingham é considerado o circuito oval mais veloz da Europa, como o vídeo acima, com um Caterham R500, bem demonstra.

 

Twin Ring Motegi, Japão

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O circuito de Motegi foi construí do em 1997 pela Honda. O objetivo? Trazer a Fórmula Indy ao Japão. E eles o fizeram colocando um circuito tradicional e um oval de 2,5 km praticamente no mesmo espaço. As pistas compartilham boxes e arquibancadas, mas são completamente separadas em todos os outros aspectos. E a estratégia deu certo: as provas da Indy aconteceram até 2011 em Motegi, e a Honda conseguiu vencer sua primeira corrida em 2004, com Dan Wheldon ao volante. Em 2008, Danica Patrick também fez história no circuito ao tornar-se a primeira mulher a vencer uma corrida da IndyCar. O circuito de Motegi também recebeu uma corrida da Nascar em 1998.

Apesar de bem estruturado e organizado, o circuito de Motegi não é muito utilizado em corridas importantes do automobilismo mundial por sua localização um tanto inacessível — Motegi é uma cidade pequena no interior do Japão. No entanto, para categorias menores e track days, Motegi é praticamente um paraíso. Isto sem falar em todos os vídeos da Best Motoring que foram feitos lá…

 

AVUS, Alemanha

1959 German Grand Prix.Ref-4686.World © LAT Photographic

No início do século XX, o AvD (Automobilclub von Deutschland, Clube do Automóvel Alemão) idealizou um circuito de uso geral para a prática do automobilismo e desenvolvimento da indústria automobilística.

Assim como Nürburgring, o Automobil-Verkehrs und Übungsstraße faz parte do sistema público de rodovias da Alemanha. E da mesma forma que o oval de Monza, o setor inclinado foi declarado inseguro para o automobilismo e foi desmanchado em 1967 para dar lugar a uma interseção expandida sob a torre Funkturm. As obras começaram em 1913, foram interrompidas pela Primeira Guerra Mundial e retornaram em 1920. AVUS foi inaugurado no ano seguinte, mais exatamente, no dia 24 de Setembro de 1921.

Bons tempos de DTM em AVUS

A verdade é que o circuito não é exatamente um oval, e sim duas retas paralelas unidas por dois grampos. Apesar do traçado incomum, AVUS recebeu a Fórmula 1 duas vezes (1954 e 1959, nesta última, como parte do calendário oficial), recebendo corridas até 1998, quando foi desativado como autódromo.

 

Nardò Ring, Itália

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O circuito de Nardò, que fica na cidade de mesmo nome, na Itália, foi construído pela Fiat em 1975. O círculo perfeito tem 12,6 km de extensão e pode ser viso do espaço. A verdade é que se trata de um complexo que começou com três pistas de testes e, hoje em dia, possui mais de 20 traçados diferentes, usados para testar veículos em diversas situações.

No entanto, é mesmo a “reta infinita” de Nardò sua maior atração. Não é para menos: a certa velocidade (que varia de acordo com o veículo) é possível percorrer todo o trajeto sem esterçar o volante — é a chamada “velocidade neutra”. Por isso, é muito comum que fabricantes de automóveis utilizem Nardò para testar a velocidade máxima de seus carros sem correr o risco de precisar parar por falta de espaço.

Para isto, no entanto, é preciso pedir à Porsche — desde 2012, o Nardò Ring pertence à companhia alemã e se chama Nardò Technical Center. Os clientes podem utilizar todas as pistas, mas precisam de uma autorização especial para ultrapassar os 240 km/h no anel principal.

 

Anel externo de Interlagos

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Antes da reforma que desfigurou o traçado original de Interlagos para transformá-lo em uma pista moderna e segura, havia um anel externo que era usado pela antiga Turismo 5000, que dava a Interlagos ares de Nascar nos anos 1970. Não há um registro oficial de velocidade máxima, mas durante testes com um March de F1 em 1972, Luiz Pereira Bueno contou ter feito as curvas 1 e 2 a 242 km/h.

 

Traçado oval de Jacarepaguá

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O “Circuito Oval Emerson Fittipaldi” foi construído especialmente para receber as provas da Indy (na época chamada CART) a partir de 1996. Era como uma versão de Indianapolis com uma das retas encurtada, formando um trapézio. Nessa época os carros da CART chegavam a 380 km/h. As provas foram disputadas até 1999, e depois o circuito foi usado poucas vezes para a Stock Car, antes de ser demolido para dar lugar às instalações da Olimpíada de 2016.