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Project Cars Project Cars #145

Do dia-a-dia para a pista: conheça a história do Ford Focus de João Pensa, o Project Cars #145

Cheguei ao quinto, mas não “dos infernos”. Pelo contrário, este quinto Focus continua me trazendo muitas alegrias assim como os outros quatro trouxeram. Após resolver desmontar e vender o quarto Focus (Bala de Prata) bateu um incômodo muito grande, tanto por ficar longe das pistas quanto por não ter em mãos um carro relativamente barato, com seguro baixo, fácil acesso à peças de performance, dentre outras facilidades.

Eis que a emoção superou a razão e fui atrás de outro Focus, e aí fui pros “quinto” com o Blue Label. É um Focus GLX 2008 2.0 16V, conhecido como versão Venezuela, atualmente com 64.000 km e completo, com duplo airbag, faróis de neblina, e umas firulas a mais que o GLX padrão: freios ABS com discos nas 4 rodas, luz de ré dupla, cinto central traseiro retrátil, temporizador do limpador de para-brisa com cinco regulagens, interior em perfeito estado e pintura num azul reluzente. Dá gosto de ver brilhando.

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Atualmente o carro se encontra praticamente no estado que comprei, pois ele pertenceu à um amigo e tive o grato prazer de participar da definição das peças de performance. As premissas para este projeto, diferentemente das do Bala de Prata foram: conforto, silêncio e economia.

Mas como conciliar estas três premissas sem matar a performance em pista? Pois é, estamos falando de um Ford Focus (1ª geração), um carro reconhecidamente com uma estrutura “muito bem nascida”. O conforto é igual ao original? Não, mas ainda se consegue viajar com a família sem qualquer incômodo, graças ao uso da suspensão completa do Focus SVT (molas e amortecedores).

Visando respostas mais diretas ao volante todas as buchas de suspensão foram substituídas por um kit de poliuretano de Energy Suspension. Para dar total liberdade no acerto da geometria se lançou mão de um camber kit na dianteira (montado no topo do amortecedor) e camber bolt na traseira (montado na ponta da manga), e dependendo da pista os parâmetros de cambagem, cáster e convergência são ajustados.

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O fôlego do motor vem de um par de comandos SWR 280 graus, o qual respira por um filtro cônico Inflow e descarrega tudo por um coletor de escape 4x2x1 em inox da TEC Motorsport. O acerto foi feito direto na ECU, roda com gasolina comum e produz saudáveis 188,5 cv a 6.300rpm e 23 kgfm a 5.600rpm. O silêncio só é rompido quando se abre a válvula cutout da Qtec, instalada antes dos abafadores… e dá-lhe berro até 7.200rpm (corte).

Casando com o motor, as relações de marchas foram devidamente redefinidas, pois o Focus tem um péssimo escalonamento (longo demais) a partir da 3ª marcha. Nisso entrou uma nova relação mais curta para a 3ª, 4ªe 5ª marchas, atendendo perfeitamente ao propósito do projeto. Mantendo a boa receita do Bala de Prata, os freios dianteiros são do Focus Rally (278 mm) com pastilhas Hawk HP Plus, todos os flexíveis substituídos por linhas Aeroquip, com fluido Pentosin Racing. Para melhorar a rigidez estrutural da traseira do carro recentemente foi instalada uma barra amarração que liga as duas torres dos amortecedores (strut bar), e completando a brincadeira toda um jogo de rodas de Audi 80 tala 7”, leves, resistentes e vestidas por pneus Toyo R888 na medida 195/5 R15.

Os números falam por si. Nas provas de Track Day e Hot Lap os melhores tempos são:

  • AIC — 1:43:6
  • Interlagos —   2:10:0
  • Vello Cittá —  2:05:4
  • Hot Lap Limeira — 1:04:7
  • ECPA (Piracicaba) — 1:21:0

Ainda falando em números, sempre há os interessados em saber sobre velocidade final e consumo. O painel ainda belisca os 225km/h sem muita dificuldade. E ao rodar, andando em modo civilizado o consumo urbano se mantém em 9,0km/l e na estrada 12 km/l (gasolina comum).

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Sem deixar de lado o visual totalmente original e não esquecendo as três premissas iniciais (conforto, silêncio e economia) os resultados dos tempos de volta são muito superiores ao que se podia esperar de um carro com estes poucos upgrades, e sempre com extrema confiabilidade. Este é o típico projeto sleeper.. .afinal quem vê cara não vê coração. E sem deixar de falar em próximos ups, uma suspensão coilover cairá como uma luva, não? Mas disso falaremos num próximo post!

Por João Pensa, Project Cars #145

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