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Achados meio perdidos

Dino 308 GT4 2+2: este exemplar da primeira Ferrari com V8 central-traseiro está a venda no Brasil

Nesta semana a Ferrari revelou seu mais novo modelo com motor V8 central-traseiro, a F8 Tributo. Por mais que ainda seja baseada na 458 Italia, lançada há exatos dez anos, a Ferrari F8 conseguiu incorporar elementos atuais ao design de forma impecável – em especial na traseira, que ganhou um vigia traseiro vazado inspirado na F40 e lanternas traseiras quádruplas que reinterpretam o desenho da 288 GTO. Isto sem falar no motor V8 biturbo de 3,9 litros, herdado da 488 Pista, com 720 cv a 8.000 rpm – o suficiente para levar a F8 de zero a 100 km/h em 2,9 segundos.

Agora, se F8 Tributo representa a última palavra em Ferrari V8, e nosso Achado meio Perdido de hoje é onde tudo começou. Trata-se de uma Dino 308 GT4, a primeira Ferrari a usar um motor V8 em posição central-traseira. Mesmo sendo vendida com outra marca, a Dino 308 GT4 é uma das Ferrari mais importantes de todos os tempos. E uma delas está à venda no Brasil, anunciada no GT40.

O perfil da 308 GT4 era diferente do que se via em outras Ferrari na época, e havia dois motivos para isto. Primeiro, o fato de ela ser uma 2+2, ou seja, com dois bancos traseiros individuais. Ela era assim porque, na época, a Ferrari queria oferecer um carro mais acessível e prático, com espaço para quatro pessoas, o que exigiu um entre-eixos mais mais longo, chegando a 2.550 mm – 210 mm mais largo que o entre-eixos da 308 GTB, por exemplo, que tinha 2.340 mm.

Segundo: diferentemente das outras Ferrari feitas até então, a 308 GT4 tinha a carroceria projetada pelo estúdio Bertone (com assinatura de Marcello Gandini), e não pela Pininfarina, como era o padrão. Assim, ela tinha proporções e linhas distintas do que se costumava ver nas outras Ferrari, – o capô era mais curto e mais baixo, os para-choques eram mais destacados da carroceria, e as lanternas traseiras eram redondas, porém cercadas por molduras de acrílico vermelhas. No geral, o desenho da 308 GT4 era mais limpo.

Lançada em 1973, a 308 GT4 usava como base a estrutura tubular da Dino 246, que foi a primeira Ferrari com motor central-traseiro. Seu motor era, em essência, o V6 da 246 com dois cilindros a mais. Com 2.928 cm³ e virabrequim de plano simples, além de quatro carburadores Weber 40 de corpo duplo, o V8 tinha 258 cv a 7.700 rpm, além de 28,9 mkgf de torque a 5.000 rpm. Acoplado a um câmbio manual de cinco marchas, o propulsor era capaz de levar a 308 GT4 aos 100 km/h em 6,7 segundos, com máxima de 257 km/h.

Seus 4.300 mm de comprimento e 1.740 mm de largura faziam dela uma das Ferrari mais compactas da época e, graças a seus quatro lugares (ainda que o banco traseiro fosse meio apertado), a GT4 também era bastante prática se comparada a outros cupês da marca – ela tinha até mesmo um razoável porta-malas traseiro.

A tampa aberta é a do motor – o porta-malas está fechado

O exemplar anunciado no GT40 foi fabricado em 1974 – ano em que, de acordo com a literatura especializada, foram fabricados pouco mais de 70 exemplares. Àquela altura, a 308 GT4 ainda usava emblemas da Dino – a partir de 1976, decidiu-se que ela passaria a usar a marca Ferrari. Não era incomum, porém, que os proprietários encomedassem emblemas Ferrari para instalar em seus carros, temendo desvalorização por conta do estigma de Ferrari “falsa” que as Dino tinham. O que, honestamente, era uma verdadeira bobagem – hoje em dia, as Dino com emblemas originais estão entre os exemplares mais valorizados entre os colecionadores. É o caso deste carro em especial.

De acordo com o anunciante, o carro possui diversos elementos originais, como a maioria dos detalhes de acabamento externos e internos. Há algumas modificações leves, como os faróis auxiliares da Carello e as rodas, que são um jogo de Campagnolo vindos da Dino 246 – nada que altere a essência do carro.

A pintura e o interior já foram refeitos, nos padrões originais, e o aspecto do carro é ótimo. Há alguns detalhes aceitáveis em um automóvel fabricado há 45 anos, como o friso desalinhado do para-choque dianteiro mas, fora isto, a 308 GT4 parece muito íntegra e em ótimas condições. O mesmo vale para a mecânica e o sistema elétrico, que estão em ordem – embora, se tratando de um antigo, uma revisão geral para identificar possíveis “grilos” nunca seja má ideia.

Este é o tipo de carro que se compra como investimento. Se você ficou interessado, pode clicar aqui para acessar o anúncio e pegar os contatos do anunciante.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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