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Car Culture

Diversão à moda antiga: os melhores presentes para despertar a nostalgia no fim do ano

Podem nos chamar de rabugentos, mas uma coisa que nos dá saudade dos natais da nossa infância era a simplicidade das coisas. Os presentes eram miniaturas, carrinhos de rolimã, mais carrinhos… videogames não eram para todo mundo e gadgets nem existiam. Se existissem, certamente não estariam nas mãos das crianças. Por que tempos assim não podem voltar, hein?

Acontece que eles podem sim! Você até pode se presentear com um belo simulador, um volante de ponta ou mesmo um videogame novinho mas, sabendo onde procurar, você conseguirá, sim, encontrar alguns itens bem old school para presentear seu filho ou sobrinho — ou a si mesmo, porque quem curte carros nunca deixa de ser criança de verdade, é ou não é?

 

Carrinho de rolimã

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Carrinhos de rolimã costumavam ser os primeiros “carros” de um gearhead. Quando éramos crianças, não os comprávamos — achávamos um pedaço de madeira, íamos pedir rolamentos nas oficinas e, várias marteladas (nos dedos, inclusive) depois, nossa “máquina” estava pronta.

Os tempos mudaram: há cada vez mais carros nas ruas e cada vez menos crianças brincando nelas. Aparentemente elas preferem ficar mais seguras e entretidas com um celular, videogame ou computador dentro de casa. Nada disso te impede de conseguir um carrinho de rolimã, claro. A diferença é que agora você pode comprar um. E não estamos falando daqueles profissionais, com tubos de aço, pneus de borracha e freios com cabos, e sim do negócio das antigas mesmo, com madeira, pregos e rolamentos.

Quer ver só? Visite o site da Ficar — Fábrica Ituana de Carrinhos de Rolimã. Lá, o senhor Arthur Martins, ex-executivo da Ford, fabrica à moda antiga carrinhos de rolimã. A ideia surgiu há alguns anos, quando ele decidiu dar um carrinho de presente ao neto. Depois, vieram os amigos do neto e, em seguida, a ideia de abrir a pequena fábrica. Você pode comprar os carrinhos do Seu Arthur pela internet por R$ 140 — e, se quiser rodinhas de poliuretano (como as usadas em alguns skates, que não fazem barulho nem danificam o piso), o valor sobe para R$ 160.

 

Autorama

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Você não entende a graça de um autorama até brincar com um — quer dizer, hoje em dia é assim, pois há dez ou vinte anos um autorama era o melhor brinquedo que um moleque louco por carros poderia ganhar. Apesar de encaixados em sulcos (os chamados slots, por isto o nome em inglês “slot cars“), os carros não estão presos à pista. Se você não dosar na aceleração, seu carrinho vai sair voando e você vai perder a corrida e por isso ele é uma brincadeira envolvente, que exige habilidade e prática.

E “brincadeira” não é um termo 100% correto. Claro, existem os autoramas bem simples, com dois, três ou quatro carros, que você pode comprar por menos de R$ 200 e montar no chão do quarto para brincar com seu guri e que são bem bacanas. Mas você também pode partir para algo mais sofisticado, como as pistas de autorama profissional, que partem de R$ 3.000 e podem passar dos R$ 10.000. Se não estiver disposto a gastar tanto, porém, empresas como a Slot Car Brasil são especializadas na locação de pistas profissionais — com preços que partem de R$ 550 por quatro horas de diversão com os amigos, disputando corridas em miniatura a mais de 110 km/h.

 

Ferrorama XP100

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Este é um verdadeiro clássico: o Ferrorama, sucesso da Estrela na década de 1980. O mini-trem com vagões de carga, passageiros e carvão podia ter uma locomotiva a vapor ou elétrica (na verdade, ambas funcionavam a pilha) e corria sobre trilhos de plástico encaixados uns nos outros, com a direção controlada pelas alavancas e pelos desvios.

Era uma réplica bastante fiel (claro, para um brinquedo) e bem bacana — tanto que foi relançada em uma edição limitada em 2011. Embora tenha sido uma edição limitada, ainda é possível encontrá-la em lojas online, como a Ri Happy, por cerca de R$ 250.

 

Uma máquina de arcade

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Se você foi criança em meados da década de 1990, é bem provável que tenha vivido o auge das máquinas de arcade e se divertido à beça com com socos, chutes e hadoukens, cruzando os Estados Unidos em Cruis’n USA ou acelerando um bólido de stock car em Daytona USA. Uma máquina destas, das antigas, pode custar bem caro — estamos falando de algo entre R$ 10 mil e R$ 25 mil. Contudo, há uma alternativa: empresas como a Arcade Solutions vendem máquinas de arcade modernas, com tela de LCD e vários jogos, porém o visual das clássicas máquinas onde você gastava toda a sua mesada.

Custando entre R$ 4 mil e R$ 8 mil, são máquinas que usam controles com joystick e botões (aqueles que você adorava esmurrar), com diversos games clássicos, especialmente os de luta e plataforma. “E o que isto tem a ver com carros?”, você talvez pergunte. Pois então: já imaginou que bacana ter uma destas na sua garagem?

 

Miniaturas em escala 1:64

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Foto: Adilson dos Anjos

Quem coleciona miniaturas sabe muito bem a ofensa que é chamá-las de “carrinhos” — isto porque quem coleciona geralmente leva o hobby bem a sério. E se você pensa que uma boa coleção é sempre aquela que tem miniaturas raras, caras e detalhadas, pense de novo: miniaturas baratas, em escala 1:64, que você compra em qualquer loja de brinquedos ou supermercado, podem ser um belo início de coleção.

greenlight

De cara a gente pensa nos clássicos Hot Wheels, que são bem acessíveis e raramente encontrados por mais de R$ 8 — se desconsiderarmos as séries especiais temáticas, que podem custar até dez vezes mais. Contudo, para quem quer algo mais realista, uma boa sugestão é a linha da Greenlight — a escala também é 1:64, mas as miniaturas são mais fiéis (o Dodge do destaque é um belo exemplo), detalhadas e melhor acabadas. E não são muito mais caras — podem ser encontradas por algo entre R$ 15 e R$ 30 na internet e em lojas físicas.

 

Kit de modelismo

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Se apenas colecionar as miniaturas não é suficiente para você, talvez um kit de modelismo seja o que você está procurando. Nos referimos a kits para montar carros, aviões e barcos como os fabricados pela Revell. O preço não é muito alto — costumam partir de R$ 80 — e a experiência de montar sua própria miniatura é sensacional.

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Os carros costumam vir em escala 1:24 ou 1:32, e há vários níveis de complexidade e dificuldade — o que significa que você não precisa ser um cientista de foguetes para começar no plastimodelismo. Na verdade, é uma bela maneira de gastar o tempo livre no fim do ano, especialmente se você curte engenharia, carros e trabalhos manuais.

 

Dioramas

revell

Faz sentido dizer que os dioramas são o próximo passo no modelismo faz sentido — afinal, você deixa de construir apenas veículos para dar forma a reproduções fiéis de cenários, fotografias e cenas de filmes famosos. E dioramas com carros são, para nós, os mais legais — dos clássicos dioramas de oficinas (alguns são de cair o queixo) a verdadeiras obras de arte que reproduzem até mesmo as 24 Horas de Le Mans.

Naturalmente você não vai querer reproduzir a prova de 1966 — ano em que o Ford GT40 quebrou a hegemonia da Ferrari com uma vitória tripla em La Sarthe — logo de cara, mas pode muito bem fazer algo bacana com alguns carros, bonecos e elementos de cenário básicos (a própria Revell fabrica uns bem legais) — com o tempo e muita prática, se pegar firme, você estará até esculpindo elementos de cenário por conta própria — há ferramentas específicas para isto, também.

 

Carro de controle remoto

Todo mundo já teve ou pelo menos brincou com uma daquelas Ferrari F50 de controle remoto (com aquela antena de arame que ficava chacoalhando) — e talvez você achasse o máximo na época (bom, era legal mesmo). Mas carros de controle remoto podem ficar muito, mas muito mais interessantes — quando deixam de ser brincadeira e se tornam um hobby de verdade. Estamos falando de carros de ponta, que podem ser movidos a eletricidade ou a combustão e são réplicas fiéis e manejo que requer precisão e habilidade.

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A Kyosho é um bom ponto de partida, oferecendo modelos off road on road custando a partir de R$ 1.200. Agora, se você quiser mergulhar de cabeça mesmo, pode comprar um chassi, um motor e uma bolha e montar seu próprio carro. O preço aumenta (um motor monocilíndrico custa em média R$ 800), mas também aumentam o desafio e a diversão.

 

Drift Trike

trike

Há pouco tempo os drift trikes estavam no auge — triciclos com pedais na roda dianteira e rodinhas de PVC ou polipropileno na traseira que, oferecendo aderência quase zero, dão aos trikes a característica que está em seu nome: a traseira desliza a todo o instante, e isto proporciona bastante diversão a quem tenta controlar o triciclo descendo uma ladeira.

Hoje a febre parece ter passado, mas a brincadeira continua bacana — ainda mais no fim do ano, com tempo de sobra. No Brasil, a Drift Trikes vende triciclos que partem de R$ 600, além de peças como rodas, bancos e quadros. Dá para montar um sozinho, o que por si só já é boa parte da diversão.

 

Coleções em fascículos

Para quem gosta de revistas, uma sugestão legal são as coleções em fascículos que vêem com miniaturas ou trazem, em cada novo número, o componente para montar alguma coisa — uma forma prática de começar uma coleção ou um projeto de modelismo. No Brasil a editora Planeta DeAgostini deve ser a mais conhecida — você já deve ter visto a coleção “Carros Inesquecíveis do Brasil”, com miniaturas de Opala, Puma, Corcel; ou a coleção “Construa Ford Mustang Shelby GT-500”, que você já deve ter sacado do que se trata.

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Caso queira comprar fascículos avulsos, cada uma custa entre R$ 30 e R$ 50 (dependendo do tipo de coleção) — se assinar, porém, você acaba pagando menos no total. É um investimento a longo prazo (a coleção do Mustang, recém lançada, tem 100 fascículos), mas você terá diversão garantida por muito tempo ainda depois que acabarem as festas. (Dica: se morar no interior, é melhor não contar com todas as edições na banca — melhor assinar para receber em casa. Experiência própria!)

 

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