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Dodge Challenger SRT Hellcat testado: como anda o muscle car mais potente do planeta?

Ainda não digerimos muito bem o fato de o Dodge Challenger Hellcat ter 717 cv. Somos fãs dele desde criancinhas, mas temos uma mágoa que ainda não sabemos se será curada pela Dodge: o Challenger ainda não foi lançado no Brasil (apesar de boatos de que ele e o Charger chegariam ainda em 2014), e por isso não tivemos a oportunidade de acelerar o monstro com motor V8 de 6,2 litros supercharged.

Isto não significa, porém, que você não irá saber como ele se comporta: a imprensa internacional já testou o Hellcat nesta semana, e o FlatOut! compilou as impressões de alguns sites. Já adiantamos: o Hellcat é fodástico, sim — mais do que todo mundo esperava, na verdade.

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Vamos recapitular, porque nunca é demais: Hellcat é o nome do motor e também batiza a versão do cupê musculoso da Dodge. O motor é um Hemi 6.4 com curso reduzido, passando a deslocar 6,2 litros. A razão para isto, segundo a Dodge, foi preservar o virabrequim diante de tanta potência. No início, divulgou-se que o Hellcat teria “mais de 600 cv” — o que já era impressionante por si só, mas também levantou algumas dúvidas porque, como vocês devem saber, o Viper tem 640 cv. Eles não poderiam fazer um carro mais potente do que o Viper.

Acontece que dane-se o Viper, e no início do mês, soubemos que o primeiro motor V8 Dodge equipado com compressor mecânico também seria o motor mais potente já fabricado pela Dodge, ponto final: 717 cv, deixando para trás não só seu companheiro de estábulo, mas também os concorrentes Ford Mustang (com o Shelby GT500) e o Chevrolet Camaro (com a dupla ZL1 e Z/28).

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Freios Brembo, porque é preciso muita força para parar tanta força… entendeu?

E então descobrimos que, além de ser o muscle car mais potente da história, o Hellcat também é um “carro de dez segundos”, capaz de fazer o quarto-de-milha em 10,85 s. Cara, esse carro é, sem dúvida muito rápido, e a Dodge deve estar orgulhosa.

Mas, afinal, como é dirigir este monstro?

Claro que é incrível. Afinal, é um muscle car de 717 cv, caramba! Não tem como isto ser ruim. Mas nós precisamos dizer que a primeira e matadora impressão passada pelo Hellcat não é causada pela potência, e sim pelo torque. A arrancada é um soco no estômago:

Com todo o barulho que os 717 cv fizeram na mídia, talvez você tenha se esquecido do torque. Shame on you, porque são 89,8 mkgf à disposição do seu pé direito já aos 4.000 rpm — e 56,8 deles já aos 1.200 rpm. Damon Lavrinc, do Jalopnik US, diz que, com tanto torque, o Hellcat “é capaz de cantar pneus a qualquer momento, em qualquer velocidade”. Basta querer — com a chave vermelha no contato, claro, porque a chave preta poda a potência do motor para “apenas” 500 cv e as rotações do motor são limitadas a 4.000 rpm.

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Esse torque todo exigiu um pequeno empréstimo: a caixa manual de seis velocidades é exatamente a mesma do Dodge Viper — a Tremec T6060, mas com uma carcaça (bellhousing) diferente. Já o câmbio automático é o mesmo ZF de oito marchas de qualquer outro Challenger — a Dodge diz que ela já é resistente o suficiente. Mas você não iria querer um Hellcat automático, iria?

Um dos aspectos mais notáveis do Hellcat, além de seu visual — que “parece um Hot Wheels mas, ao mesmo tempo, é all business”, segundo a Car and Driver americana — e da sua potência, é o ronco do motor. A maioria das publicações concorda que a Dodge fez um excelente trabalho mantendo o motor relativamente quieto em condições de uso normais (na rua e na estrada, por exemplo) e totalmente selvagem na pista. Isto é possível porque o Challenger Hellcat tem uma gama de modos de direção que alteram as a entrega de potência, o comportamento da transmissão (no modelo automático), as respostas do acelerador, o controle de tração e as válvulas do sistema de escape — que, no modo “track”, ficam totalmente abertas.

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Mas a gente disse “relativamente quieto” — isto não significa que ele é silencioso. Este vídeo, feito pelos caras do Winding Road com seis minutos do ronco do Hellcat na estrada é a maior prova disso:

Você acredita mesmo que isto possa ser considerado silencioso? Obrigado, deuses do V8!

Outra unanimidade entre quem dirigiu o Hellcat é que, na estrada ou na rua, ele é um carro confortável, espaçoso (para a categoria) e surpreendemente dócil — outra demonstração do bom trabalho feito pela Dodge na hora de calibrar os modos de direção. Mas, se quiser, pode configurar alguns parâmetros sozinho e o módulo eletrônico memoriza suas escolhas, permitindo que você acesse seus modos personalizados facilmente pelo computador de bordo.

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Mas no fim das contas, a grande estrela do carro Hellcat é mesmo o motor Hellcat. O V8 Hemi que teve 90% de seus componentes trocados — incluindo, entre outras coisas, virabrequim de aço forjado, novos pistões e bielas, reservatório de óleo, cabeçotes e válvulas, além, é claro, de um compressor mecânico de 2,4 litros. O resultado é um carro que, depois de arrancar, chega aos 100 km/h em 3,5 segundos e consome 5,6 litros de combustível por minuto quando é acelerado ao limite.

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E ele custa a partir de US$ 59 mil, o equivalente a R$ 131 mil (conversão direta, sem impostos e taxas, claro) — só US$ 6 mil a mais do que o Chevrolet Corvette Sting Ray, por exemplo, que tem 250 cv a menos e ainda assim é considerado uma das maiores barganhas do mercado americano em termos de desempenho. Quer ficar ainda mais impressionado? Um Aventador custa US$ 441.600 (R$ 980 mil) — são US$ 382.600 a mais… e 17 cv a menos. Claro que estamos falando de dois animais completamente diferentes mas quem vai dizer que não é uma comparação, ao mesmo tempo, absurda e deliciosa de se fazer?

O Hellcat veio mesmo para virar o segmento dos muscle cars retrô, inaugurado pelo Mustang em 2005, de ponta cabeça. Agora é esperar e ver como os concorrentes vão reagir. Nosso palpite? Vai ter sangue.

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