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Drive my Car: relembre os carros de John Lennon – e dos outros Beatles

Era 8 de dezembro de 1980 — exatos 35 anos atrás. Naquele dia, um homem chamado Mark Chapman entraria para a história. Não, ele não lançou nenhum disco, nem nada disso. Mas, se você é fã daquela que, para muita gente, é a maior banda de rock da história, sabe exatamente o que aconteceu: naquele dia 8 de dezembro de 1980, Mark Chapman levantou-se de manhã e saiu de casa para matar John Lennon, vocalista, guitarrista e compositor dos Beatles.

Se fosse há alguns anos, você ligaria a TV na tarde de hoje e, no SBT, veria “John e Yoko: Uma História de Amor” (John & Yoko: a Love Story) no Cinema em Casa. O filme foi produzido com ajuda da própria Yoko Ono e, como o título diz, retrata o romance do casal — desde quando eles se conheceram, em 1966, até o assassinato de John em 1980.

Teorias de conspiração à parte, foi exatamente em 1966 que John Lennon disse a frase que traria, como última consequência, sua morte. Em uma entrevista à jornalista Maureen Cleave, que conhecia a banda desde 1963, Lennon declarou que, em sua opinião, os Beatles eram mais populares do que Jesus Cristo.

A declaração foi publicada no jornal London Evening Standard e, no Reino Unido, não causou controvérsia. Os Beatles eram realmente famosos naquela época e talvez os britânicos compreendessem que, na situação de Lennon — com apenas 26 anos à frente daquele que, no momento, era o maior grupo musical do planeta — qualquer um ficaria mais propenso a dar declarações polêmicas.

No entanto, não se pode dizer o mesmo dos EUA, onde a repercussão da declaração não foi muito boa. E o americano Mark Chapman, que em 1970 se converteu ao cristianismo, foi um dos que ficaram encolerizados com a presunção do jovem Lennon. Para ele, o rockstar era um herege que merecia a morte.

Ela veio 14 anos depois da publicação da entrevista quando, perto das 23:00 daquela noite de dezembro de 1980, Lennon voltava para seu apartamento no edifício The Dakota, em Nova York, onde morava com  Yoko. Mark Chapman parou o músico para pedir um autógrafo e, em seguida, atirou cinco vezes, acertando quatro tiros nas costas de John Lennon. Ele permaneceu na cena do crime até que a polícia apareceu e o prendeu. Ele lia o clássico romance de J.D. Salinger, “O Apanhador no Campo de Centeio” (The Catcher in the Rye), e disse depois que o livro havia sido a inspiração para o crime.

O dia de hoje marca 35 anos de uma data histórica e, por isso, nada mais justo que homenagear Lennon aqui no FlatOut. Como? Falando de seus carros, claro!

É curioso dizermos isto porque John Lennon não era exatamente um fã de carros. Na verdade, ele nunca se deu bem com automóveis, e este foi um dos motivos para que o músico só tenha tirado sua carteira de habilitação em 1965, aos 25 anos de idade, quando já era um Beatle famoso — em 1965, os Beatles foram nomeados membros da Ordem do Império Britânico pela Rainha Elizabeth II; fizeram sua terceira turnê pelos EUA, abrindo com um público recorde de 55.600 pessoas; e ainda lançaram Rubber Soul, um dos maiores clássicos da banda, embalado por hits como “Drive My Car”,  “Norwegian Wood (This Bird Has Flown)” e “In My Life”.

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De qualquer forma, Lennon só pôde drive his car aos 25 anos, quando tirou sua carteira e comprou seu primeiro carro. Lembre-se, estamos falando daquele que, possivelmente, era o frontman mais famoso da música na época e, para qualquer fabricante de automóveis, ter um carro na garagem de John Lennon seria uma ótima forma de publicidade (ou ao menos eles achavam que seria).

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Assim, quando John Lennon finalmente tirou sua carteira de habilitação em fevereiro de 1965 e a notícia circulou pelos tabloides britânicos (claro!), aconteceu algo que parece até mentira: poucos dias depois, em frente à sua mansão em Weybridge, Surrey, Lennon encontrou dezenas de carros novos, enviados por concessionárias — Aston Martin, Jaguar, Maserati, entre outros. Lennon, talvez sem pensar muito, escolheu uma Ferrari azul — o carro que aparece nestas fotos.

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Trata-se de uma Ferrari 330 GT 2+2 Berlinetta. Baseada na clássica 250GT SWB, a 330 GT era uma versão com motor de quatro litros da Ferrari 250 GT 2+2 — esta, primeira Ferrari de quatro lugares produzida em série (e não em pequenas quantidades, como as anteriores). A carroceria tinha entre-eixos mais longo (graças ao deslocamento do motor alguns centímetros para a frente) e proporções elegantes, sendo capaz de levar quatro adultos com conforto para uma volta nos alpes europeus.

O V12 de quatro litros (330 cm³ para cada cilindro, daí seu nome) da Ferrari 330 2+2 Berlinetta entregava  mais de 300 cv e era capaz de levar o carro até os 244 km/h, fazendo dele a Ferrari de rua mais veloz de seu tempo. Lennon pagou £ 6,5 mil pelo carro — em dinheiro de hoje, algo próximo das £ 110 mil, ou cerca de R$ 627 mil. Lennon ficou com o carro por quase três anos, vendendo-o em 1967. Ao longo deste tempo, colocou respeitáveis 30 mil km no hodômetro.

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Nos anos que se seguiram, a Ferrari passou pelas mãos de alguns colecionadores e chegou até a mudar de cor, sendo pintada de vermelho em 1980. Seu atual dono comprou o carro em 1989 e, em meados da década de 1990, fez questão de devolver à Ferrari sua cor original. Em 2013, o carro foi leiloado pela Bonhams e arrematado por £ 359,9 mil, ou pouco mais de R$ 2 milhões.

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A Ferrari, no entanto, foi apenas o primeiro carro de John Lennon, que passou a gostar das máquinas de quatro rodas e continuou comprando automóveis bacanas até o ano de sua morte. No entanto, ele deixou de dirigir em 1969, depois de um acidente com seu Austin Maxi — hatchback britânico vendido entre 1969 e 1981.

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John e Yoko, acompanhados de Julian (filho de John) e Kyoko (filha de Yoko) passavam férias na Escócia. Durante um passeio por uma das sinuosas estradas do país, Lennon perdeu o controle do carro e caiu em um barranco. Os quatro sofreram apenas escoriações e tiveram que levar alguns pontos e se recuperaram rápido, mas foi o que bastou para que Lennon decidisse que era hora de abandonar o volante e deixar que um chauffeur o conduzisse por todos os lugares.

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Ainda em 1965, John Lennon teve  um Rolls-Royce Phantom V, sedã de alto luxo que teve apenas 516 unidades produzidas entre 1959 e 1968. Naturalmente, o carro de John era ainda mais exclusivo: como Janis Joplin fez com seu Porsche 356, o músico pintou a carroceria com desenhos psicodélicos, e aproveitou  o entre-eixos de quase quatro metros para transformar o banco traseiro em uma cama de casal.

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O interior do carro também tinha uma televisão e uma geladeira.

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Sim, o que você está vendo aí é um carro funerário (vulgo “rabecão”) — um Austin Princess 1956, que foi registrado em nome de John Lennon em 1971. O carro pode ser visto no filme Imagine, lançado por John e Yoko em 1972 para acompanhar o álbum de mesmo nome.

Em 1972, já morando em Nova York, John Lennon dirigia esta Chrysler Station Wagon. O carro foi comprado novo pela Apple Records, gravadora de John, e escolhida pessoalmente pelo ex-Beatle. Ele gostava bastante do carro por dois motivos: o enorme porta-malas era excelente para acomodar os equipamentos de sua banda, e seu aspecto comum permitia que ele dirigisse pelos subúrbios praticamente desapercebido.

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Foto: Speedhunters

Dois anos antes, em 1970, John Lennon estava prestes a mudar-se para os EUA. Sendo assim, ele precisou se desfazer de um de seus automóveis mais preciosos: uma limusine Mercedes-Benz 600 Pullman, que está entre os carros mais luxuosos de todos os tempos. Para compra uma destas, só mesmo um Beatle — ou um ditador, ou Jack Nicholson…

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Lennon teve, ainda outros dois Mercedes-Benz — um conversível 230SL 1965 e uma discretíssima perua 300TD a diesel bege, que foi seu último carro e ainda pertencia a ele no dia de sua morte.

 

Os carros dos outros Beatles

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Paul McCartney comprou, em 1964, um Aston Martin DB5 direto da fábrica. Como único opcional, ele pediu que o carro tivesse um toca-discos. Mais tarde ele também trocou o DB5 por um DB6.

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Três anos mais tarde, em 1967, Paul tinha um Mini Cooper 1965. Enquanto o Beatle estava em uma festa, um de seus amigos pegou o carro para dar uma volta e sofreu um acidente com ele. Na época, Paul ainda teve um Lamborghini 400GT. Nos anos mais recentes, porém, o músico foi visto com um Chevrolet Corvette C5 e um Lexus S600h, sedã híbrido movido por um V8 de cinco litros e um motor elétrico. Um carro que ele ainda mantém desde seus tempos de Beatles é um Land Rover Series 2, provavelmente usado em sua propriedade no Cabo de Kintyre, na Escócia.

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E, claro, não podemos deixar de citar o Austin Healey Sprite que, de acordo com a teoria da conspiração, foi o carro no qual Paul McCartney morreu em 1966 ao atravessar um cruzamento.

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George  Harrisson e Ringo Starr podem ser considerados os mais entusiastas dos Beatles. O guitarrista é conhecidamente apaixonado por automobilismo (tento até mesmo gravado um álbum dedicado à Fórmula 1 em 1977) e, ao longo de sua vida, teve até um McLaren F1 — que Eric Clapton quis comprar depois de sua morte, em 29 de novembro de 2001.

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Em 1960, antes da Beatlemania, Harrison tinha um compacto Ford Anglia 1955. Nos anos 1960, ele também teve um Mini Cooper (aparentemente todos os Beatles tiveram um, com exceção de John), um Aston Martin DB5 e uma Ferrari 365 GTC, que comprou nova em 1969.

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Já o baterista do quarteto, Ringo Starr, foi dono de um Mercedes-Benz 190E AMG — o carro pode ser visto por volta dos 0:42 no vídeo acima, ao lado do 560SEL AMG W126 que era de George Harrison.

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Ringo também teve um Ford Mustang 1968 com motor V8 289 (4,7 litros), um Mini Cooper com tampa traseira de hatchback (feita sob medida) para que ele pudesse colocar sua bateria na traseira, um Facel Vega 1964 e um Mercedes-Benz 250SE, popularmente conhecida no Brasil como “Charuto”, com a qual se acidentou em 1980.

 

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