Edição diária: 20/06/2019
FlatOut!
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Duelo do Dia Zero a 300

Duelo do dia: um Ruf aircooled com um turbo e 420 cv ou um 996 com dois turbos e 550 cv? Pense bem!

No próximo dia 28 de setembro a Silverstone Auctions, agência de leilões do Reino Unido, realizará a “The Porsche Sale 2018” em Southam, no Reino Unido. Como o nome diz, uma bela coleção de Porsche clássicos e modernos será oferecida, do icônico 356 ao violento 911 GT2 RS da geração 997. Mas nós vamos nos concentrar nos dois únicos dois carros da lista que não são Porsche – ao menos não oficialmente.

Se você lê o FlatOut, certamente conhece a Ruf e seu trabalho. A companhia de Pfaffenhausen, na Alemanha, foi fundada por Alois Ruf em 1939 como uma pequena oficina. Dez anos depois, já era um grande posto de combustível. Em 1955 Alois Ruf começou a fabricar ônibus e no fim dos anos 60 seu filho, Alois Ruf Jr., conseguiu convencer o pai a deixá-lo consertar modelos da Porsche em um espaço na oficina. Foi ali que a empresa começou a tomar o rumo que tem hoje.

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Desde os anos 80 a Ruf é mais que uma preparadora de Porsche: eles modificam tantas coisas nos carros que, em 1981, conseguiram junto às autoridades alemãs a condição de fabricante – tanto que seus carros são feitos sobre monoblocos Porsche sem marcação, com painéis de carroceria e motores fabricados pela própria Ruf.

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O pessoal dos anos 1990 certamente lembra do Ruf CTR2 Yellowbird, o monstro com motor biturbo de 476 cv que ficou famoso por sua espetacular demonstração de força em Nüburgring – o nome Faszination quer dizer alguma coisa para você?

Nunca é demais assistir outra vez

Mas a Ruf já lançou dezenas de outros modelos desde o Yellowbird, como demonstram os dois carros que pinçamos aqui. Por um momento, vamos todos fingir que somos europeus com mais de £ 200.000 (o equivalente a cerca de R$ 1,07 milhão em conversão direta) e que já estamos aguardando ansiosamente o leilão da Silverstone para comprar um destes dois Ruf. Qual vai ser?

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Antes de tentar responder, porém, é preciso conhecer os carros em questão. Começando pelo mais antigo – até porque a diferença entre ambos não é tanta assim.

A primeira opção é feita com base no clássico Porsche 911 993, última geração com motor arrefecido a ar e com o monobloco concebido nos anos 1960 – ainda que com diversas modificações. O Ruf BTR2 foi lançado em 1994, um ano depois do lançamento do 993, e com ele a Ruf conseguiu oferecer uma versão turbinada do novo 911 antes da própria Porsche, que só lançou o 993 turbo em 1995.

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A receita era um pouco diferente. O Porsche 911 Turbo 993 seria oferecido apenas com para-lamas traseiros mais largos (coisa de 6 cm) e tração nas quatro rodas, com motor flat-six biturbo de 3,6 litros, 408 cv e 55,1 mkgf de torque. Já o BTR2 usava um único turbo KKK em sua própria versão do flat-six de 3,6 litros, feito a partir do motor do 911 Carrera e equipado com pistões Mahle, comandos de válvula próprios, módulo ECU Bosch Motronic com programação específica e injetores com maior vazão. Com os mesmos 0,8 bar de pressão, o BTR 2 entrega 420 cv e 60,1 mkgf de torque, que são levados apenas para as rodas traseiras. O Ruf também foi feito com base na carroceria estreita do 911 Carrera para ficar mais discreto. Então, se você curte a ideia de surpreender incautos mesmo ao volante de algo que se parece muito com o Porsche 911, o BTR2 993 é a escolha certa.

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Isto porque o carro é capaz de ir de zero a 100 km/h em 4,1 segundos, com máxima de 307 km/h. O 911 Turbo 993, para se ter ideia, precisava de 4,5 segundos para ir de zero a 100 km/h e tinha velocidade máxima de 290 km/h.

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Um detalhe interessante deste carro é que ele é equipado com um sistema de embreagem eletrônica – se você reparar nas fotos do interior, vai ver que o carro tem comandos manuais adaptados para o acelerador e os freios, assim como o volante. O sistema, batizado pela Ruf de EKS, usava um sensor de torque na alavanca de câmbio para prever o momento das trocas de marcha e atuar a embreagem eletronicamente. Assim, o motorista podia acelerar, frear e trocar as marchas no câmbio manual sem usar as pernas. Os controles manuais, porém, podem ser removidos “sem deixar nenhum traço discernível.”

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E ele devia gostar do carro, pois o comprou zero-quilômetro vinte anos atrás e rodou cerca de 109.000 km com ele, realizando todos os servições de manutenção na própria Ruf ao longo destas duas décadas, sendo que a última revisão foi feita aos 105.500 km. É o que se pode chamar de um carro com procedência. E, em tempo, este BTR2 é um dos cinco, de um total de 18, de mão inglesa.

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O valor de arremate é estimado entre £ 150 mil ou £ 200 mil, que equivalem a algo entre R$ 610 mil e R$ 815.000. Felizmente dinheiro não é problema no nosso cenário de faz-de-conta.

Agora, talvez você queira gastar sua grana imaginária com algo mais moderno e potente, mesmo que não seja tão mais novo assim: um Ruf R Turbo, versão da Ruf para o 911 Turbo 996 que a Porsche lançou em 1999.

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Apresentado em 2001, o motor do Ruf R Turbo usava como ponto de partida o flat-six de 3,6 litros, agora arrefecido a água, do 996 Turbo. Com ECU reprogramada, suportes de motor modelo GT3, novo trem de válvulas e um par de turbinas KK maiores, o motor passava de 420 cv e 57,4 mkgf de torque para 550 cv e 79,5 mkgf de torque. Com isto, o Ruf R Turbo era capaz de ir de zero a 100 km/h em 3,7 segundos e tinha velocidade máxima de impressionantes 350 km/h.

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A Ruf oferecia a opção por carroceria estreita ou alargada; câmbio manual de seis marchas com embreagem reforçada ou Tiptronic; e tração integral ou traseira. O visual era ligeiramente diferente do 911 Turbo original, com um novo para-choque que tinha mais entradas de ar e uma asa traseira ajustável, além de entradas de ar para os dois intercoolers no topo dos para-lamas traseiros.

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O carro oferecido pela Silverstone Auctions é exatamente o mesmo que foi usado nas fotos de divulgação e em todo o material de imprensa em 2001. Também é o carro que foi levado para Nürburgring em um vídeo promocional que, por mais que não seja tão famoso como Faszination, é uma bela maneira de entreter qualquer entusiasta por oito minutos. Comprove agora:

Continuando: este exemplar tem 48.000 milhas no hodômetro, ou por volta de 77.200 km, tração nas quatro rodas e câmbio manual de seis marchas. Da mesma forma que o 993, tem todo o seu histórico de manutenção feito pela Ruf, documentado em um relatório de duas páginas, sendo que a última revisão foi feita em 2016.

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A Silvertone Auctions acredita que o carro será arrematado por algo entre £ 180.000 e £ 220.000, ou entre R$ 733.000 e R$ 895.000 em conversão direta. Sim, são quase R$ 300 mil a mais que o BTR2, mas isto é só um detalhe.

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Temos certeza de que este é um escolha bem complicada para você, mas também não conseguimos nos decidir. Do ponto de vista puramente numérico o 996 ganha na potência e no desempenho, mas o 993 é mais barato e o fato de ser aircooled o coloca mais próximo da essência do Porsche 911 original. Mesmo que sejam dois carros da Ruf, e não da Porsche.

Como dissemos no título deste post: pense bem, e deixe seu voto abaixo!

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