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Initial F: o BMW 330i Motorsport de Fábio Aro e seus touges na cantareira

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Passa das duas da manhã. Faz pouco mais de 10 graus na Serra da Cantareira (SP), quando o silêncio da madrugada é cortado por um berro rouco, seco, agressivo, mas harmonioso. Poucos motores cantam com a musicalidade de um seis cilindros em linha, engolindo marcha atrás de marcha a quase 7.000 rpm, ocasionalmente devolvidas por punta-taccos e entradas de curva velozes o suficiente para assustar esportivos modernos. O ronco fica mais alto – já é possível ver os rastros dos projetores de xenônio a 4300K, emoldurados por um quatrilho de Angel Eyes CCFL, riscando a neblina por entre as árvores.

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O BMW 330i E46 de Fábio Aro para à minha frente. Um dos únicos modelos 330i Motorsport de câmbio manual existentes no Brasil. Seis cilindros, tração traseira, balanços curtos, centro de gravidade baixo, distribuição de peso de 50% sobre cada eixo, upgrades de fábrica e aftermarket – o que inclui os pneus Dunlop Direzza DZ101 (seu sucessor, o Direzza DZ102, foi lançado recentemente), 225/45 R17 na dianteira e 245/40 R17 na traseira, que estão com os ombros quentes. Um verdadeiro banquete entusiasta.

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As montanhas da Cantareira são o playground de Aro e de seus amigos entusiastas chegados num bom e velho Touge – o que explica a irônica homenagem ao crew Akina Speed Stars, do anime Initial D. “Morei na serra quando era criança e mesmo hoje estou a poucos quilômetros de lá. Quando tirei a carta de motorista, ia muito pra Caieiras, seja pela Estrada da Roseira, seja pela Santa Inês, então conheço muito bem as duas. Uma das partes mais legais de ir à casa dos meus amigos sempre foi o caminho… e isso continuou depois de adulto, com outros amigos, mas na mesma região. Pouco tempo depois que comprei meu Honda Civic VTI EK, houve aquela febre do Initial D na turma, então este meio que virou nosso mountain pass!”, brinca.

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O lugar onde foi realizado o ensaio é justamente onde estes amigos costumam se encontrar, geralmente para comer uma pizza, falar sobre carros e, como sobremesa, dobrar alguns pneus na madrugada.

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Fábio é um entusiasta como nós, banhado de cultura automotiva. É o seu hobby e o seu trabalho – neste ano, ele completa exatamente uma década como fotógrafo automotivo profissional, função que o permitiu ter acelerado mais de 200 modelos de automóveis diferentes, sem contar versões. E nessa degustação é que cresceu o seu fascínio pelos BMW:

Toda vez que aparecia um BMW para ser fotografado, eu voltava feliz pra casa. Havia uma conexão, algo natural. Ergonomia incrível, posição dos pedais incrível, uma dinâmica muito esportiva e comunicativa. Lembro que o primeiro choque foi quando provei o 335i E90, há muitos anos. Mas o que realmente acendeu a chama de vez, que me fez correr atrás do sonho, foi quando fotografei dois modelos em sequência: o M5 F10 e o 335i F30, sendo que este último acabei ficando durante um fim de semana para fazer o ensaio. Não teria mais volta.

Nessa época eu já tinha a ideia de pegar um outro carro de entusiasta além do meu VTI. E a overdose de BMW acabou definindo isso. Meu sonho de adolescência era o M3 E46, mas sabia que seria economicamente inviável. Eu já vinha acompanhando os 330i E46, sabia que havia manuais e que eram raríssimos, mas nunca tinha visto um anunciado. Até que…”

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Das aulas de Ingo Hoffmann à garagem de Fábio

Na segunda-feira em que Aro devolveu a 335i fotografada, ele decidiu fazer mais uma busca por modelos de transmissão manual da BMW. E então, surge o inesperado: um raríssimo 330i Motorsport à venda. O nome Motorsport foi dado pela BMW no Brasil, e se refere aos 330i equipados com todos os componentes de performance Sport, oferecidos na Europa de forma individual pela marca.

Para se ter uma ideia da raridade, apenas seis BMW 330i Motorsport manuais foram importados pela BMW na época, todos pretos, todos 2003, todos manuais e com a placa com as iniciais FDT. É a sigla de “frota Driver Training”, nome do curso de direção de defesa pessoal e controle dinâmico limítrofe da BMW, ministrado na época pelo piloto Ingo Hoffmann, e que ficou conhecido entre os entusiastas pelas derrapagens controladas nas demonstrações de como recuperar um veículo em situações de sobre-esterço com pista molhada. A BMW nunca importou ao consumidor final um 330i M Sport manual, apenas os carros do Driver Training, que vieram da planta de Munique.

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Câmbio ZF de cinco marchas tem escalonamento esportivo (quinta marcha 1:1). A posição de pedais é perfeita para o punta-tacco

Como que por obra do destino, este carro havia sido anunciado um dia antes e, curiosamente, alguns membros do fórum Bimmer Brazil já tinham localizado o anúncio, mas acharam que o carro estava com a pintura danificada. E sua experiência como fotógrafo o fez tirar a prova:

Em uma das fotos, a metade do lado direito parecia fosca, de uma forma específica. Mas na foto de traseira, era o outro lado que parecia fosco, exatamente da mesma forma. Olhando com mais atenção, vi que era gordura na lente, talvez uma impressão digital. Não perdi tempo: na terça-feira fui visitar o carro, em Alphaville (SP), e na sexta-feira já estava voltando pra casa com ele!”

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Seria a sua primeira vez ao volante de um 330i E46. Acostumado aos BMW mais modernos e esportivos, será que haveria alguma quebra de expectativa pelo tiro no escuro? “Na saída de Alphaville rumo à rodovia Castelo Branco, há um tipo de “S”…sem trânsito algum, não tive dúvida. Botei minha dúvida à prova. E fiquei muito impressionado positivamente, mesmo com algumas buchas com folga, com alguns detalhes de manutenção que logo de cara percebi. Ele fez muito mais curva do que eu esperava. O potencial estava claro, e o DNA que eu tinha provado nos irmãos mais novos estava ali”, comenta Aro, empolgado.

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Em vez de já partir para uma mistura de manutenção com upgrades, Fábio fez questão de antes restaurar o veículo ao seu estado ideal de manutenção preventiva OEM. A razão para isso é que ele queria experimentar o carro do jeito que a fábrica havia o idealizado antes de considerar qualquer alteração – especialmente porque a versão Motorsport já concentra uma série de melhorias dinâmicas em relação aos modelos 330i Top. Amortecedores, bandejas, buchas, bobinas, sondas, todos os o-rings, nada sobrou sem ser revisto.

 

Upgrades de fábrica e aftermarket

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Como falamos lá em cima, o modelo Motorsport traz uma série de upgrades de performance em relação à versão de luxo Top. No padrão de nomenclatura atual da BMW, seu nome seria algo como M330i. Ele traz suspensão M Sport (código 226), com maior carga, discos de freio redimensionados (325 mm x 25 mm na dianteira e 320 mm x 22 mm na traseira, contra 286 mm x 22 mm e 276 mm x 19 mm do modelo Top), kit aerodinâmico M Aerodynamics Package II, com para-choques M-Tech II (o dianteiro tem dutos de refrigeração para os freios da frente) e saia lateral Sport, rodas esportivas 17 x 7,5 na dianteira e 17 x 8,5 na traseira, e escape BMW Performance. Para se ter uma ideia, até mesmo a geometria de suspensão do modelo Motorsport é diferente em relação à Top: até 0,42 grau de cambagem negativa extra na dianteira e 0,56 grau negativo a mais na traseira.

E a bateria no porta-malas, sempre em posição diagonal oposta ao motorista? De série em todas as versões – coisas de engenheiros entusiastas…

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Na parte estética e de conforto, a versão Motorsport traz volante MSport multifuncional, revestido em couro e com diâmetro menor, soleiras e emblemas M, bancos Sport revestidos de couro e com ajuste elétrico, máscara negra nos faróis de xenônio com acabamento preto nos projetores, frisos do painel no padrão Aluminum Black Cube (lembra um pouco a textura de fibra de carbono), teto e colunas revestidas em tecido na cor cinza Anthracite, frisos externos BMW Individual, com pintura em preto sólido.

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Depois de deixar o 330i em condições impecáveis, Aro partiu para melhorias sutis, com filosofia minimalista: mais resistência, mais fluxo, mais aderência. Instalou um kit de reforço nas torres dos amortecedores dianteiros (original BMW), bandejas de suspensão reforçadas e com buchas e pivôs também heavy duty, da Meyle, sistema de escape Magnaflow Stainless Catback com dois tubos de 2,5″e, como solução de cold air intake, um air box aFe Magnum Force Stage-1 Pro 5R.

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Um jogo de coletores dimensionados e remapeamento de injeção e ignição estão no radar como próximos passos. Atualmente, o carro rende 218 cv e 26,5 mkgf nas rodas, aferidos em dinamômetro – algo próximo a 265 cv e 35 mkgf no motor, um ganho de 18 hp nas rodas. Na lista de upgrades, Fábio escolheu os pneus Dunlop Direzza DZ101.

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Eu já tinha usado pneus Dunlop no meu Civic VTI. Gosto bastante da marca e do desempenho deles e queria algo com laterais (flancos) mais firmes, com resposta de direção mais rápida que os originais que estavam no BMW. Originalmente eu iria usar os Dunlop Sport Maxx, mas a medida dos traseiros que precisava, 245/40 R17, não havia em catálogo. Felizmente, no caso dos Direzza DZ101, sim. Foi uma boa escolha. Fiquei muito satisfeito com o grip no seco e no molhado e com o feedback de direção deles.”

Como cereja do bolo, Aro acrescentou pequenos toques de personalização: Angel Eyes CCFL, projetores de xenônio H3C 4300K nos faróis de neblina, grades dianteiras na cor preto sólido (originais BMW), e lâmpadas internas e de placa em LED branco.

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Entre muitas viagens, subidas de montanha e esticadas em estradas de todo o sudeste, uma experiência ficou marcada em sua memória: o dia em que ele andou no autódromo da Capuava totalmente sozinho, após um ensaio fotográfico de um outro veículo.

Quando terminei as fotografias, levei o BMW até os boxes para guardar o equipamento. Coisa de praxe. E brinquei com a turma da pista: “putz, pra sair daqui vou precisar fazer a volta inteira na pista, hein!”. Esperando uma risada ou algo do tipo, tomei como resposta “claro, anda aí!”. E eu fui, sozinho na pista, num belo fim de tarde. Foi muito legal pra experimentar os limites do carro – e lá, deu pra ver o quanto que a dinâmica dele é neutra, até levemente traseira em algumas situações.

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E a sensação de fotografar o próprio carro? “É aquela coisa, santo de casa… a gente acaba nunca fotografando o próprio carro. No máximo alguma coisa de celular, mas nada produzido. Então foi engraçado, foi diferente. Tratar as fotos foi trabalhoso tecnicamente porque fotografar um carro preto é um inferno, um carro preto à noite é um inferno vezes dois, um carro preto à noite iluminado, vezes três, e com a umidade do sereno manchando a carroceria, vezes quatro. Mas o resultado foi mais do que compensador. Talvez eu nunca tivesse o registrado dessa forma memorável não fosse este projeto. Fiquei muito feliz, e muito honrado por ter sido escolhido para iniciar este canal. Espero que vocês curtam!”

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O 330i Motorsport de Fábio Aro foi a escolha da equipe do FlatOut para iniciar o canal da Dunlop por uma série de motivos: é um carro extremamente raro no Brasil, tem todas as características que um gearhead entusiasta sonha – tração traseira, motor torcudo, elástico e com ronco eletrizante, dinâmica precisa e envolvente, câmbio manual, bastante veloz – e, no topo disso, não é um automóvel de valor exorbitante. É um sonho possível. Mais do que isso, tanto Ingo Hoffmann quanto o Fábio Aro fazem parte da história do FlatOut. Não poderia ser diferente.

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Dunlop Direzza DZ102

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O nome Direzza remete diretamente aos pneus de competição usados no campeonato japonês de Super GT. O DZ102, lançado no fim do ano passado, é a evolução do DZ101: de acordo com a Dunlop, o novo modelo teve performance de frenagem melhorada (5% de aumento no molhado e 3% no seco), resistência aumentada em 28% e ainda ficou 26% mais silencioso.

O Direzza DZ102 é um pneu UHP (Ultra High Performance) muito usado por entusiastas, por combinar ótima relação de custo-benefício, respostas dinâmicas precisas e bastante aderência, tanto no seco quanto no molhado. Para isso, ele combina carcaça rígida e reforçada, banda de rodagem de desenho esportivo e construção inteiriça, sem emendas (Sun System), três largos canais de escoamento e, por fim, o composto Silicarbon Matrix, que mistura carbono preto e sílica – material que deixa o composto mais flexível, aumentando seu encaixe com o asfalto em escala molecular.

Note o tamanho dos blocos da banda de rodagem – especialmente nos ombros. Meant to be driven hard! Como no SP Sport Maxx, o Direzza DZ102 tem estrutura reforçada com dupla cinta de aço, além do Max Flange Shield, um reforço adicional na lateral do pneu feito para proteger as suas rodas de ralados acidentais. Treadwear UTQG 460.

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