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Sessão da manhã Vídeos Zero a 300

É assim o ronco de um Opel Kadett com motor de 10.000 rpm subindo a montanha

No Brasil o Chevrolet Chevette é um dos poucos carros que oferecem tração traseira para as massas – ainda dá para encontrar um exemplar funcional e pronto para descer o pau nas cabrita curtir por um precinho camarada. Especialmente se você não fizer questão de um carro 100% impecável e original. Lá na Europa, porém, há muito mais opções – o pessoal que escolhe o Opel Kadett (ou Vauxhall Chevette, no Reino Unido) o faz porque realmente gosta e conhece o potencial do projeto.

E qual é o tamanho deste potencial? Bem, este Opel Kadett coupé com motor 2.0 naturalmente aspirado de quase 300 cv capaz de girar a 10.000 rpm nos parece um excelente indicativo. Se você gosta de ronco de motor (e quem não gosta?) procure um par de fones de ouvido para não incomodar o pessoal do trampo e se delicie com este quatro-cilindros nervosinho.

O vídeo foi gravado durante a edição de 2017 do Cividale Castelmonte Hillclimb, subida de montanha realizada em Cividale del Friuli, no norte da Itália, bem perto da fronteira com a Áustria e a Eslovênia – é por isso que lá também se fala alemão. O Kadett/Chevette faz parte da categoria E1-2000, para carros com deslocamento entre 1.601 cm³ e 2.000 cm³ sem qualquer tipo de indução forçada. All motor.

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O Opel Kadett pertence ao austríaco Hermann Blasl, que formou a equipe Racing Team Blasl ao lado de seu irmão Markus. Blasl participa de eventos regionais com carros da Opel há mais de três décadas. Primeiro, foi um Opel Manta comprado em 1986. Em 1988, o Manta deu lugar a um Opel Kadett C, com o qual Blasl correu por 23 anos (!) antes de comprar o atual Kadett. Sim, três carros em 32 anos, e todos os três da Opel. Isto é que é ser fiel a uma marca!

Atualmente o carro de Hermann é equipado com um motor da família CIH da Opel. Como já dissemos algumas vezes aqui no FlatOut, CIH vem de Cam-In-Head, que significa “comando no cabeçote”. O comando ficava, de fato, no cabeçote, porém posicionado ao lado válvulas, e não acima elas como nos motores OHC/

Enfim: a versão de quatro cilindros do motor CIH não foi oferecida com comando duplo, mas a de seis cilindros foi (na Europa, não no Brasil). Por isso, ele acabou por pegar um cabeçote de Omega 24v e, aproveitando que as medidas de curso, diâmetro e distância entre o centro dos cilindros são iguais, serrou fora dois cilindros para instalá-lo no motor de seu Chevette. Agora, o motor é um 2.0 16v com corpos de borboleta individuais e injeção multiponto.

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Com diâmetro de 95 mm e curso de apenas 69,8 cm, o quatro-cilindros tem muita disposição para girar e entrega nada menos que 290 cv a 9.000 rpm, com corte de injeção a 10.000 rpm. O carro usa um câmbio sequencial de seis marchas Tractive com trocas na alavanca e diferencial traseiro com blocante de até 75%. Graças à carroceria aliviada, o carro agora pesa apenas 850 kg. O monobloco é original – não se trata de uma bolha de fibra com estrutura tubular.

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A suspensão ajustável KW e os pneus Avon tornam a dinâmica do Kadett bastante neutra, e a pilotagem de Hermann é bastante agressiva: ele freia tarde e por pouco tempo, a carroceria rola pouco e a traseira só escapa quando o piloto deixa. Hermann ficou famoso localmente por seu estilo de conduzir, aliás.

E também pelo ronco de seu Chevette (para nós, sempre será Chevette, até porque ele veio antes do Kadett…) de 10.000 rpm. Não é para menos!

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