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Project Cars Project Cars #383

“Em nome do Pai”: a preparação do meu Volkswagen Gol GL “aspro” finalmente está concluída

Olá a todos. Chegamos ao último capítulo (será?) da saga do meu GL, onde praticamente cinco anos de suor, dinheiro, privações e emoções enfim seriam colocados à prova.

Parece exagero? nem um pouco. Sempre tive que trabalhar duro para conquistar cada peça que coloquei nele, infelizmente (ou felizmente) as coisas não vieram fáceis, então pra mim foi uma vitória cada passo nessa caminhada.

Um grande amigo da cidade de Campinas, o Thiago Bortoto, que muito me ajudou em diversas ocasiões havia organizado um churrasco de final de ano em seu lava-rápido com a presença de vários quadradeiros e essa parecia ser a oportunidade ideal para avaliar como estava o comportamento do carro, visto que enfrentaria mais de 1.000km alguns dias depois e assim segui pra lá num sábado de dezembro de 2014.

Como quando queremos “analisar” melhor a preparação  na estrada passando Mogi Mirim encontrei um A4 210cv, fiz as contas rapidamente e conclui que seria interessante medir as forças com o sedã, resumindo, acreditem ou não o danado não abriu mais que dois ou três carros em um trecho de quase 40km de ”shift aceso”, (havia o trânsito normal da rodovia, lembre-se)  até que peguei uma turbulência numa aproximação mais ousada e minha grade voou por cima do teto do carro, felizmente não atingindo nada que vinha atrás, imediatamente aliviei o pé pois não sabia o que mais fora danificado na frente. Felizmente foi só a grade e pude curtir a tarde com pessoas incríveis partilhando a experiência de cada um.

Voltei pra casa no final da tarde observando novamente o comportamento nas várias faixas de rotação, proporção da mistura, injeção rápida, se havia algum cheiro estranho e na segunda mandei ele pra um bom banho para enfrentar a estrada. O roteiro seria São João da Boa Vista – Aparecida – São Lourenço (MG) – São João da Boa Vista – Sorocaba – Ilha Comprida 0 São João da Boa Vista, sem dúvida um prova de fogo, ou de água…

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O carro chegou limpíssimo em casa no dia 22/12, havíamos combinado de sair dia 23 de madrugada rumo ao Santuário nacional, porem por um caminho que meu pai adorava fazer, que é pelo Sul de Minas, antes de mais nada uma foto do motor na garagem para documentar (coisa de dono com TOC).

Durante a noite caiu um diluvio e confesso que por um momento pensei em ir de Fiesta, porém não fazia sentido ficar com mimimi de pôr um carro totalmente pronto só por conta da chuva e assim seguimos o plano e saímos às 6 da manhã. A viagem transcorreu normalmente até a primeira parada próximo a Itajubá, quando ao manobrar no pátio do posto senti um estalo vindo da frente do carro e segui viagem, descendo a serra de Piquete, os estalos ficaram mais fortes e uma nítida vibração no volante começou a ser sentida nas frenagens. De imediato suspeitei de disco de freio empenado e decidi ir um pouco mais devagar para verificar o que estava acontecendo assim que chegássemos em Aparecida.

Aparecida

Chegando no Santuário nacional ainda chovia então resolvi estacionar, porém ao engatar a ré o carro travou, só ia pra frente, ficou atravessado no meio do corredor, na hora gelei “será que foi o câmbio?”. Ergui ele no macaco e verifiquei que a pinça de freio da roda direita estava solta e já havia perdido um parafuso, por algum motivo quando foram instalados os adaptadores/espaçadores não foi conferido o aperto e por pouco não causa um acidente.

A pergunta era: onde encontrar um parafuso da pinça do Gol na antevéspera de Natal embaixo de chuva? Peguei um táxi e pedi pra ir até a concessionaria VW, chegando lá um dos mecânicos meu deu três parafusos, um de cada tamanho, para que eu usasse o que melhor se encaixasse na minha torre. Como sempre viajo com uma maleta de ferramentas, foi relativamente fácil a instalação. Aproveitei e conferi os demais parafusos e seguimos viagem. Aproveitei a viagem para ajustes finos em alguns detalhes como travas elétricas, respiro do radiador e mistura ar/combustível. Nessa viagem a média foi de incríveis 8,5km/l.

Retornei dia 26/12 acumulando vários quilômetros e muita história, na volta o Dudu veio comigo, aproveitamos para pegar algumas guloseimas, o DVD do filme Turbo e voltamos com a mesma média de consumo, muito bom para um motor aspirado, carburado com comando acima de 290 graus.

Dudu

 

Na segunda parte da Road Trip fui com minha namorada e alguns amigos para Ilha Comprida passar o réveillon, porém na cidade o sinal 3g praticamente inexiste e pra ajuda junto foi um colega quadradeiro também. Íamos à padaria no centrinho a noite para receber mensagens, navegar nas redes sociais e ligar pra casa, foi então que ele recebeu via Whatsapp a foto do meu motor(!!!), aquela foto que tirei na garagem da minha mãe e postei. A foto já estava em alguns sites, inclusive de revistas de performance e eu simplesmente pirei.

garagem da mãe

Assim que voltei começaram algumas solicitações de amizade no Facebook, pessoas querendo saber se o carro era meu, pedindo detalhes da construção. Convite para seção de fotos e pensei “ o carro tem algumas imperfeições, foi idealizado por dois mecânicos amadores, como vou exibi-lo assim ? (nunca se esqueçam, tenho TOC). Então resolvi procurar meu mecânico na cidade para sanar alguns detalhes, refazer o banho em algumas peças, um ajuste mais fino na giclagem, troca de velas por mais frias para usar mistura mais rica e outros pormenores. Quando digo “meu mecânico” me refiro ao Marcelo Muraro ou Muralha como era mais conhecido nos anos 90, tem em seu currículo a preparação de vários carros de ponta e a experiência dividida com nomes como Nicola, Coração, Nenê da Giba, Vinicius Maschio (in memorian), Kalil (in memorian), Heraldo Bueno, Guerrinha e tantos outros, sem dúvida um cara do mais alto gabarito quando falamos de preparação de motores.

Paralelo a isso recebi o convite do Rafa Souza do blog Run4Fun para mostrar o projeto, o pessoal da Racemaster fez uma sondagem, mas não evoluímos, foi então que enviei uma foto ao Evandro Nabor de Lima, da Revista TechSpeed e quando disse que o carro era meu, surgiu o convite para uma matéria, como conheço seu trabalho há anos, topei, porem disse que precisava terminar os detalhes (eita TOC!!! ).

Capa

Sem dúvida alguma toda essa exposição do projeto estava causando algumas sensações distintas, sou uma pessoa totalmente tímida, não gosto de me expor, após a perda do meu pai senti que fiquei ainda mais retraído, porem essa talvez fosse uma chance de me socializar melhor, de poder trocar experiências e de certa forma colaborar para a Cena automotiva em nosso País.

pai

Hoje afirmo com toda certeza que esse projeto mudou minha vida, a forma de enxergar detalhes, de valorizar o que temos, trocar experiências de vida. De repente de 300 e poucos contatos eu estava beirando os 600 e foi então que descobri que nem todos tem boas intenções. Um sujeito cujo nome vou preservar me adicionou se apresentando como Designer Automotivo, propondo algumas modificações no visual (pintura dos para-choques como nos Voyage Sport, com eliminação do ressalto da placa dianteira) com o intuito de “lançar”, você leu bem “lançar” meu carro no BGT7, argumentei que o projeto estava concluído, não mudaria um parafuso sequer pois aquele visual era o que eu e meu pai havíamos planejado. Recebi algumas críticas, algum sarcasmo a respeito do projeto e por bem preferi deletar a pessoa. Coisas da cena…

Fevereiro havia chegado e eu estava em contato com o Alexandre do blog AleRoazBackstage para a seção de fotos, o Ale conseguiu o aeroporto de Araras como cenário e pra lá segui em um domingo. Confesso que foi uma grande experiência poder documentar em mais de 200 fotos o resultado de 5 anos de dedicação e mais que isso, o Evandro me pediu para escrever o texto da matéria, eu não poderia falhar de forma alguma.

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Para o título escolhi um trocadilho, EM NOME DO PAI, uma alusão a minha fé e também uma dedicatória a pessoa que me guiou e me guia até hoje. Procurei descrever a história de uma forma resumida, enviei e aguardei ansiosamente pela publicação. Passados alguns dias recebo via Whatsapp a foto da capa da TechSpeed com meu carro acompanhada do termo OldSchool, aquilo era a coroação, o reconhecimento de toda uma vida. Logo em seguida o Evandro me propôs uma coluna, onde eu teria tema livre para abordas, impensável até então, resolvi encarar e ainda escrevi dois textos sobre dois Gol turbo. Realmente eu havia agradado o Boss.

Chegamos a novembro e enfim eu iria levar o carro ao BGT7, era um objetivo que eu tinha, tudo pronto, inscrição garantida e partimos minha namorada e eu as 4 da manhã rumo a Aguas de Lindoia, consegui um lugar laaaaaaaaaa no cantinho de cima, perto do parquinho, mas não me importava, enfim estava lá. O Gol ficou cercado de pessoas várias vezes no dia, muitos perguntando sobre os detalhes do Wiretuck, da reforma, da sonorização e do histórico dele. Final da tarde estávamos exaustos, havíamos dormido somente duas horas aquela noite e então resolvemos ir embora, não participando do julgamento do domingo, o objetivo já estava alcançado, agora era ir pra casa descansar e pensar em algumas modificações.

Optei pelo clássico multímetro para acompanhar a proporção ar/combustível — era assim que se fazia nas décadas de 80 e 9 —  então mantive como uma lembrança das nossas raízes. Porém sempre levava alguma alfinetada por isso, alfinetada vinda de pessoas que usam toca-fitas em seus painéis, da mesma forma que o toca-fitas remete aos tempos áureos, a minha visão de multímetro era idem, mas aquilo já estava começando a me incomodar.

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Então enviei o Gol pra Áudio Art para a confecção de dois pods de fibra de vidro pintados de do mesmo cinza de alguns detalhes do painel e dos para-choques e voilaaaaaaa, 60!! dias depois estava pronto. Imagino que essa seja a última atualização a ser feita.

Enfim chegamos a hoje, 03/10, estou finalizando a epopeia de ser construir um projeto fora dos padrões até então. E o Gol…

…bem, o Gol está desmontado para a colocação de rastreador e troca do alarme, esse TOC parece que nunca acaba!

Por Fernando Gorks, Project Cars #383

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Uma mensagem do FlatOut!

Fernando, que bela homenagem àquele cara que é sempre o primeiro heroi de todo moleque. Seu projeto nos chamou a atenção por ser calçado completamente no seu gosto e nas suas intenções, sem se preocupar com o que vão dizer — além, é claro, do capricho no visual e na montagem. Bela máquina e belo projeto. Parabéns pela conclusão.

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