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Car Culture

Entenda a evolução e o atual sistema de nomes da BMW

Houve uma época em que os nomes dos carros da Mercedes e BMW explicavam tudo o que você precisava saber sobre eles. BMW 323? Fácil, é um Série 3 com motor 2.3. Mercedes C180? Moleza: um Classe C com motor 1.8. M3? Esportivo da Série 3. C36 AMG? Classe C com motor 3.6 feito pela AMG. Simples, prático e racional, como uma boa criação alemã.

Infelizmente, com a evolução dos motores e a chegada do downsizing a partir do início da década passada, o negócio começou a desandar e tudo começou a ficar um pouco confuso. Agora os Mercedes-AMG 63 podem ser 4.0 ou 5.5, a BMW dobrou o número de séries dividindo-as em duas e o 440i não usa um motor V8 como o antigo 540i.

Para ajudar a organizar as coisas, vamos relembrar a metodologia da nomenclatura das duas marcas que consagraram esse sistema alfanumérico e mostrar como ele evoluiu até chegar onde está — e também explicar como tudo funciona hoje. Preparado para a salada de letras e números? Então vamos para a primeira parte, começando com a BMW.

 

Colocando lógica nos nomes

Os primeiros BMW eram batizados apenas com o nome do projeto, algo comum no início do século XX. A referência à motorização surgiu apenas nos anos 1960, quando a BMW lançou sua Neue Klasse, a linha de sedãs que praticamente definiu o sedã alemão moderno comum. Os Neue Klasse eram modelos médios equipados com motores de quatro cilindros. Para diferenciá-los uns dos outros, eles foram batizados com sua cilindrada arredondada em centímetros cúbicos. O Neue Klasse com motor 1.5 era o 1500, o modelo com o motor 1.6 era o 1600 e o 2.0 era o 2000. Os cupês eram identificados pelas letras C (coupé) e CS (coupé sport) após o número, caso do 2000C e 2000CS.

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Em 1964, quando a BMW decidiu lançar uma versão menor dos sedãs Neue Klasse, ela adotou o sufixo 02 em seus nomes para identificá-los como modelos de duas portas — assim, o 1602 era um Neue Klasse 1.6 de duas portas. Hoje estes modelos — dentre os quais está o clássico 2002 — também são conhecidos como Série 02, mas na época esta não era uma designação oficial. O mesmo esquema foi seguido pela segunda nova classe da BMW, os BMW New Six, que eram os sedãs e cupês de seis cilindros, lançados em 1968.

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Os modelos New Six introduziram também o sistema de letras usado até hoje pela marca: quando o modelo usava injeção eletrônica, ele ganhava a letra “i” após seu nome. Quando seu chassi era alongado, ele recebia a letra “L”. Os cupês também recebiam as mesmas letras, mas neles o “L” significava leichtbau ou “leve” em alemão. Assim o CSL era “Coupe Sport Leichtbau” um cupê esportivo leve, e o 3200iL era um sedã injetado de chassi alongado.

Como a BMW tinha apenas duas classes de sedãs/cupês e uma delas usava apenas motores de quatro cilindros de 1,5 a 2 litros e a outra usava apenas seis-cilindros de 2,5 a 3,3 litros, era fácil diferenciar os carros. Um 1502 era um modelo 1.5 de duas portas de porte compacto, um 2000 era um sedã médio de quatro portas, um 3000C era um cupê grande de seis cilindros. Fácil.

Mas não por muito tempo.

 

O nascimento das Séries

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O sistema funcionou bem até meados dos anos 1970, quando a BMW começou a desenvolver os sucessores da Neue Klasse, até então conhecidos pelo código E12. O problema é que a marca pretendia adotar motores de seis cilindros no E12, o que significaria uma sobreposição de nomes — algo que a Mercedes-Benz enfrentou na mesma época, como veremos depois. Um E12 com o motor 2.5, segundo o sistema de nomenclatura da época, seria batizado como 2500, porém este já era o nome do New Six 2.5 fabricado desde 1968.

A solução veio de Bob Lutz (contamos a história aqui): o americano estava na BMW na época e sugeriu aos chefes um sistema de nomenclatura que dividiria os modelos por séries: “Eu pensei em chamar os modelos de entrada de Série 3, os intermediários de Série 5 e os maiores de Série 7. Esse número seria sempre o primeiro da designação deles. Os dois outros dígitos seriam para o motor, então poderíamos ter o 316, o 318 etc. O intermediário, que ainda não lançamos, mas que virá com o motor 2.0, pode ser o 520. Quando lhe dermos o motor de seis cilindros 2.5, ele será o 525, que não poderá ser confundido com nosso modelo de luxo, já que este será o 725″.

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Qual o motor e a série? Fácil descobrir não?

E foi assim que nasceram as Séries da BMW. Com elas também vieram novas letras: Ti (turismo internationale), A (automatic), x (lê-se “cross”, para designar modelos de tração integral), “d” para diesel, “c” para cabriolet, e claro, o sagrado “M” da divisão esportiva da marca.

O sistema foi usado praticamente inalterado até os anos 1990, quando surgiram as primeiras distorções no sistema. Os BMW 323 E36, por exemplo, usavam motores 2.5 e os 318 tiveram versões com motor 1.9. No final dos anos 1990 o 740i E38 usava um 4.4, assim como o 540i E39. Em 2002 o 318i E46 usava um 2.0 e o 320 E46 usava um 2.2 de seis cilindros.

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BMW 740i 2000: Série 7 com motor 4.0? Quase: o V8 é 4.4

Depois disso o sistema desandou completamente: quando as primeiras Séries desenvolvidas no século 21 começaram a chegar, os motores passaram a usar turbos e calibragens diferentes mesmo nos modelos aspirados, e a nomenclatura passou a ser associada aos níveis de potência. O 318i e o 320i passaram a usar o mesmo motor 2.0, porém com potências diferentes — um tinha 136 cv e o outro 156 cv. Na Série 5 o 525, o 528, o 530 e o 535 usavam um 3.0, porém o último era um motor turbo e não havia nenhuma letra que indicasse isso.

Para complicar ainda mais a BMW desenvolveu novas Séries desde nos anos 1990. Primeiro veio a linha de roadsters Z e depois os crossovers X, que nunca usaram o deslocamento do motor nos nomes e tampouco tinham relação com as séries, embora o Z3, o X3 e o X5 fossem relacionados às Séries 3 e 5, respectivamente.

 

Quase tudo novo

Mais recentemente, a BMW decidiu reformular tudo mais uma vez, separando as Séries em sedãs/hatches e cupês. A marca determinou que as séries ímpares designariam os sedãs ou hatches, e as pares os cupês. Os SUVs seguiriam o mesmo padrão: os modelos convencionais, com a traseira em forma de caixote ficam com as séries ímpares e os “cupês”, com o teto em queda na traseira (chamados de CUV pela BMW), com as séries pares.

As séries pares também designam os cupês de quatro portas, identificados pelo nome “Gran Coupe”. Os SUVs agora são diretamente associados às Séries das quais derivam. Há ainda a série Gran Turismo (GT), que é uma espécie de crossover que combina a altura de rodagem de sedã com a versatilidade dos SUVs em um formato de hatchback fastback.

Assim, o sistema atualmente é o seguinte:

Série 1: hatchback, sedã e SUV
Série 2: cupê, conversível e minivan
Série 3: sedã, perua, GT crossover e SUV
Série 4: cupês de duas e quatro portas (Gran Coupe), conversível e CUV
Série 5: sedã, perua, GT crossover e SUV
Série 6: cupês de duas e quatro portas (Gran Coupe), conversível e CUV
Série 7: sedã

Os dois últimos dígitos deixaram de designar a cilindrada e passaram a indicar níveis de potência, porém sem uma relação numérica direta. Por exemplo: o atual 530i usa um 2.0 turbo de 252 cv — que é o mesmo motor do 330i e do 730i, embora neste último a potência seja 258 cv. Como não há relação numérica direta, a única lógica é que quanto maior o par, maior a potência — por exemplo: o 116i é o modelo de entrada da Série 1 e o 140i é o modelo topo-de-linha; o 730i é o modelo de entrada da Série 7 e o 760i é o topo-de-linha.

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M5 e M6 Gran Coupe

Nos SUV/CUV o nome é acompanhado pelos mesmos dois números que indicam o nível de potência dos sedãs/cupês, acompanhados do tipo de tração. Sim: o sistema de tração também tem nome: sDrive para modelos de tração dianteira ou traseira, e xDrive para modelos de tração integral. Assim, o X1 com o motor 2.0 turbo de 192 cv e tração dianteira é o X1 sDrive20i, enquanto a versão com tração integral é o X1 xDrive20i e o modelo com o motor 2.0 turbo de 231 cv e tração integral é o X1 xDrive25i. Da mesma forma o X5 de tração traseira e motor 2.0 turbodiesel usa o nome X5 sDrive25d e o modelo de tração integral usa o nome X5 xDrive25d.

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Os roadsters usam o mesmo sistema de nomenclatura dos SUV/CUV, porém sem a indicação da tração. O último Z4, por exemplo, chamava-se Z4 18i ou Z4 25i ou Z4 35i

Os sedãs e cupês só adotam a nomenclatura de tração quando ela é integral, ou seja, diferenciada do padrão do carro. O atual 530i com tração traseira chama-se apenas 530i e sua versão de tração integral é o 530i xDrive.

Por último, há os modelos híbridos/elétricos, que usam a letra e ao final do nome, mas a regra não se aplica aos modelos da Série “i”, que atualmente tem apenas o i3 e o i8.

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