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Equus Bass 770: um novo muscle car antigo com motor V8 supercharged de 650 cv

O revival dos muscle cars retrô iniciado pelo Ford Mustang parece estar acabando: o próprio Mustang assumiu um visual verdadeiramente moderno em sua atual geração, o novo Chevrolet Camaro diluiu bastante as influências do clássico de 1967 em seu design, e podemos esperar que a Dodge siga pelo mesmo caminho quando for lançar o novo Challenger.

Dito isto, o apelo de dirigir um carro moderno com visual clássico jamais perderá força — não é à toa que projetos de restomod, que colocam mecânica e equipamentos atuais em carros antigos, são tão bem vistos entre os entusiastas. Mas o que acontece quando alguém decide criar um “novo carro antigo” do zero? Surge o Equus Bass 770.

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Nós falamos dele quando ainda éramos o Jalopnik Brasil, há um bom tempo, mas nada mais justo que colocá-lo aqui no FlatOut também — especialmente depois que alguns leitores nos deram o toque. E ele é um carro bem interessante, mesmo!

Não se sabe muito sobre seu idealizador, o empresário libanês Bassam Abdallah, além do fato de ele ter muita grana (claro) e de ser fã da cultura americana dos anos 1960 e 1970. Abdallah decidiu criar a Equus — cujo slogan, “Born in the USA”, é emprestado de uma música do Bruce Springsteen — para trazer de volta o espírito dos muscle cars clássicos americanos em um carro totalmente novo e mais potente do que qualquer coisa que rodasse nas ruas naquela época.

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Seu primeiro e único modelo até agora é o Bass 770. “Bass” significa baixo elétrico em inglês, enquanto “770” (pronuncia-se “seven seventy”) representa o deslocamento individual de cada cilindro do motor V8 Chevrolet LS9 de 6,2 litros.

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Com compressor mecânico, o motor igual àquele usado pelo Corvette ZR1 da geração passada (C6) entrega 646 cv e 83,6 mkgf de torque e fica montado em posição central-dianteira, em um monobloco de alumínio desenvolvido in house. Ele é capaz de levar o Bass 770 até os 100 km/h em 3,4 segundos, com máxima de 340 km/h, de acordo com a Equus.

Não nos parece nada mau — ainda mais com este ronco, que combina perfeitamente com o visual do Bass 770. Ao olhar para ele ficam claras as influências dos muscle cars de outrora. A carroceria, toda feita de alumínio com painéis de reforço de fibra de carbono, lembra bastante a do primeiro Mustang — aliás, não nos surpreenderíamos se fosse uma daquelas carrocerias de Mustang novas, fabricadas pela Dynacorn.

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A dianteira lembra um pouco o Pontiac GTO pela grade dividida, o Dodge Challenger pelos faróis recuados e o Shelby GT500 pelos faróis auxiliares no para-choque; enquanto a traseira remete ao Camaro, ao próprio Challenger (especialmente o modelo 1970) e, novamente, ao Shelby GT500. É uma mistureba que tinha tudo para dar errado, mas vai dizer que não ficou bacana?

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Por dentro, o painel revestido com couro, o volante de três raios, a manopla redonda na alavanca de câmbio e o design dos bancos e forros de porta poderiam ter sido projetados por qualquer uma das três grandes de Detroit e, apesar dos elementos modernos (como a tela sensível ao toque no painel, o ajuste elétrico dos bancos e o sistema de ar-condicionado digital), o design transpira old school. Tudo também parece muito bem acabado, ou ao menos esta é a impressão que as fotos deixam.

A Equus ainda garante que a dinâmica do carro fica bem à altura do visual. A suspensão usa amortecedores magneto-reológicos fornecidos pela Chevrolet, os freios são de carbono-cerâmica e a posição central-dianteira do motor somada ao uso de um transeixo na traseira — com câmbio manual de seis marchas — dá conta de tornar o Bass 770 bastante equilibrado.

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Agora, é claro que tudo isso custa dinheiro. Como você deve imaginar, a produção do Bass 770 é quase totalmente artesanal — a fabricante diz que cada carro leva pelo menos 5.000 horas de trabalho para ficar pronto. Em 2014, quando a Equus apresentou o carro no Salão de Detroit, falava-se em três unidades já prontas e mais 20 em processo processo de fabricação. A imprensa especializada não falou mais nada a respeito mas, de acordo com a companhia, a produção continua.

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E eles custam caro: o preço parte de US$ 534 mil, ou R$ 1,8 milhão em conversão direta. Sim, é muita grana, mas talvez seja este o preço da exclusividade…

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