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Era assim um Lancia Delta HF Integrale zero km – e este aqui está à venda

No fim do ano passado mostramos aqui um Audi Quattro de homologação do Grupo B. E, pelo visto, 2015 continuará sendo um ano bem propício para preciosidades deste tipo à venda, porque agora nós encontramos um Lancia Delta HF Integrale edição especial FlatOut Martini Racing novinho em folha que será leiloado em breve. É o mais próximo que já vimos de um Delta Integrale 0 km, e é simplesmente maravilhoso.

Não é segredo algum que as cores do FlatOut são uma homenagem à Martini Racing, e foi assim quando, em 1992, a Lancia apresentou esta edição especial do Delta HF Integrale, limitada a 400 unidades, para comemorar quinto título consecutivo do WRC conquistado pela Lancia que, como você deve saber, corria como equipe Martini Racing.

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Apresentado no Salão de Frankfurt, na Alemanha, em 1979, o Delta só se tornou o carro de rali principal da Lancia depois que o Grupo B foi extinto em 1986, por ser perigoso demais. As regras mudaram e os carros ficaram menos insanos — em vez de protótipos com motor central, voltaram a ser baseados nos modelos de produção, mas continuavam gerando especiais para homologação, e o Delta HF Integrale é um deles.

Apresentado em 1988, o primeiro Delta HF Integrale era, obviamente, uma versão menos potente do carro que corria no WRC: seu motor de dois litros turbo entregava 165 cv e seu visual já trazia os traços que se tornariam a marca registrada da versão, com quatro faróis redondos na dianteira e linhas mais robustas.

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A sequência impressionante de títulos no WRC com os pilotos Miki Biasion e Juha Kankkunen teve efeito muito positivo nas vendas do Delta, e levou a Lancia a promover constantes modificações no HF Integrale para torná-lo cada vez melhor, mais robusto e potente (leia sua trajetória toda aqui). No fim de 1991, foi lançado o HF Integrale Evoluzione, cujo nome dispensa explicações — era, mesmo, uma evolução.

A começar pelo motor, que recebeu um cabeçote de 16 válvulas e entregava 210 cv a 5.750 rpm. Para melhorar a estabilidade, a Lancia também adotou bitolas mais largas na dianteira e na traseira e os para-lamas acompanharam, ficando mais largos e arredondados. O para-choque dianteiro recebeu entradas de ar maiores e o capô também foi redesenhado para melhorar a ventição, enquanto uma asa traseira ajustável foi colocada na tampa do porta-malas. As rodas de cinco parafusos imitavam o desenho daquelas usadas no carro de rali.

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Acontece que, como já dissemos, em 1991 a Lancia conquistou seu quinto título consecutivo no WRC, vencendo seis das 14 provas e ainda sagrando o finlandês Juha Kankkunen com seu terceiro título — ele ainda conseguiria mais um em 1993, desta vez pela Toyota.

O vídeo está em japonês, mas a linguagem dos motores é universal, você sabe

Nada mais justo, então, que lançar esta versão especial com pintura branca, as faixas com as cores da Martini Racing e rodas na cor da carroceria, além de interior forrado com couro Alcantara cinza.

Foram fabricadas exatamente 400 unidades da série especial entre 1991 e 1992, e o exemplar das fotos é o carro de número 124. Se tivéssemos um desses, pode ter certeza que até dormiríamos nele de vez em quando e o levaríamos para esticar as pernas todos os dias, mas não foi o que o dono deste carro fez.

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O hodômetro do carro fabricado em 1992 marca só 50 km, e a descrição da Silverstone Auctions, que leiloará o carro na Race Retro Classic Car Sale no dia 21 de fevereiro, no Reino Unido, é bem clara:

Apesar da pintura de competição, o Integrale só foi usado em vias públicas uma vez, e foi quando ele foi entregue pela concessionária a seu único dono, que o manteve guardado sob condições perfeitas pelos últimos 22 anos.”

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Eles ainda dizem que o carro acompanha o manual de serviço, o manual do proprietário e o kit de ferramentas original. Tudo por estimadas £ 90.000-110.000 — o que dá, em conversão direta, cerca de R$ 350.000-430.000. Por um exemplar praticamente novo de um carro do qual só existem 400 unidades e com as cores da Martini? Se tivéssemos os recursos, ficaríamos com ele — e ainda seria o carro oficial do FlatOut!

 

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