Escolha impossível: você vai de Mercedes-Benz CLK DTM ou CLK63 AMG Black Series?

Dalmo Hernandes 17 abril, 2018 0
Escolha impossível: você vai de Mercedes-Benz CLK DTM ou CLK63 AMG Black Series?

Salve, pessoal! Sim, estamos de volta. E os que curtem os esportivos alemães vão ficar especialmente felizes, porque hoje temos dose dupla de AMG, com duas versões extremas do Mercedes-Benz CLK de segunda geração – o W209, produzido entre 2002 e 2010. Ambos têm motores V8, ambos têm carroceria widebody, ambos têm motor feito à mão por um único engenheiro de Affalterbach. E ambos serão leiloados no dia 19 de maio. Suponhamos que você precisa escolher um – estamos falando de dois carros totalmente fodásticos, então vai ser bem difícil decidir. Vamos falar um pouco sobre cada um deles e depois você pode comunicar sua decisão aí embaixo. Só por diversão!

Vamos começar com o que nasceu primeiro: o Mercedes-Benz CLK DTM AMG, que foi lançado em 2004 e sem dúvida é a versão mais extrema do cupê.

O CLK DTM AMG é como um especial de homologação, exceto que ainda mais legal: em vez de servir para permitir que o carro de corrida competisse, ele foi feito para comemorar seu triunfo no campeonato. Em 2003, a Mercedes venceu pela quarta vez seguida o título de construtores na recém-inaugurada Deutsche Tourenwagen Masters, a então nova DTM. Para comemorar o feito, a Mercedes decidiu criar uma edição limitada de rua do carro que usavam na competição.

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Ele tinha praticamente o mesmo body kit do carro de corrida, o que exigiu a adoção da mesma suspensão usada por ele – um arranjo com braços sobrepostos na dianteira e eixo multilink na traseira, com amortecedores ajustáveis. As bitolas eram bem mais largas que a versão comum: 74 mm a mais na frente e 110 mm a mais atrás. As rodas 19×9 e 20×10 brigavam discos de freio de 330 mm na dianteira e 360 mm na traseira, respectivamente. O CLK DTM de rua chegava a 1,35 g de aceleração lateral. Para se ter uma ideia, o Porsche 911 GT3 RS atual atinge em média 1,11 g.

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O interior ganhou revestimentos de fibra de carbono nas portas, o mesmo material em detalhes no painel e um par de bancos concha na dianteira, também de compósito. Já a traseira é toda ocupada por uma gaiola de proteção parcial. O espírito de grand tourer do CLK de rua dá lugar, na versão DTM AMG, a um ambiente de carro de corrida de fato.

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A melhor parte: o motor é ainda mais potente no DTM AMG de rua do que na versão de pista do CLK. Naquela época, o regulamento da Deutsche Tourenwagen Masters limitava o deslocamento dos motores naturalmente aspirados a quatro litros e a potência a menos de 500 cv, o esportivo road legal tinha uma versão com supercharger do motor V8 de 5,4 litros do Mercedes-Benz CLK55 AMG da época.

Com modificações nos componentes internos, a cavalaria crescia de forma bem mais que respeitável: de 367 cv a 5.750 rpm para 582 cv a 6.100 rpm. O aumento no torque não ficou atrás: de 51,9 mkgf a 4.000 rpm para 81,6 mkgf a 3.500 rpm. O motor era acoplado a uma robusta caixa automática de cinco marchas.

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Dá até para relevar o aumento de 140 kg na balança – o CLK55 AMG normal pesava 1.640 kg, enquanto a versão DTM chegava aos 1.780 kg. Mesmo com o peso extra, o DTM AMG ia de zero a 100 km/h em 3,8 segundos, com velocidade máxima de 322 km/h. É o tipo de carro que só pode ser curtido de verdade em um autódromo ou em uma Autobahn alemã, sem limites de velocidade. Não é para qualquer um – Jenson Button e Lewis Hamilton estão entre os nomes que já tiveram um exemplar na garagem.

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Em 2004 e 2005 só foram feitos 180 exemplares do CLK DTM AMG, exclusivamente para o mercado europeu – 100 cupês (40 deles com volante à direita para os ingleses) e 80 roadsters – que, parando para pensar, são os mais radicais porque não têm gaiola de proteção. Conduzir esse cara a céu aberto é um ato de bravura.

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As primeiras unidades foram oferecidas a clientes selecionados da AMG, e o restante dos exemplares foi disputado a tapa pelos entusiastas. Os que não conseguiram tiveram de esperar um pouco até próxima versão limitada do CLK W209. Esse cara:

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Apresentado em 2007, o CLK 63 AMG Black Series foi o segundo Black Series feito pelo AMG Performance Studio – o primeiro foi o SLK 55 AMG Black Series, em 2006.

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O CLK 63 AMG normal já era um monstro com seu V8 naturalmente aspirado de 6,2 litros, que dispunha de 481 cv a 6.800 rpm e 64,2 mkgf de torque a 5.000 rpm. O Black Series tinha um coletor de admissão de magnésio com duas válvulas internas, sistema de escape de melhor fluxo e um novo módulo eletrônico e, com isto, o V8 M156 entregava 507 cv a 7.200 rpm e 64,2 mkgf de torque a 5.250 rpm.

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O câmbio continua sendo automático de sete marchas, e o desempenho só ficava pouco atrás do CLK DTM AMG: quatro segundos cravados para chegar aos 100 km/h, 8,8 segundos para chegar aos 160 km/h e máxima de 300 km/h. Com um bônus no ronco absurdo do motor sem indução forçada – um dos mais brutais já produzidos por um V8, na boa. Muscle car alemão na veia.

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Novamente as rodas eram forjadas e de 19 polegadas, com tala 9 na dianteira e 9,5 na traseira. , e os freios também tinham discos de 360 mm na traseira. Da mesma forma, suspensão ajustável e componentes para reforçar a estrutura foram instalados, além de um eixo traseiro mais largo – aqueles para-lamas obscenos são uma necessidade, e não apenas puro charme.

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O interior perdeu o banco traseiro e também ganhou bancos dianteiros do tipo concha e fibra de carbono nas portas – só não tinha gaiola de proteção parcial. Fizeram 700 exemplares entre abril de 2007 e março de 2008, sendo que apenas 25 deles tinham mão inglesa. Jeremy Clarkson teve um.

Com qual dos dois você ficaria?

Pois bem, ao leilão: os dois carros estarão à venda no mês que vem, dia 19, leiloados pela Silversone Auctions no circuito de Silverstone, no Reino Unido. Ironicamente o Black Series é o carro prata, enquanto o DTM AMG é o carro preto.

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O CLK DTM AMG é um exemplar de 2005, com apenas 7.580 milhas (12.200 km, aproximadamente) no hodômetro e apenas dois donos em seu histórico. Com placa “DT55 AMG”, o exemplar deverá ser arrematado por algo entre £ 180.000 e £ 220.000 – ou entre R$ 880.000 e R$ 1,07 milhão na nossa moeda, em conversão direta.

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Já o Black Series é um carro ainda mais novo: feito em 2007, rodou apenas 4.000 milhas (6.440 km) e só teve um dono. A Silverstone estima que ele seja vendido por algo entre £ 110.000 e £ 125.000 – ou seja, entre R$ 540.000 e R$ 610.000. Quase a metade do preço.