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História

Especial 50 anos: os melhores Mustang de todos os tempos — parte 2

O Ford Mustang é um carro tão lendário que é um desafio fazer uma homenagem à altura. Mas nós vamos tentar — e esta é a segunda parte da lista com os melhores Mustang de todos os tempos, feita com a ajuda de vocês!

1966: Shelby GT350-H

2006 Ford Shelby GT-H

Você não compraria um carro se soubesse que ele foi usado por uma empresa de aluguel de veículos, não é? E se fosse um Shelby GT350? Aí a coisa muda de figura… É exatamente isto que é o Shelby GT350-H. Em 1966, um ano depois de ser lançado, o Shelby GT350 ganhou alguns itens de conforto, acabamento mais luxuoso, novas cores e certas mudanças estéticas — como uma nova seção lateral traseira, com janela-espia. A bateria não era mais deslocada para a traseira, o banco de trás estava no lugar, mas a personalidade forte continuava: o motor V8 289 de 310 cv agora tinha um compressor mecânico Paxton como opcional. São belos carros.

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Naquele ano, a Ford realizou uma interessante manobra publicitária: cedeu uma série limitada para a empresa de aluguel de veículos Hertz. Os primeiros 85 eram equipados com câmbio manual de quatro marchas, e dizem que alguns destes carros foram usados em arrancadas na categoria de carros de rua da SCCA, tendo sido devolvidos à Hertz com sinais de instalação de gaiolas de proteção. Mais 800 carros foram encomendados naquele ano, mas com câmbio automático.

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Depois de aposentados como carros de aluguel, os GT350 — todos eles pretos ou brancos com faixas douradas — foram vendidos ao público como Shelby GT 350-H, e hoje são disputados a tapa pelos colecionadores.

1968: Mustang Bullitt

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Em 1968, Steve McQueen estrelou um dos filmes mais adorados pelos entusiastas: “Bullitt”, que culmina em uma perseguição de quase minutos envolvendo um Dodge Charger preto e o icônico Mustang 1968 verde do detevive Frank Bullitt. Trata-se de um Mustang GT 390 1968, equipado com um V8 de 6,4 litros preparado para render 330 cv a 4.800 rpm e 59 mkgf de torque a 3.200 rpm e visual modificado para ficar com uma aparência mais simples — sem emblemas, com a seção traseira pintada de preto e ausência quase total de cromados, além das clássicas rodas Torq Thrust pintadas de grafite.

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Foram feitos dois carros idênticos para serem usados no filme, e a clássica cena de perseguição m São Francisco ajudou a reforçar ainda mais a imagem mítica do Mustang ao longo das décadas. A própria Ford reconhece sua importância, tendo lançado edições especiais “Bullitt” por duas vezes na década de 2000. A primeira veio em 2001, na quarta geração, e a segunda em 2008, na quinta geração.

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O Mustang Bullitt 2001 era baseado no GT da época. Seu motor era o mesmo do GT, um V8 Modular de 4,6 litros e 264 cv a 5.250 rpm e 41,7 mkgf de torque a 4.000 rpm, porém com algumas modificações nos coletores e polias. O ganho de potência era mínimo, de apenas 1 cv, mas o torque máximo, aumentado para 42,2 mkgf, agora estava disponível desde as 2.000 rpm. A suspensão agora era 2 cm mais baixa, mais firme e com subchassi, e as modificações estéticas incluíam um novo capô, com entradas de ar mais agressivas, novo body kit e janelas traseiras com desenho diferenciado e rodas inspiradas nas Torq Thrust.

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O Bullit 2008, da geração seguinte, lembrava muito mais o original, com um visual clean por fora e elementos retrô por dentro, como mostradores e volante. O motor V8 de 4,6 litros tinha potência elevada de 304 cv para 319 cv, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas, e até o escapamento foi modificado para soar como o Mustang do filme (que, por sua vez, foi dublado por um Ford GT40, então é win-win).

1969: Mustang Boss 429

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Em 1969 a Ford criou motor para competir com os incríveis Hemi da Chrysler na NASCAR. Usando como base o V8 big block 385, a Ford ampliou a cilindrada para 429 pol³, ou sete litros, e usou câmaras de combustão semi-hemisféricas para melhorar a queima. Para cumprir as regras de homologação da Nascar, porém, era preciso colocar este motor em pelo menos 500 carros de rua. Depois de muita consideração, a Ford decidiu pelo óbvio (felizmente): colocar o motor em uma série limitada do Mustang!

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Alimentado por um carburador Holley de corpo quádruplo, o motor entregava oficialmente 380 cv, um número bem conservador — a potência real ficava na casa dos 500 cv. Havia quem dissesse que chegava aos 600 cv, mas nada foi provado.

O 429 era um verdadeiro leviatã, e foi preciso adaptar o cofre do Mustang para recebê-lo. Com isto acertado, outras modificações incluíam bateria deslocada para a traseira, que também recebia uma barra estabilizadora na suspensão, melhorando bastante a dirigibilidade.

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Agora, uma opinião pessoal: este é o Mustang mais bonito já feito. Em 1969 o Mustang já havia crescido e ficado mais robusto, porém sem perder a identidade de Mustang que tanto fez falta depois de 1969. O Boss 429 é ainda mais bonito, com sua entrada de ar ajustável no capô, postura mais agressiva, spoiler dianteiro e o logo quase industrial nos para-lamas dianteiros. E ele tem motor de carro de corrida!

2000: Eleanor

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Em 1971, o cineasta independente H.B. Halicki colocou em prática um ambicioso projeto pessoal: escrever, dirigir, produzir e estrelar um filme de ação. Mas Halicki também era fanático por carros, e Gone in 60 Seconds deixou isto bem claro. O filme conta  a história de um investigador de fraudes de seguro que leva uma vida dupla como chefe de uma quadrilha de ladrões de automóveis. Contratados por um traficante de drogas internacional, eles precisam roubar 48 carros, determinados por ele, em cinco dias. Todos os carros recebem nomes de mulher, e os últimis quatro carros são quatro Mustang Sportsroof 1973 amarelos, chamados “Eleanor”.

Dois Mustang 1971 foram usados para representar os quatro carros no filme, recebendo caracterização para ficarem parecidos com o modelo 1973. Um dos carros foi usado para as cenas em close e onboard, enquanto o outro foi modificado com gaiola de proteção e outros equipamentos de segurança para realizar as cenas de ação. Este carro sobrevive até hoje, mesmo sofrendo dois acidentes durante as gravações — um deles até foi filmado e usado no filme, que não tinha um script detalhado e teve várias cenas improvisadas.

Ter o Mustang de primeira geração estrelando em um filme durante seu último ano em linha foi como um último momento de glória antes de chegada do Mustang II (que, como você viu na última parte, não foi a melhor fase do muscle car).

Mas a Eleanor mais lembrada é mesmo a do remake de 2000, estrelando Nicolas Cage e trazendo um Shelby GT500 1967 modificado e preparado. Eleanor era o último de 50 carros a serem roubados em 72 horas. Apesar de as modificações estéticas estarem mais voltadas ao tuning, elas são de bom gosto, com rodas de 17 polegadas inspiradas no modelo clássico do GT500, para-choques embutidos, faróis auxiliares, uma bela pintura cinza metálico com faixas pretas e um motor V8 351 crate com 400 cv acoplado a uma caixa manual de quatro marchas. A suspensão foi rebaixada e recebeu um sistema coilover.

Foram feitas sete réplicas de Eleanor para o filme, e cinco delas foram destruídas. O “carro do herói”, que recebeu todas as modificações e foi usado para as cenas em close, é considerado “a verdadeira Eleanor” e foi, no ano passado, leiloado pela Mecum Auctions por US$ 1 milhão (R$ 2,23 milhões).


Veja também:

Especial 50 anos: os melhores Mustang de todos os tempos — parte 1

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