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Car Culture

Esse cara não pode se mover e pilota um carro de corrida de verdade usando um joystick

É bem aceito que, para aproveitar de verdade tudo o que um bom game de corrida pode oferecer, você precisa deixar o joystick de lado e investir em um bom volante, com force feedback, bons pedais e, se o o orçamento permitir, até mesmo uma alavanca de câmbio. Quando se trata de simuladores, então, nem se fala.

Mats Bjerknes é um norueguês que inverte esta história toda: ele pilota um carro de verdade usando um joystick. Ou melhor, dois!

Bjerknes tem uma doença degenerativa muscular que o impede de movimentar os braços e as pernas, e por isso se locomove com uma cadeira de rodas motorizada. Quer dizer, exceto quando entra em seu Nissan 350Z adaptado e participa de provas de Folk Racing.

Coincidentemente, faz pouco tempo que falamos a respeito da Folk Racing, categoria disputada em diversos países da Escandinávia, que é disputada com carros baratos em circuitos de rallycross. Não é a forma de automobilismo mais refinada que existe, mas certamente é emocionante. Ainda mais para Mats.

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Seu Nissan 350Z 2003 começou sua vida como um carro de rua, mas foi adaptado para que Mats pudesse controlar o acelerador, os freios e o volante usando joysticks, um para cada uma de suas mãos. Com a mão direita, ele esterça o volante e, com a esquerda, controla o mecanismo hidráulico que atua o acelerador e os freios. A transmissão, claro, é automática. O que ele faz com o que tem à disposição é impressionante. No vídeo abaixo, Matt pilota o carro que tinha antes do Nissan, um Renault Laguna Nevada (sim, a perua!) com motor V6 de três litros e 207 cv.

Claro, não é nada alucinantemente rápido, mas lembre-se: diferentemente da maioria de nós, Matt não pode contar com as respostas do volante nas mãos ou usar as pernas para moderar a força nos pedais. É, de fato, como num videogame. E ele manda bem!

Como você deve lembrar (se não lembra, sinta-se a vontade para clicar aqui), os carros que disputam a Folk Racing, chamada de Bilcross na Noruega, costumam ter cerca de 200 cv e velocidade máxima limitada em 80 km/h por questões de segurança. Afinal, entre os pilotos também amadores estão idosos, mulheres e crianças.

O próprio Mats começou a pilotar aos oito anos de idade, como é muito comum nas áreas rurais da Noruega – e o fato de ele morar em Flå, uma pequena comuna com pouco mais de 1.000 habitantes, também facilita as coisas. Desde muito novo, quando caía constantemente ao tentar andar pela casa, Mats apresentou sintomas da doença. Quando o pai de Mats o colocou ao volante de um carro pela primeira vez, teve que prender seu pé direito ao pedal usando uma fita.

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Aos onze anos, Mats já não conseguia andar ou mesmo ficar em pé sozinho. Foi aí que ele começou a usar sua cadeira de rodas, e foi questão de tempo até que ele e seus três irmãos dessem um jeito de adaptar um carro para Mats pudesse correr, e então fundassem uma equipe de Folk Racing, a MRT, ou Mats Racing Team.

Sendo um caso especial, Mats tem permissão especial para ficar com seu carro no fim de cada corrida. Isto é especialmente importante, pois uma das regras básicas da Folk Racing é que, no fim de cada etapa, todos os carros que participaram estão à venda e, se alguém quiser comprar seu carro, você não pode impedir. No caso de Mats, isto significaria ter que retirar todos os componentes especiais, colocá-los em outro carro e ajustar tudo novamente, um processo que custa dinheiro e toma tempo.

Pode parecer perigoso para alguém como Mats participar de uma corrida tão… violenta. No entanto, segundo ele, seu médico já lhe disse seu corpo é capaz de suportar os impactos, que são comuns na Folk Racing, usando cintos e banco de competição. O risco é outro.

Mats precisa ser colocado dentro do carro pelo pai, que o pega no colo e o posiciona para pilotar. Isto significa que, caso o carro capote ou pegue fogo, ele não será capaz de se desprender e abandonar o bólido sozinho, e teria de esperar até que alguém viesse salvá-lo.

O que ele diz a respeito disto? Simples: “É um risco que eu corro. Mas se não fosse assim, eu só ficaria apodrecendo dentro de casa”.

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