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Achados meio perdidos

Esta Chevrolet Ipanema turbo de 250 cv já foi rescue car da Fórmula 1 – e está à venda

Um project car não precisa ser algo totalmente inédito ou inovador para ser interessante. Na verdade, muitas vezes o que admiramos em um projeto é justamente sua simplicidade, sua execução e o conjunto da obra – e fica ainda melhor se aquele carro tiver uma dose de história. É o caso da Chevrolet Ipanema que viemos mostrar hoje: uma perua bem conhecida pelos brasileiros, porém com uma bela receita de preparação e uma boa história para contar. E ela está à venda, anunciada no GT40, e é nosso Achado meio Perdido de hoje.

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A Chevrolet Ipanema foi lançada no Brasil em 1989, no mesmo ano em que o Kadett, e permaneceu em linha junto dele até o fim, em 1998. Das 460.000 unidades dos dois modelos vendidas ao longo de uma década, 65.000 correspondiam à perua, que aliava a mecânica confiável e o bom acabamento do Kadett a muito mais espaço para bagagem. Embora fosse considerada desajeitada na época, a traseira longa com a tampa do porta-malas vertical era muito prática, e permitia que a perua acomodasse 930 litros com o banco traseiro em posicão normal, e mais que o dobro com o banco rebatido.

 

O que a Ipanema obviamente não tinha era uma versão esportiva como o Kadett GS, que usava um 2.0 8v com carburador de corpo duplo e 110 cv, e ainda tinha diversos itens exclusivos, com os para-choques e os bancos Recaro. A perua vinha apenas com o motor 1.8 de 95 cv das versões SL (de entrada) e SL/E (intermediária), também presentes no Kadett. Isto considerando apenas os primeiros anos – com o passar nos anos seguintes, foram adotados motores 1.8 e 2.0 com injeção eletrônica de combustível em ambos os modelos, incluindo em versões não-esportivas.

Pois, para começar, esta Ipanema é possivelmente a única unidade a sair de fábrica com motor 2.0, em 1990. E ela tinha uma tarefa nobre: na época, o Chevrolet Kadett GS foi usado como pace car no Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, em Interlagos. Aproveitando a deixa, a Chevrolet também colocou a Ipanema para trabalhar na corrida – contudo, como “carro de apoio” (ou rescue car), rebocando monopostos que paravam na pista por um acidente ou quebra.

Além do motor 2.0 do Kadett GS, a perua também foi equipada com as rodas de 14 polegadas do esportivo, e recebeu uma série de equipamentos instalados pela AMB, como bancos concha, gaiola de proteção e giroflex. Na carroceria, foram colados adesivos da Chevrolet e da patrocinadora Cibié, além dos dizeres “RESCUE CAR”. Abaixo, uma foto da época.

 

Além de trabalhar em Interlagos – onde rebocou o McLaren MP4/5B de Ayrton Senna para os boxes, após um acidente que exigiu a troca do bico do carro – a Ipanema também participou de algumas edições das Mil Milhas Brasileiras. Então, descansou por alguns anos antes de ser vendida a família Marazzi, famosa por sua escola de pilotagem. Lá, a perua foi usada para demonstrar o traçado para os alunos.

A Ipanema permaneceu no acervo dos Marazzi (onde até hoje está o Kadett GS Pace Car da mesma época) até 2004, quando foi adquirida por Josias Silveira – e foi convertida de volta para uso civil. Pouco depois, ela foi comprada pelo atual proprietário, João Mantovani.

Nas mãos de João, rapidamente Ipanema assumiu uma personalidade sleeper, quebrada pelas rodas de 14 polegada do Kadett GS e pela suspensão ligeiramente mais baixa, com amortecedores preparados H&R originalmente criados para a versão alemã, chamada Opel Kadett Caravan.

 

O veneno está debaixo do capô: o motor 2.0 tem pistões forjados, turbocompressor Garrett 2860RS roletado, embreagem de cerâmica Ancona. O carburador é um 2E, e o carro está acertado para rodar com álcool. Com o turbo operando a 0,9 bar, o motor entrega 253,2 cv a 6.154 rpm e 31,6 kgfm de torque a 4.749 rpm nas rodas, conforme aferido em 2014 pela revista Fullpower.

O interior também foi levemente personalizado, com o volante de três raios do Chevrolet Corsa GSi e bancos Recaro vindos do Kadett Turim – além do quadro de instrumentos com conta-giros do GS. Na maioria das fotos, a perua está com rodas de 17 polegadas, mas estas atualmente deram lugar às já mencionadas rodas de 14 polegadas do Kadett GS.

Sendo um carro para uso civil e ocasionais esticadas, atualmente a Ipanema está com uma certo dinâmico mais macio e confortável. E ela só roda ocasionalmente – o hodômetro marca cerca de 90.000 km, número baixo para um carro que faz 30 anos em 2020.

 

Embora a Ipanema seja um carro relativamente comum no Brasil, poucas estão bem cuidadas como esta – boa parte, na verdade, virou veículo de trabalho. A Ipanema “Rescue Car” possui uma boa história, e recebeu  um tratamento mais que digno para homenagear seu passado nas pistas. Mesmo que não tenha sido em corridas. Por conta disto, o valor é obviamente mais alto do que a média.

Caso tenha se interessado, você pode acessar o anúncio e pegar os contatos de João clicando aqui.


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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