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Vídeo WTF?

Esta deve ser a pior campanha sobre o excesso de velocidade da história (sério)

Um dos maiores debates do mundo moderno é a questão da velocidade: há quem defenda com unhas e dentes que a velocidade (a alta velocidade, no caso) mata, mas não faltam estudos cujos dados mostram que, bem, a história não é bem assim. Esta propaganda foi feita para tentar provar que o primeiro grupo está certo e conscientizar as pessoas a não correr. Nada de errado nisso — o problema é que, bem, a propaganda é tão mal feita que não dá para levar a sério.

Começa com crianças na sala de aula — afinal, que melhor maneira de nos comover do que usar crianças? Uma delas, um garoto, brinca com um carrinho azul. Uma coleguinha a chama para irem para fora, porque a professora vai levá-las para um passeio no parque.

Enquanto isso, um rapaz se apronta para sair de casa. Arruma suas coisas, toma café, sai e pega o carro.

Ele nem corre tanto, e as crianças continuam brincando no parque. O carrinho azul do garoto é um Vauxhall Astra (que deu origem ao nosso Chevrolet Vectra GT/GT-X), uma versão em miniatura do carro do rapaz. As cenas vão se alternando — rapaz no carro, crianças no parque, rapaz no carro, crianças no parque, rapaz no carro, crianças no parque.

À esta altura você já sabe o que vai acontecer, não é?

De repente, o carro sai de traseira — como se o rapaz tivesse puxado o freio de mão. Capota — rolando no ar dezenas de vezes como um carro de rali — e cai em cima de todas as crianças — que ficam parecendo o Seu Madruga esmagado pelo Senhor Barriga. Sério:

Esta propaganda, feita pela DOE — a agência responsável pela segurança no trânsito na Irlanda do Norte, tem tantos problemas que não sabemos nem por onde começar — além da execução ruim (crianças esmagadas como papel amassado, sério?) o carro estava em velocidade até moderada, e não perderia o controle nem que o motorista acionasse o freio de estacionamento. E muito menos teria força para decolar e rolar desta forma — isso aí é coisa de autódromo a mais de 200 km/h, como naqueles acidentes em Nürburgring. Sem falar no irritante cover de Sweet Child O’Mine, do Guns n’ Roses, que serve como trilha sonora para tudo.

Além disso, acho que apelar para as crianças e para uma “manobra” impossível não é o melhor jeito de chamar a nossa atenção para a “causa”. O narrador diz algo como “desde 2000, a direção em alta velocidade já matou uma sala de aula cheia das nossas crianças. Que vergonha”. Vergonha do roteirista, no caso, não?

Já discorremos algumas vezes sobre o assunto “mortes no trânsito” e sobre os limites de velocidade nas vias. Cada vez mais estudos sugerem que a velocidade é perigosa, claro, mas há outros fatores, de peso semelhante ou maior, que contribuem para mortes no trânsito. Atacar apenas parte do problema (ainda mais desta forma) não vai resovê-lo.

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