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Esta é a única Ferrari F40 com bancos de couro de fábrica em todo o mundo

Certos carros dispensam apresentações, e a Ferrari F40 é um deles. Sim, esta provavelmente foi a frase mais clichê que já usamos para começar um post, mas vai dizer que não é verdade? Tanto que você nem precisa dizer “Ferrari” — só “F40” já basta para trazer à mente aquele que, para muita gente, é o supercarro mais incrível de todos os tempos.

Ao contrário do outro supercarro mais incrível de todos os tempos, o McLaren F1, que era uma verdadeira demonstração da engenharia a serviço do desempenho e da praticidade, a Ferrari F40 tinha a intenção de entregar uma experiência o mais purista (e alucinante) possível, dispensando toda e qualquer coisa que não contribuísse para que o carro fosse mais veloz. Uma embalagem minimalista, funcional e muito bonita para uma mecânica brilhante.

O coração a Ferrari F40, como você já deve ter decorado a esta altura, era um V8 de 2,9 litros com dois turbocompressores e 485 cv. Estes apareciam às 7.000 rpm, enquanto o torque máximo de 58,8 mkgf vinha a 4.000 rpm. O câmbio manual de cinco marchas levava as força para as rodas traseiras.

Com 1.100 kg — peso baixo para um carro de seu porte, conseguido graças à quantidade copiosa de fibra de carbono na carroceria —, a F40 chegava aos 100 km/h em 3,9 segundos e aos 200 km/h em 12 segundos. A velocidade máxima de 323 km/h fez dela o primeiro automóvel produzido em série a ultrapassar a marca dos 320 km/h.

E isto porque só estamos falando dos números. A F40 ainda é especial porque foi a última Ferrari desenvolvida com a supervisão pessoal de Enzo Ferrari. E Il Commendatore tinha exigências bastante rígidas com relação a certos aspectos. Primeiro: todas as 1.311 unidades produzidas deveriam ser pintadas de vermelho Rosso Corsa — uma camada de tinta tão fina e uniforme que era possível ver a trama da fibra de carbono através dela. O único item de conforto disponível era o ar-condicionado, e o único opcional era o sistema de suspensão ajustável.

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Você queria uma F40 diferente? Azar o seu! A Ferrari sequer oferecia a opção de customização de fábrica e não daria suporte a quem quisesse modificar o carro depois da compra. Caso você quisesse muito, nada te impediria, mas sua F40 acabaria “renegada” pela fabricante — como supostamente aconteceu com a Ferrari F40 “LM Barchetta”, a única F40 sem teto do mundo.

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Agora, já se passaram quase vinte anos (a F40 foi fabricada entre 1987 e 1996), e a Ferrari já não se importa tanto com o que você vai fazer com sua F40. Existem exemplares que foram pintados em outras cores, modificados, destruídos… o que só ajuda a tornar os carros originais ainda mais valiosos.

De qualquer forma, toda regra tem sua exceção. E as regras de Enzo Ferrari também tinham: se você fosse um cara absurdamente rico, como o Sultão de Brunei, você até conseguiria uma F40 mais exclusiva — o carro dele tinha um esquema de pintura que lembrava o Peugeot 205 T16 de rua e interior muito mais equipado. A customização foi feita sob sigilo, e a existência do carro jamais deveria vir a público. No entanto, dá para perceber que ela veio, não?

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O fato é que o Sultão de Brunei não foi o único a conseguir comprar uma Ferrari F40 customizada. Existe um carro, um único carro, que recebeu um opcional diferente do especificado por Enzo Ferrari. Uma F40 com bancos de couro originais de fábrica!

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Quando um carro é tão importante e emblemático, seus fãs fazem questão de saber tudo sobre ele. Qualquer série limitada, qualquer opcional raro, qualquer cor incomum, são conhecidos e documentados. Se tratando da F40, o único exemplar com bancos de couro de fábrica é, sim, digno de nota. Mas, afinal, qual é sua história?

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Este é mais um caso em que não se sabe ao certo. No entanto, existe uma história bem aceita pela comunidade de especialistas e entusiastas, que diz que este  carro pertenceu à família britânica Connolly. Eles são famosos por, em 1878, terem fundado a Connolly Leather. A companhia começou a fornecer couro para as principais fabricantes de automóveis de luxo, e se orgulha de estar presente nos primeiros automóveis fabricados por Rolls -Royce, Aston Martin, Bentley, Maserati e, claro, Ferrari.

A Connolly sempre foi a principal fornecedora de couro para a Ferrari e, naturalmente, era de se esperar que os membros da família tivessem certos privilégios na hora de comprar uma Ferrari. Então, quando a F40 de chassi 091573 foi encomendada, foi especificado que ela teria, além da suspensão ajustável, bancos forrados com couro Connolly. E ninguém disse não.

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O carro foi usado pelos Connolly regularmente, fazendo até mesmo algumas viagens de negócios entre o Reino Unido e a Alemanha, antes de ser vendido. A F40 “Connolly Leather” teve três donos registrados, e nenhum deles deixou de realizar todos os serviços de manutenção na oficina de Maranello, na Itália. Parece que os bancos de couro não deram nenhum problema.

E agora, ela está à venda. Na verdade, esteve à venda no dia 14 de outubro, em um leilão realizado em Duxford, Reino Unido, pela H&H. A agência de leilões esperava que o carro fosse arrematado por £800 mil (cerca de R$ 4,8 milhões, em conversão direta), mas o valor de reserva não foi atingido. E o carro continua à venda. Tem coragem?

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