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Achados meio perdidos Zero a 300

Esta é uma rara VW Brasilia 1974 Violeta Pop – cheia de potencial e à venda!

Foi-se o tempo em que um bom Volkswagen aircooled custava pouco no Brasil. Claro, ainda são carros acessíveis, mas os preços dos exemplares preservados e originais encontram-se em ascensão já há alguns anos e isto não deve mudar tão cedo. Isto vale para todos os modelos, em todas as versões. O que torna carros como o nosso Achado meio Perdido de hoje, anunciado no GT40, ainda mais interessante, analisando todo o contexto.

Trata-se de uma Brasilia 1974, do segundo ano de fabricação, muito bem conservada – o que por si só já a torna muito desejável. Mas não é só isto: ela também é uma Violeta Pop original de fábrica. Certamente os fãs dos Volks a ar aí do outro lado sabem o que isto quer dizer.

A Brasilia foi lançada em 1973, quando a Volkswagen do Brasil achou que já era hora de colocar um substituto do Fusca no mercado. O Besouro já era obsoleto, ainda que o projeto original de 1938 tivesse passado por diversas atualizações, e não tinha condições de competir com opções mais modernas que começavam a chegar ao mercado, como o Chevrolet Chevette, também de 1973; e o Corcel, que já estava no mercado desde 1968. Com motor de arrefecimento líquido e construção monobloco, eles eram carros mais potentes, confiáveis, espaçosos e confortáveis, e começavam a incomodar o líder de vendas da Volkswagen. Era preciso fazer alguma coisa.

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Esta “alguma coisa” foi a Brasilia. Apesar de usar base mecânica do Fusca (o que ficava evidente no entre-eixos de 2.400 mm, universal nos Volks aircooled vendidos no Brasil), a Brasilia trazia algumas diferenças importantes. A  carroceria com linhas retas seguia a identidade visual inaugurada na Variant reestilizada de 1971 e, apesar de 17 cm mais curta que do Fusca, era 6 cm mais larga e consideravelmente mais espaçosa para os cinco ocupantes. O interior também tinha desenho mais moderno, com um painel “de verdade”, e a suspensão trazia bitolas alargadas e uma barra compensadora na traseira que mitigava as saídas de traseira nas curvas.

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Era um conjunto competente e as vendas foram boas nos primeiros anos, mas a Brasilia nunca decolou a ponto de conseguir substituir de vez o Fusca – afinal, ainda sofria com os mesmos problemas: um motor confiável, porém barulhento e pouco potente (ainda que tenha adotado dois carburadores em 1976, passando de 60 cv para 65 cv); pouco espaço para a bagagem, consumo de combustível mais elevado e projeto obsoleto no geral. E a situação se agravou em 1976, quando a Fiat lançou o pequeno 147 com seu motor dianteiro transversal e suspensão independente nas quatro rodas.

A Volks só conseguiu enfrentar os rivais de igual para igual a partir de 1980, quando foi lançado o Gol. A Brasilia saiu de linha em 1982, deixando 950.000 exemplares vendidos em nove anos.

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O carro anunciado no GT40, como dissemos, já é atraente por ser um exemplar da primeira fase, antes da reestilização de 1978. Ou seja: ela tem as lanternas traseiras lisas, menores, e os para-choques de lâmina cromada e desenho limpo. Em 1978, a Volks deu ao hatchback (que era classificado oficialmente como perua para pagar menos impostos e custar menos) lanternas maiores, estriadas, e para-choques mais avantajados com ponteiras de plástico, além de um painel de instrumentos redesenhado com detalhes de acabamento imitando madeira. As modificações caíram bem à Brasilia, mas há quem prefira o visual mais “puro” de antes do facelift.

Agora, o verdadeiro chamariz é a cor Violeta Pop, um tom de roxo perolizado que só foi disponibilizado no ano de 1974 e podia ser visto em  exemplares do TL, da Variant, da Brasilia, do SP1 e do SP2. Era uma forma de se destacar em ruas já cheias de carros coloridos, e pouquíssimos carros saíram da fábrica pintados de Violeta Pop.

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Você deve ter reparado que a Brasilia anunciada no GT40, porém, está com outra cor. Jonas, o proprietário, que mora em Bento Gonçalves/RS, é fã da Brasilia há muito tempo e conta que sempre quis uma Violeta Pop. Por isto, quando encontrou este exemplar à venda, não se importou com o fato de a carroceria estar pintada na cor Vermelho Málaga, também constante no catálogo da VW nos anos 70.

A Brasilia estava íntegra, mas precisava de cuidados. Jonas mandou retocar e polir a pintura, trocou rodas e pneus e realizou uma revisão mecânica completa. O sistema de freios também foi todo refeito com componentes novos, e a suspensão dianteira recebeu um quadro com catraca – o carro agora é um pouco mais baixo, e as rodas de 14 polegadas da Italmagnésio, fabricadas em 1976 e restauradas com acabamento diamantado, compõem muito bem o visual “de época”.

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O interior está bastante íntegro, mas foi refeito em curvim preto pelo antigo proprietário. Jonas diz que possui um banco traseiro já revestido no padrão original em tecido cordone, pronto para ser instalado, e também o material para restaurar os bancos dianteiros com o mesmo acabamento.

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De acordo com Jonas a estrutura da Brasilia está ótima, e ela tem tudo ser uma boa base para quem se dispuser a devolvê-la a seu aspecto original. É possível ver a tinta Violeta Pop em alguns locais do carro, como sob o carpete no interior e em parte do cofre do motor, e esta pode ser a deixa.

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Considerando a faixa de preços atuais na qual a Brasilia se encontra, o valor pedido seria interessante mesmo se o carro não fosse um modelo tão raro.

Se você ficou interessado, basta clicar aqui para acessar o anúncio e entrar em contato com o dono, que pode esclarecer quaisquer dúvidas.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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