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Esta Ferrari 250 GT Lusso só rodou 3.700 km e pode ser sua por R$ 7,6 milhões

Uma das Ferrari mais  bonitas e cobiçadas do planeta é a 250 GTO. Foram fabricados apenas 39 exemplares, e a maioria deles foi usado em competições — o que, além de tornar os carros sobreviventes ainda mais valiosos, também incrementa o pedigree da máquina italiana. No entanto, como você já deve saber, existem várias outras Ferrari chamadas de 250. Hoje, vamos falar da 250 GT Lusso.

Se há uma Ferrari 250 cuja importância é comparável à da GTO, é a GT Lusso. Mecanicamente muito parecida com o clássico carro de corrida, a Lusso justificava o nome: era um carro feito para a estrada, com muito mais conforto e materiais refinados do que a GTO. No entanto, o motor V12 criado para competições não era o único elemento que remetia às atividades esportivas da Scuderia.

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Nada mais natural, se formos pensar. A Ferrari, literalmente, nasceu das pistas: Enzo Ferrari era piloto de Grand Prix, depois começou a construir carros de corrida e, relutante, só começou a fabricar esportivos de rua décadas mais tarde — e só para financiar sua equipe de corrida. Você pode conferir toda a história, em seis partes, aqui!

Sendo assim, não é tanto exagero assim dizer que toda Ferrari de rua traz um pouco (ou muito) de carro de corrida, sem exceção — isto sem mencionar nos modelos especiais, como a 599XX ou a FXX K, que nem podem rodar nas ruas e foram feitos para quem quer uma máquina totalmente voltada para os circuitos.

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Um dos dois protótipos da 250 GTL feitos em 1962

A 250 GT Lusso é uma belíssima evidência disto. Porque ao mesmo tempo em que ela tem “luxo” em italiano no nome, couro com costura matelassê (aquele padrão de losangos) no interior e vocação para longas viagens por estradas sinuosas, ela tem um motor V12 feito para as pistas, rodas com cubo rápido, bancos concha de alumínio e aerodinâmica impecável.

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Eis o seu novo papel de parede. De nada!

Isto sem falar no que está debaixo do capô: o V12 Colombo, de três litros, entrega 240 cv a 7.500 rpm e 24,6 mkgf de torque a 5.500 rpm. Era o bastante para levar a 250 GT Lusso até os 100 km/h em menos de oito segundos, com máxima de 240 km/h. Para um grand tourer fabricado nos anos 1960, só mesmo com mecânica de corrida.

O vídeo acima corrobora nosso argumento. Além de ouvir o ronco espetacular do carro em ação, podemos ver todo o ritual necessário para ligar o carro todas as manhãs. Primeiro, você liga a chave de ignição. Em seguida, aciona a bomba de combustível elétrica, que começa a clicar por alguns segundos.

Os cliques vão ficando cada vez mais espaçados — é a bomba avisando que as cubas dos carburadores estão ficando cheias. Quando os cliques param, você finalmente pode dar a partida e trazer o V12 à vida e ouvir exatamente o que Steve McQueen ouvia quando ligava sua 250 GTL todas as manhãs. Bem, ao menos até 1967, quando ele teria vendido o carro por estar incomodado com a vibração excessiva do V12 por volta das 3.500 rpm. Mas você não é McQueen e provavelmente não se importaria, não é?

Detalhe: a chave de ignição fica à esquerda do volante, como é tradição em Le Mans. Isto porque, na tradicional largada da corrida de 24 horas francesas, os carros ficavam de um lado da pista e os pilotos em outro. Na hora de sair, eles tinham que correr até o carro, dar a partida e sair acelerando. A chave à esquerda facilitava este processo.

E, para completar, algumas Lusso até participaram de corridas na Europa, como a Targa Florio e o Tour de France, em 1964 e 1965. Alguma dúvida de que este GT é, na verdade, um bólido disfarçado?

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De qualquer forma, “só” isto já seria motivo suficiente para comprar a Ferrari 250 GT Lusso que encontramos à venda no eBay. No entanto, fica ainda mais interessante se levarmos em conta que só existem 350 exemplares — e que eles só costumam trocar de dono quando fazem parte de algum leilão de clássicos para multimilionários.

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De acordo com o anúncio, o carro foi fabricado em 1963 e passou por uma revitalização há alguns anos. De qualquer forma, são apenas 3.735 km rordados — de modo que não duvidamos que boa parte do que está ali seja original. A pintura Rosso Corsa sobre a bela carroceria 2+2 projetada pela Carrozzeria Scaglietti está impecável e os cromados também demonstram muita saúde — bem como o interior, que apresenta certas marcas do tempo mas continua estonteante.

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O carro está em uma concessionária em Nova York, nos EUA, chamada Aventura Motors. E não se trata de um leilão, mas sim de uma venda direta — pela bagatela de US$ 2 milhões, ou cerca de R$ 7,63 milhões em conversão direta, sem contar frete e impostos em cascata (confira os custos e a logística para importar um carro antigo neste post). Não é um preço exatamente tentador, mas… boa sorte procurando um exemplar mais barato!

 

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