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FlatOut!
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Achados meio perdidos Car Culture

Esta Ferrari Daytona de único dono passou os últimos 25 anos parada e agora busca um novo lar

Estamos em uma onda de barn finds que parece estar longe de acabar. Antes do caso mais recente — dos mais de 60 carros encontrados em uma propriedade rural na França há menos de uma semana —, pelo menos outros dez achados em celeiros, depósitos e fazendas apareceram nas páginas do FlatOut! ao longo do ano. Só que a história desta Ferrari 365 GTB/4 Daytona deve ser a mais legal de todas.

Para começar, este carro não é exatamente um barn find pois nunca esteve perdido, para começo de conversa. Seu dono, um senhor de 77 anos chamado Patrick Quinn, a comprou nova há 44 anos, quando viajava pela Europa em 1971. Depois de esquiar em Chamonix, na França, Quinn foi até Genebra, na Suíça, onde pegaria o avião de volta para casa.

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Ali, deu-se a obra do acaso: o voo atrasou e ele ganhou um dia inteiro livre em Genebra. Quando descobriu que era a semana do Salão do Automóvel daquele ano, Quinn decidiu fazer uma visita e dar uma olhada nos novos modelos. E foi lá que ele viu uma Ferrari Daytona pela primeira vez.

Duas, na verdade, que estavam sendo apresentadas ao lado de uma 246 Dino. A Ferrari 365 GTB/4 “Daytona” havia sido lançada em 1968, pouco depois da vitória tripla da Ferrari nas 24 Horas de Daytona no ano anterior (e por isto recebeu esse apelido), portanto não era exatamente novidade. Independentemente disto, Quinn ficou encantado com a beleza do grand tourer — que, dotado de um V12 Colombo de 4,4 litros (365 cm³ por cilindro) e 357 cv era capaz de acelerar até os 280 km/h.

Tão encantado que decidiu, ali mesmo, comprar uma. Em vez de ir para casa, ele cancelou seu voo e foi até Milão e, de lá alugou um carro para dirigir até o escritório da Ferrari, em Modena, e montar o carro direto com o fabricante.

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E foi assim que, poucos dias depois, o senhor Patrick Quinn comprou para si uma Ferrari Daytona em vermelho Bordeaux, com interior bicolor, pelo equivalente a US$ 105.000 em valores atuais (cerca de R$ 280.000). O carro levaria alguns meses para ficar pronto e a Ferrari pediu que Quinn voltasse novamente no verão — onde ele poderia curtir o carro pelas sinuosas estradas europeias antes de levá-la para casa.

E assim ele fez. Durante todo o mês de julho, Quinn colecionou novas amizades e curtiu bastante o carro que, depois de voltar para a fábrica para sua primeira troca de óleo (afinal, é uma Ferrari de quatro décadas atrás), foi então de barco da França até Nova York, de onde Quinn dirigiu até sua casa em Toronto — não sem enfrentar alguns problemas burocráticos na fronteira, que foram  resolvidos com facilidade naqueles tempos mais simples.

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Quinn teve uma vida muito feliz com seu carro até 1989, quando seu pai morreu. Ele morava em Hong Kong e era dono de uma companhia de transporte marítimo, e Quinn precisou atravessar o mundo para assumir a empresa ao lado de seus irmãos. O plano era ficar apenas alguns meses, que se transformaram em anos — seis deles. Quando finalmente voltou para casa, Patrick Quinn já não tinha tanto interesse assim pela Ferrari e nem tempo para curti-la como se deve, e por isso a manteve guardada — pelos 25 anos que se seguiram.

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Então chegamos a 2014. Quinn percebeu que a Ferrari não estava sendo tratada por ele como se deve tratar uma Ferrari — parada num canto da garagem, em cima de blocos de concreto e por baixo de uma capa. O carro estava ficando feio, e merecia um destino melhor. Do alto de seus 77 anos, seu dono acredita que não terá mais muito tempo para aproveitar o carro depois de gastar uma fortuna com a restauração e, por isso, decidiu vendê-la como está através da RM Auctions.

O carro, que foi colocado de volta para rodar mas ainda precisa de manutenção para ser usado com frequência, será um dos lotes do leilão de Amelia Island em 2015, no dia 14 de março.

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Ainda não há valor estimado para ela — mas, de antemão, podemos dizer uma coisa: é muito legal ver um carro sendo leiloado “no estado”, por um dono que prefere vê-la nas mãos de alguém que vá aproveitar o carro de verdade do que mantê-la trancada na garagem até morrer.

Mais legal até do que se o carro tivesse sido restaurado. Você não acha?

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