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Esta incrível seleção de clássicos da Ford europeia será leiloada nesta semana

Enquanto os americanos adoram carros grandes, com motores V8 e tração traseira (quem não gosta, afinal?), os europeus preferem automóveis menores e mais ágeis. É fácil perceber isto: basta ver que, nos EUA, os clássicos da Ford são muscle cars como o Mustang e o Galaxie, por exemplo, enquanto na Europa são hatchbacks e cupês mais compactos e, muitas vezes, menos potentes – que nem por isto deixam de ser divertidos, mesmo quando não têm tração traseira.

Se você concorda com os europeus, este leilão aqui vai te deixar de queixo caído. Trata-se do NEC Classic Motor Show Sale, evento que acontecerá em Birmingham, no Reino Unido, no próximo fim de semana (14 e 15 de novembro) . Como de costume nestes leilões, dezenas de automóveis em especial serão leiloados. No entanto, o que chamou nossa atenção foi um pequeno grupo de modelos clássicos da Ford europeia.

São carros lendários para qualquer entusiasta, como os modelos RS Cosworth, e também alguns que são verdadeiros ícones para os fãs da marca na europa. E sabemos que este é o caso de muita gente aqui. Prepare-se para babar só um pouquinho…

 

Ford Sierra Cosworth RS500 1987

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Desenvolvido por Walter Hayes, uma das pessoas mais importantes no projeto do Ford GT40 e no desenvolvimento do motor V8 Cosworth DFV, o Ford Sierra Cosworth tinha tração traseira, boa dinâmica e de quatro cilindros e dois litros com turbo e 207 cv na versão de rua, que acelerava até os 100 km/h em 6,1 segundos e chegava aos 243 km/h.

Ele foi feito para homologar a versão de competição. No entanto, como já comentamos aqui, seu alvo não eram os estágios de rali, como a fama do Ford Escort pode te levar a pensar, mas sim as corridas de turismo do Grupo A, nas quais o Sierra Cosworth fez bastante sucesso.

Tanto que, além dos 5.000 exemplares exigidos para a homologação produzidos em 1985, outros 30 mil foram feitos até 1992. O carro que será leiloado em Birmingham, no entanto, faz parte de uma leva bem especial.

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Em 1987, 500 dos Ford Sierra RS Cosworth foram modificados por uma empresa chamada Aston Martin Tickford, que pertencia à famosa fabricante de carros de luxo britânica e era especializada em conversões de veículos. Estes 500 carros foram batizados como RS500. As modificações incuiam um aumento de potência para 227 cv (capazes de levar o RS500 até os 240 km/h), uma nova asa traseira, splitter frontal e freios melhor arrefecidos.

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O exemplar em questão é o carro de nº 468, e teve apenas quatro donos nestes 28 anos de vida. Juntos, eles rodaram apenas 13.961 milhas, ou pouco mais de 22,5 mil km – quilometragem bem baixa para a idade, diga-se. Espera-se que o carro seja arrematado por algo entre £ 70-80 mil, ou cerca de R$ 400-460 mil em conversão direta.

 

Ford Escort RS Turbo S1 1985

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Enquanto a versão mais apimentada do Escort Mk3 (primeira geração vendida por aqui) que temos no Brasil é a XR3, com seu motor CHT de 1,6 litro e 83 cv, os europeus se deram um pouco melhor: em outubro de 1984, foi lançado o Escort RS Turbo Series 1.

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O motor é o bem mais moderno CVH, com câmaras de combustão hemisféricas e comando no cabeçote, além de 132 cv graças à adição de um turbocompressor. Era o bastante para chegar aos 100 km/hVisualmente, era bem mais agressivo, com rodas de 15”, grade pintada na cor da carroceria, faróis auxiliares e para-lamas alargados. Por dentro, bancos Recaro e revestimento de casemira. Foram fabricados 5.000 carros, pintados de branco “Diamond White” – com exceção de um exemplar preto, feito especialmente para a Princesa Diana.

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O carro que será leiloado é um dos poucos que sobreviveram originais – a maioria dos Escort RS Turbo S1 foi modificada para competições. E ele só tem 5.568 milhas, ou quase 9.000 km, registrados no hodômetro.

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O carro foi restaurado e, de acordo com a Silverstone Auctions, há evidências de que seja o RS Turbo S1 mais novo em existência. Não há valor estimado ou lance reserva.

 

Lotus Cortina 1966

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O Lotus Cortina nasceu em 1963, quando a Ford deu a Colin Chapman 1.000 exemplares de seu popular três volumes. A missão do lendário piloto, preparador e construtor de carros britânico era criar uma versão de homologação para o Grupo 2 de turismo da FIA.

Chapman ficou famoso pelo lema “simplifique e adicione leveza” – ele acreditava que reduzir o peso de um carro e melhorar sua agilidade podia ser tão importante quanto aumentar sua potência, ou até mais. No entanto, ele também entendia de motores fortes, giradores e de alta potência específica.

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Assim, o Lotus Cortina era equipado com um motor de 1,6 litro (na verdade, 1.557 cm³) com comando duplo no cabeçote (algo que ainda era inovador para a época) e 105 cv, sendo capaz de chegar aos 100 km/h em menos de dez segundos com máxima de 180 km/h. O carro pesava apenas 800 kg graças ao uso de alumínio nas portas, capô e tampa do porta malas, e a suspensão foi completamente retrabalhada.

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Se a Ford encomendou 1.000 exemplares do Lotus Cortina em 1963, um total de 3.306 carros foi fabricado até 1966. O exemplar em questão é de novembro ou dezembro de 1965, e em 1977 sofreu um acidente que obrigou seu dono a restaurá-lo por completo, incluindo a instalação de uma nova carroceria, fornecida pela Lotus especialmente para o projeto. Espera-se arrecadar com ele algo entre £ 45-55 mil, ou cerca de R$ 260-315 mil.

 

Ford Sierra Sapphire Cosworth 4×4

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Trata-se, em essência, de uma versão sedã com quatro portas e tração integral do primeiro Ford Sierra RS Cosworth. O Sierra Sapphire Cosworth foi apresentado em 1990 e produzido até o fim de 1992, e usava o mesmo motor 2.0 turbo de 207 cv. Era capaz de chegar aos 100 km/h em 6,8 segundos com máxima de 240 km/h. A Ford destacava como rivais do Sapphire Cosworth o BMW M3 e o Mercedes-Benz 190E – ambos de tração traseira.

O sedã foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, mas teve vida curta: na época de seu lançamento, o sucessor Mondeo já estava sendo desenvolvido, e foi lançado em 1992.

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O exemplar em questão está em estado quase tão bom quanto os outros carros apresentados aqui: com apenas 20.000 milhas (pouco mais de 32 mil km) no hodômetro, tem sinais de desgaste quase imperceptíveis por dentro e por fora. Estima-se que o carro seja arrematado por algo entre £ 27-29 mil (cerca de R$ 155-166 mil).

 

Ford Capri 3.0 S 1978

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O Ford Capri foi lançado em 1969 como uma resposta europeia ao sucesso do Mustang nos EUA. Afinal, nem todo mundo quer iria querer um hatchback sabendo que, do outro lado do oceano, existia um Ford fastback com motor V8 e tração traseira, não é? Pensando neste pessoal, a Ford criou um cupê que seguia mais ou menos a mesma fórmula, porém com menos cilindros — havia motores de quatro cilindros e V6.

O Capri passou por três reetilizações entre 1969 e 1986. A última delas foi realizada em 1978, ano de fabricação do carro verde em questão. Trata-se de um Capri 3.0 S, equipado com o V6 Essex de três litros com 140 cv, capacidade para chegar aos 100 km/h em menos de nove segundos e máxima que arranhava os 200 km/h.

A Silverstone Auctions vai leiloar um exemplar bastante especial — trata-se de um carro de pré-produção que foi usado em avaliações pela imprensa especializada na época. O carro é equipado com o chamado X-Pack, opcional oferecido pela Ford que incluía válvulas maiores, cabeçotes com dutos polidos e um carburador Weber 40 DFI5. Depois de passar por diferentes donos e ser anunciado em diversos sites de classificados ao longo dos anos.

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Sua restauração mais abrangente, que incluiu uma extensa revisão mecânica e a recuperação da pintura, aconteceu na virada da década de 2000 e, desde então, o carro rodou muito pouco — no total, são cerca de 5.000 milhas (ou 8.000 km) no hodômetro.

 

Bônus: Ford Escort RS Cosworth Lux

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Agora, o golpe de misericórdia: este Escort RS Cosworth impecável (você conhece muito bem o modelo, cuja história contamos detalhadamente aqui) também seria leiloado no fim de semana. Raro exemplar da versão “Lux”, que tinha vidros elétricos e bancos Recaro, o carro tem apenas 7.700 milhas (pouco mais de 12 mil km) no hodômetro. No entanto, seu dono decidiu desistir de vendê-lo. A gente também desistiria.

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