Edição diária: 19/06/2019
FlatOut!
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Projetos Gringos Zero a 300

Isto é simplesmente um caminhão Chevrolet C68 com motor V12 quadriturbo de 1.000 cv – feito no Brasil!

A maioria dos entusiastas de carros enxerga os caminhões como meros veículos de trabalho. No entanto, quem trabalha com os pesos-pesados muitas vezes o faz por enxergar neles muito mais que um ganha-pão – o que faz todo sentido porque, como os carros, eles são veículos com com um universo próprio de histórias, características de design e detalhes distintos. E o que não faltam por aí são “project trucks” – que são como os project cars, só que com caminhões em vez de carros. E é de um deles que vamos falar hoje.

Você talvez tenha visto circulando por aí vídeos de um caminhão rat rod movido por um motor V12 quadriturbo – um verdadeiro monstro que parece ter saído de um dos filmes da franquia Mad Max, envolto em uma nuvem de fumaça de escape e dos pneus traseiros. Saca só:

É o tipo de coisa que se costuma ver muito lá fora, e todo mundo acha bacana. Mas esta é a prova de que no Brasil também se faz loucuras motorizadas – no caso, um caminhão Chevrolet C68 que estava abandonado na propriedade de Elvis Zeni, de Cafelândia/PR, havia pelo menos 30 anos. Ele quase vendeu a sucata para o ferro-velho, mas um dia teve um estalo: juntar o caminhão a um motor V12 MWM que também estava sem uso guardado em seu galpão. O resultado foi o projeto em questão, que ainda não tem nome e por enquanto é chamado apenas de “hot rod V12”.

CAMINHAOOO

O Sérgio Kaskanlian, do canal Planeta Caminhão, foi até Cafelândia para conhecer melhor o hot rod. Lá ele conversou com Elvis, que tem vários outros projetos – incluindo caminhões antigos da Fiat, da FNM e da Scania que, ao seu tempo, serão todos restaurados. Atualmente, porém, o centro das atenções é mesmo o hot rod, que levou três meses para chegar ao estado atual, com toda a estrutura finalizada e rodando de forma confiável.

O hot rod aproveita a cabine e o chassi do C68, devidamente adaptados: o chassi recebeu um sistema de suspensão a ar com bolsas de um caminhão moderno e amortecedores novos, e a cabine foi recuada e cortada para se encaixar na porção central da estrutura, acomodando o motor na dianteira.

CAMIN

E haja motor: trata-se de um V12 MWM de 21,6 litros a diesel que, originalmente, é sobrealimentado por duas turbinas e entrega por volta de 400 cv. Elvis, porém, adaptou mais duas turbinas e, segundo seus cálculos, agora o motor entrega perto de 1.000 cv. O MWM 232 costuma ser usado em geradores de energia, mas também pode ser encontrado em embarcações e em caminhões fora-de-estrada Randon RK – aqueles gigantescos, usados em grandes construções. Na dianteira há um para-choque tubular com jeito de locomotiva a vapor e, sem capô, é possível ver todo o conjunto mecânico trabalhando. O mesmo vale para o interior, onde é preciso tomar cuidado para não encostar no cardã enquanto ele gira – afinal, ninguém quer sair de dentro do caminhão com a calça rasgada e a perna esfolada.

CARDA

O câmbio é de um ônibus Scania, com alavanca na coluna, e o cardã que leva a força para as rodas traseiras passa por dentro da cabine. Atrás há um tanque de combustível feito sob medida, com capacidade para mais de 300 litros de diesel. Elvis conta que nenhum aspecto do caminhão foi previamente planejado e nada foi colocado no papel – ele só foi fazendo e testando diferentes soluções na prática. O que não dava certo era mudado até funcionar como ele queria. O criador do hot rod não é um engenheiro, ele é um entusiasta que coloca a mão na graxa e faz acontecer.

E ele sabe que um projeto como esse nunca fica pronto de verdade. Elvis diz que pretende pintar a cabine de preto fosco e tornar o interior mais habitável, com revestimentos internos, três bancos (vai ser preciso adaptar o banco do meio para ficar encaixado sobre o chassi) e um certo nível de conforto – ele quer viajar com a esposa e o filho no hot rod, que para isto também vai precisar ser vistoriado e devidamente documentado.

RENTEATRAS

Enquanto isso Elvis participa de encontros de antigos e dá passeios pelos arredores da propriedade. A força do motor é suficiente para destracionar as rodas traseiras e fazer burnouts, mas para Elvis, 1.000 cv ainda não são suficientes: os planos futuros também envolvem a instalação de mais dois turbos para que a potência chegue a pelo menos 1.500 cv.

Não é o tipo de coisa que se costuma ver aqui no FlatOut, mas pode ter certeza que nós vamos continuar acompanhando este projeto.

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