A revista semanal dos entusiastas | jorn. resp. MTB 0088750/SP
FlatOut!
Image default
Car Culture Projetos Gringos

Esta Kombi parece saída de um desenho animado mas é 100% real (e funcional)

Você já deve ter visto aquelas caricaturas de carros com proporções surreais — rodas enormes, entre-eixos curtíssimo, vidros minúsculos — e pensado “cara, isto jamais funcionaria no mundo real”. Acontece que você está enganado — e a Kombi “Surf Seeker”, feita pelo californiano Ron Berry, um construtor de carros artesanais de quem pouco se conhece além do talento.

O que se sabe sobre Berry vem de um artigo de 2007 do blog Just a Car Guy, que diz que Ron Berry já customiza carros há mais de cinco décadas… e só. Diz também que uma de suas criações, a woodie Shorebreak — homenagem às woodies clássicas que surgiram na década de 1930 — teve que ficar separada dos carros que estavam em exibição no Wavecrest Woodie Wagon Meet, um dos maiores encontros de woodies dos EUA, por causa de suas formas “não tradicionais”.

busron (6)

A Shorebreak parece um carrinho de Hot Wheels em tamanho real — seja pelo tamanho das rodas, pelas proporções da carroceria e até pela cor azul vibrante. Mas não se deixe enganar pelo aspecto de brinquedo da carroceria de fibra de vidro: o carro usa um chassi feito sob medida, suspensão de Ford Mustang 1983 e um V8 de cinco litros acoplado a uma caixa manual de cinco marchas.

 

O mais impressionante, porém, é o nível de acabamento do interior: madeira no assoalho e nos forros de porta, bancos com armação de metal cromado e para-lamas que se erguem para facilitar a troca dos pneus. Tudo isto feito por apenas um senhor — já na casa dos 70 anos.

busron (7)

Mas Ron andou meio sumido do mapa até meados deste ano, quando começaram a circular pela internet fotos desta Kombi bizarra — menor e “torta”, com uma seção dianteira que se abria toda para que os ocupantes pudessem entrar, como no clássico BMW Isetta (fabricado no Brasil pela Romi e vendido como Romi-Isetta). Como na perua Shorebreak, o acabamento é impecável e muito caprichado por dentro e por fora.

A base foi uma Kombi 1965 que teve o entre-eixos encurtado e algumas partes da carroceria aproveitadas, mas todo o resto foi feito artesanalmente e em metal — nada de fibra aqui! O painel de instrumentos, com uma clássica hula girl no painel, fica na porta frontal, que tem abertura por controle remoto, bem como o vigia traseiro. Os dois bancos inteiriços parecem duas poltronas e passam a impressão de muito conforto — mesmo com as enormes rodas de 24 polegadas e pneus de perfil baixo que colaboram com o visual cartunesco.

O nome é bem apropriado: Surf Seeker, e a Kombi até ganhou uma prancha de surfe no teto para combinar. A melhor parte, porém, está na traseira: o clássico boxer refrigerado a ar a Kombi recebeu fôlego extra de um compressor mecânico roots e, além de roncar bonito, entrega para lá de saudáveis 200 cv.

Imagine esta coisinha acelerando atrás de você na rodovia e te deixando para trás. Você seria pego de surpresa — e nós também, pode apostar.

Além da Surf Seeker e da Shorebreak, Ron Berry também fez uma picape mais tradicional usando a carroceria de uma F-100 1956 e o chassi de um Ford LTD 1978. Na dianteira, um V8 Ford com cabeçotes SVO e um compressor mecânico que, segundo Ron, desenvolve nada menos que 836 cv . O motor está acoplado a uma transmissão TCI C6 automática de três marchas.

Agora, voltando à Surf Seeker: talvez você até goste da ideia de uma Kombi com visual de brinquedo, mas as formas ousadas do carro de Ron Berry sejam caricatas demais. Nesse caso, não se preocupem, pois temos a Kombi certa para você:

Quer dizer, com este entre-eixos tão curto, de “van” a Kombi só tenha ficado com o formato, pois a utilidade como veículo de carga já era…

Este tipo de personalização é bastante popular e tem até nome: “Shorty Bus”. Basicamente, elimina-se quase toda a porção central da carroceria, aproximando os eixos e redistribuindo as massas ao longo do carro (que de “longo” não tem nada, mas você entendeu).

O resultado é um peso muito maior e concentrado atrás, o que, combinado à suspensão macia e ao enorme balanço traseiro, traduz-se em uma tendência gigantesca levantar a traseira e, na pior das hipóteses, tombar. Mas esta é justamente toda a graça da coisa, não?

 

Matérias relacionadas

Acredite: isto é um Porsche – e custa R$ 850 mil!

Dalmo Hernandes

Uma Ferrari 348 stanced seria… arte?

Dalmo Hernandes

Tudo sobre turbo: como funciona a geometria variável, compressão e mapas

Leonardo Contesini