Edição diária: 20/06/2019
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Car Culture

Esta réplica do Shelby Cobra foi feita usando impressão 3D – mas não como você imagina

Com o surgimento da impressão tridimensional (ou 3D, se preferir), um novo horizonte futurista surgiu diante dos gearheads, que vislumbraram a possibilidade de recriar peças e componentes fora de catálogo ou difíceis de se encontrar para seus carros. Obviamente a ideia de se imprimir motores e até um carro inteiro não demorou para ganhar força e se tornar realidade — ainda que de forma não muito prática ou esteticamente atraente.

Agora, nesta última sexta-feira (1), o Oak Ridge National Lab (ORNL), um instituto do Departamento de Energia dos EUA dedicado a pesquisa e desenvolvimento de inovações em tecnologia, matérias primas, supercomputação e segurança nacional, revelou seu mais novo projeto concluído: uma réplica em escala do Shelby Cobra que, de acordo com a organização, foi “totalmente impresso em 3D” e levou seis semanas para ficar pronto, da concepção à montagem final. Mas será que foi mesmo “totalmente impresso”?

De acordo com a ORNL, boa parte das peças da carroceria e do chassi foi impressa em plástico reforçado com 20% de fibra de carbono, utilizando uma impressora capaz de imprimir objetos com mais de 1 m³ em grande escala. Essa impressora foi desenvolvida pelo próprio laboratório em parceria com a Cincinatti Technologies e ainda está em fase experimental, mas já opera de 500 a 1000 vezes mais rápido do que as atuais impressoras 3D industriais.

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Isto ajuda a explicar como o carro ficou pronto em tão pouco tempo. Normalmente objetos pequenos, como uma caneca, podem levar de alguns minutos a algumas horas para ser impressos em 3D — o tempo de impressão pode variar de acordo com a qualidade de acabamento desejado. Contudo, a ORNL diz que o processo de impressão dos componentes da carroceria levou apenas 24 horas.

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Oito horas foram gastas com a impressão dos moldes, e mais quatro horas foram necessárias para dar à carroceria o acabamento digno de um automóvel completo. No vídeo abaixo é possível ver como foi o processo de fabricação do carro, e é realmente impressionante…

… mas também abre margem para algumas observações e questionamentos. Como acabamos de dizer, a impressora desenvolvida pela ORNL (sobre a qual a organização não dá detalhes) é capaz de imprimir até 1.000 vezes mais rápido que as atuais impressoas 3D industriais, e isto é realmente fantástico.

Contudo, note como cada camada de impressão é espessa, e repare no acabamento bastante rústico da peça impressa. Por isso, depois de impresso, cada um dos componentes teve a superfície trabalhada manualmente para ficar lisa e uniforme antes de receber o acabamento.

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Além disso, apesar de anunciar o carro como uma réplica funcional totalmente impressa em 3D, a carroceria teve componentes feitos da maneira tradicional, usando os já citados moldes — estes, sim, impressos em 3D.

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Isto sem falar nos componentes de suspensão; freios; motor elétrico; e itens do interior, como volante, bancos e painel, que (por enquanto) não podem ser feitos por meio da tecnologia de impressão tridimensional. No fim das contas, dos 638 kg do carro pronto, 228 kg são de peças impressas em 3D.

Dito isso, o trabalho não deixa de ser impressionante. Ainda mais vendo o time lapse da impressão do chassi do carro:

Mas além de ser bacana de assistir, qual foi o objetivo do projeto? Ou, para colocar de outra maneira, quando a gente vai poder imprimir nossos próprios Shelby Cobra depois de baixar os blueprints na Internet?

Bem… se você quiser construir sua réplica já é possível, você só precisaria de uma impressora de dinheiro — considerando o custo dessas coisas hoje em dia — mas futuramente isso poderá ser bem mais acessível, algo como a modelagem de fibra de vidro atualmente (exatamente o que isso poderá substituir).

Contudo Love diz que provavelmente nossa geração não verá a popularização de um carro impresso em 3D que seja plenamente viável em grande escala. Contudo, há uma aplicação mais imediata: a indústria de protótipos. Hoje o processo de design de um automóvel envolve a fabricação de um modelo em argila (ou clay), processo lento e detalhado que leva dias ou até semanas.

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Com a impressão em 3D, a ORNL diz que poderá reduzir esta etapa a algumas dezenas de horas, e ainda permitir que os protótipos sejam funcionais, para que outros aspectos do novo carro possam ser testados e aprimorados. No processo, também seriam economizados recursos materiais e energéticos.

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A pergunta que fica é: será que, mesmo com a necessidade de dar o acabamento às superfícies impressas em 3D usando trabalho artesanal, esta troca valeria à pena? Talvez ainda seja cedo para responder.

 

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