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Achados meio perdidos

Este Alfa Romeo 2300 TI de uma só família é nosso Achado Meio Perdido de hoje

Se houve uma fábrica brasileira de automóveis que teve a faca e o queijo na mão para se tornar grande, ela foi a FNM (Fábrica Nacional de Motores), ou Fenemê, como ela era carinhosamente chamada. Surgida em 1942 para fabricar motores de avião, em 1949 ela começou a fabricar caminhões, sob licença da Isotta Fraschini e em 1951, sob licença da Alfa Romeo.

Em 1960, começou com automóveis. Tinha fábrica de motores, estamparia, pintura, produção de câmbio, tudo que a Gurgel um dia sonhou em ter, mas já tarde demais. E, em 1985, a FNM deixou de existir. Se foi fundada por um militar visionário, Antônio Guedes Muniz, também deve seu fim a ter sido vendida em 1977, pelos militares, à Fiat. Das boas lembranças que a empresa deixou, uma das melhores é o Alfa Romeo 2300 TI. E um deles é nosso Achados Meio Perdidos de hoje.

Sua fabricação começou em 1974 e o estilo foi adotado apenas no Brasil. Era inspirado no Alfetta, de 1972, mas era único — e baseado sobre o modelo 1900 dos anos cinquenta. O 2300 veio com uma série de inovações, como os freios a disco nas quatro rodas, algo que só foi igualado em 1991.

Seu motor, um quatro cilindros 2.3, tinha sofisticações que também eram só dele, na época: duplo comando de válvulas, por corrente, no cabeçote (apesar de ele ter apenas duas por cilindro), câmaras hemisféricas de combustão e válvulas de escapamento refrigeradas por sódio. O câmbio era de cinco marchas, com alavanca no assoalho. Pode não parecer grande coisa hoje, mas, na época, com alavancas no volante não mais de três marchas, era uma senhora evolução.

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Em 1976, com a proibição às importações de automóveis, a Alfa Romeo, que controlava a FNM desde 1968, adotou o mote “o primeiro importado feito no Brasil”. Em 1977, nascia a versão TI, de Turismo Internazionale, que trazia dupla carburação, com dois carburadores Solex 40 de corpo duplo horizontais.

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O TI tinha 4,71 m de comprimento, excelentes 2,73 m de entre-eixos, 1,96 m de largura, 1,44 m de altura, 436 litros de porta-malas e tanque de combustível de 100 litros, que se tornou uma vantagem e tanto com a crise do petróleo, nos anos 1970, e com a restrição de abastecimento em apenas alguns dias da semana. Já oferecia, em 1977, encostos de cabeça e cintos de segurança de três pontos para os passageiros dos bancos de trás.

Pesava 1.380 kg e chegava à máxima de 170 km/h, indo de 0 a 100 km/h em 13,6 s, segundo a revista Quatro Rodas de maio de 1977. Ele era o máximo do luxo, do conforto e da esportividade em sua época. O painel era revestido de mogno de verdade e ele tinha ar-condicionado, o volante era regulável em altura e havia luzes de leitura para os passageiros dos bancos de trás. Sua carroceria tinha zonas de deformação para impactos, com cabine mais resistente, um conceito que só foi plenamente incorporado aos demais automóveis décadas depois. Durante anos, o 2300 TI foi o carro mais caro à venda no Brasil.

O modelo que encontramos está em São Leopoldo/RS e pertenceu, desde zero, à mesma família. Foi passado de pai para filho até chegar às mãos do anunciante, que é seu terceiro dono. Segundo ele, o carro nunca foi batido e é muito bem alinhado, sem qualquer defeito de pintura, que foi recentemente espelhada.

O motor foi recentemente reformado apenas com peças novas e, desde a reforma, rodou apenas 1.000 km. O hodômetro marca 24.248 km, mas é bem possível que ele já tenha girado pelo menos uma vez, com 124.248, portanto. O interior também passou por renovação, com o veludo usado originalmente nos bancos. Rodas e volante são os originais de fábrica. A suspensão também foi revisada e está em dia.

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A documentação de 2015 ainda não foi paga, mas é a única pendência que o carro tem em relação a isso. Segundo o vendedor, é só abastecê-lo e viajar. Ele inclusive se compromete a entregar o carro de tanque cheio. Considerando que o dele tem 100 litros, é uma oferta a não recusar.

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O vendedor está pedindo R$ 19.000 pelo 2300ti — abaixo da maioria dos 2300ti em bom estado, que giram em torno de R$ 25.000. Além disso, se estiver interessado neste modelo cheio de história sempre é uma boa ideia conversar e negociar com o vendedor. Pena que uma empresa capaz de fazer um automóvel tão legal não viveu o suficiente para se estabelecer como uma legítima fabricante brasileira…

 

[ Mercado Livre ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de uma reportagem aprofundada e não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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