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Achados meio perdidos Car Culture

Este Audi Sport Quattro do Grupo B à venda encerra 2014 com chave de ouro

O ano de 2014 foi controverso em muitos aspectos, mas não dá para dizer que foi ruim para carros preciosos e raros à venda no mundo todo. E, no último dia do ano, temos a prova definitiva: um dos 214 Audi Sport Quattro feitos para homologar um monstro do Grupo B de rali será leiloado, e com só 8.300 km rodados. Vá quebrando o cofrinho!

O Audi Quattro é uma das maiores lendas da história do WRC. Sua estreia aconteceu em 1980, e o sistema de tração integral quattro (com “q” minúsculo, mesmo) causou uma revolução. Até então os ralis eram disputados, em sua esmagadora maioria, por carros de tração traseira — para muitos, a escolha óbvia quando se trata de alto desempenho… no asfalto.

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Mas ralis são disputados na terra. Sendo assim, os antigos carros do Grupo 4 (que o Grupo B substituiu), como o Lancia Stratos HF e o Ford Escort RS1800, de repente ficaram obsoletos quando o grip extra dos Audi de tração integral chegou aos estágios de rali naquele 1980, sagrando-se campeão no ano seguinte com a francesa Michèle Mouton ao volante, a primeira mulher campeã de rali da história.

Até então, o regulamento estabelecido pela FIA determinava que os carros de competição deveriam ser baseados nos modelos de rua e o Audi Quattro de rali não era exceção. Contudo, em 1982, tudo mudou. Na verdade, ficou tudo ao contrário: o Grupo B, inaugurado naquele ano, permitia que os fabricantes de automóveis desenvolvessem primeiro os protótipos para competição, e depois desenvolvessem uma versão “de rua” para homologá-los. Nem era preciso tantos — só 200 exemplares.

A liberdade para criar carros bastante extremos e a baixa quantidade de unidades necessárias para homologação fizeram com que o Grupo B fosse adotado imediantamente pelos fabricantes. Foi assim que surgiram carros emblemáticos como o Ford RS200, os Lancia 037 e Delta S4 ou o Peugeot 205 T16. Detalhe: todos eles tinham tração integral, seguindo os passos do Audi Quattro, além de estrutura tubular e carrocerias de materiais leves, como fibras de vidro e de carbono e até Kevlar, em alguns casos.

Ironicamente, foi a Audi quem ficou obsoleta desta vez, pois era a única que ainda competia com carros baseados em modelos de rua — maiores, mais pesados e com equilíbrio dinâmico prejudicado pelo motor longitudinal na dianteira. O resultado: a Audi ficou apenas em segundo lugar, superada pelo Lancia 037.

Stig Blomqvist, Audi Rallye-Weltmeister von 1984 im Sport quattro Rallye

No ano seguinte viria a redenção, trazida pelo Audi Sport Quattro. Embora seu visual lembrasse muito o Quattro anterior, era um carro bem diferente: seu entre-eixos encurtado em mais de 30 cm dava ao carro um aspecto estranho, mas o deixava mais ágil e compensava o motor dianteiro.

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Motor que, aliás, entregava no mínimo 450 cv (há quem diga que a potência era mais próxima dos 700 cv), bem mais do que os 300 cv do carro antigo, e chegava aos 100 km/h em 3,1 segundos. Os freios com discos ventilados da AP Racing eram os mesmos do Porsche 917 (para se ter uma ideia do imenso poder de frenagem que era necessário para parar este carro) e tinha até ABS.

Foi com o Audi Sport Quattro que em 1984, um time de pilotos que incluía Stig Blomqvist, Michèle Mouton e o lendário Walter Röhrl conquistou o segundo e mais importante título da Audi no WRC.

Para homologá-lo, a Audi construiu 214 exemplares da versão de rua, que era mais mansa e não tinha um interior totalmente depenado. Com “apenas” 306 cv no motor de cinco cilindros, cada um com quatro válvulas, e 2,1 litros sobrealimentado por uma turbina KKK-K27, o Sport Quattro chegava aos 100 km/h em 4,8 segundos e era um dos carros mais rápidos que alguém poderia comprar — desde que fosse a uma das concessionárias Audi selecionadas para as quais o carro fora distribuído.

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Se você não era nascido naquela época, não precisa se lamentar: este Audi Sport Quattro será leiloado pela RM Auctions durante um evento no Arizona, EUA, entre os dias 15 e 16 de janeiro de 2015. O carro pertencia a um colecionador japonês Yoshikuni Okamoto, da cidade de Kobe e, segundo a casa de leilões, é um dos mais bem conservados do planeta.

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Além da baixa quilometragem (8.300 km), o carro tem todos os itens originais — da pintura branca às rodas Ronal de 9” de largura, passando pelo interior com bancos Recaro forrados com couro e tecido, kit de ferramentas e manuais do proprietário e de manutenção. Para garantir que o novo dono possa aproveitar o fato de o carro ser totalmente legalizado para as ruas e estar com a documentação em dia, o Sport Quattro passou por uma revisão completa na concessionária americana Audi Farfield — afinal, é preciso dar uma atenção especial a um carro que rodou tão pouco em 30 anos.

A RM Auctions estima que o carro será arrematado por algo entre US$ 350 mil e US$ 475 mil, ou algo entre R$ 930 mil e R$ 1,2 milhão. Bem, já sabemos o que fazer se ganharmos na loteria tradicional de fim de ano…

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[ Fotos: RM Auctions ]

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