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Projetos Gringos Zero a 300

Este cara fez um motor V10 em miniatura totalmente funcional – e você precisa ouvir o ronco dele

Há algum tempo, no início de 2016, falamos aqui sobre o Connaught GT D-Type, um esportivo britânico que carregava um V10 de dois litros com supercharger capaz de entregar 300 cv. É um motor bem pequeno para a quantidade de cilindros – menor que isto, só em carros de Fórmula 1, com seus motores V8, V10 e V12 de 1,5 ou 1,6 litro.

Quer algo ainda menor? Tipo, bem menor? Então você vai pirar neste motor V10 de apenas 125 cm³, feito totalmente à mão por um único cara e 100% funcional. Sim, estamos falando do mesmo deslocamento de um motor monocilíndrico de moto arrefecido a ar, com um projeto muito mais complexo e sofisticado. Já falamos que um cara fez tudo sozinho?

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O projeto é de autoria de um cara chamado Keith, cujo usuário no fórum ModelEngineMaker.com (dedicado exclusivamente aos entusiastas de motores em miniaturas) é “keith5700”, e, ao ver as fotos, fica difícil acreditar que se trata de um motor feito de forma artesanal que funciona mesmo, e não de uma réplica decorativa produzida em série, industrialmente. Isto até você vê-lo (e ouvi-lo) funcionando. Que beleza de ronco!

Keith conta em seu tópico no fórum (que se estende por 20 páginas) que a ideia de fazer um V10 em miniatura totalmente funcional veio simplesmente da vontade de desafiar a si mesmo. Ele já havia feito uma réplica de motor V8 antes já havia visto motores V12 em miniatura, mas nunca um V10 em miniatura que fosse operacional como um V10 “de verdade”.

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As aspas estão ali porque, bem, o motor de Keith é um motor de verdade, sem sombra de dúvida. Tem bloco, cabeçotes, comandos de válvulas (duplos!) nos cabeçotes e é alimentado por um sistema de injeção eletrônica, o que facilita as coisas na hora de conectar o V10 a um Macbook para verificar em detalhes seu funcionamento. Tudo projetado e, na medida do possível, fabricado por Keith, que usou uma fresadora para dar forma aos diminutos pistões, bielas, virabrequim, bloco, comandos e tampas de válvulas.

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Ele chegou a dizer no tópico que gostaria de ter uma máquina de usinagem CNC mas que, se tivesse, não saberia como operá-la – o que daria no mesmo. Considerando as limitações da fresagem em termos de precisão e acabamento em relação à usinagem, o trabalho de Keith fica ainda mais admirável. Sério, olha que belezinhas estas peças!

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Cuti-cuti!

O motor todo em alumínio tem um ângulo de 82° entre as bancadas de cilindros, sendo que cada cilindro desloca 12,5 cm³ para um total de 125 cm³. Uma pena não haver dados a respeito das medidas de curso e diâmetro, mas Keith diz que a taxa de compressão é de 8,3:1, que os comandos de válvula têm perfil variável na admissão.

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Repare no tamanho das polias do virabrequim e dos comandos de válvulas: são do tamanho de moedas!

Ele colocou todas as medidas no papel através de croquis técnicos bastante detalhados, e aparentemente os reproduziu em escala 1:1 na hora de fabricar os componentes necessários. Que, bem, foram muitos. A maioria deles recebeu acabamento anodizado (que consiste em oxidar uma fina camada da superfície do alumínio, tornando-a mais resistente), sendo que alguns deles, como a embreagem, até foram tingidos.

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Os coletores de escape são 5×1

O processo levou três anos, de 2014 ao fim de 2016, da concepção à primeira vez que o motor funcionou, de fato. Mais ou menos na metade deste período, Keith decidiu que o motor teria também um supercharger do tipo Roots e chegou a fabricá-lo também, mas por questões técnicas, decidiu adiar sua instalação. Atualente, a carcaça do compressor abriga os componentes da ignição (que é eletrônica) e da injeção Megasquirt – os únicos componentes do motor que não foi feita por Keith, diga-se de passagem.

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Considerando o tamanho do motor na bancada, conseguimos imaginar todo tipo de aplicação interessante para ele: imagine só um kart com esta coisinha atrás do banco do piloto.

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