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Este cara restaurou sua Ferrari 308 GTB na própria garagem para usá-la todos os dias!

Se você nunca prestou atenção na car culture tailandesa, não se sinta mal: a Tailândia não é mesmo famosa por sua cena automotiva. Dito isto, entusiastas existem no mundo todo e, com mais de 67 milhões de habitantes, naturalmente que a Tailândia tem sua cota. Chayanin Debhakam é um deles, e merece todo nosso respeito: mesmo vivendo em um país na contramão do circuito automotivo mundial, ele conseguiu comprar uma Ferrari 308 GTB, restaurá-la com as próprias mãos (e a ajuda dos amigos) e hoje, dirige o carro todos os dias pelas ruas da capital, Bangkok.

Debhakam teve sua história contada pelo pessoal do Petrolicious e, como de costume, o vídeo é muito bacana – uma maneira inspiradora de encerrar o feriado.

A Ferrari 308, lançada em 1975, foi tecnicamente o primeiro modelo com motor V8 central-traseiro na história da marca. Antes dela havia 308 GT4, lançada em 1973. Só que a 308 GT4 era vendida sob a marca Dino, introduzida em 1968 para vender os modelos de entrada da Ferrari. A GT4 só passou a ser vendida como Ferrari em 1976, quando a Dino foi descontinuada.

A Dino 308 GT4 tinha uma carroceria de proporções curiosas para uma Ferrari, com entre-eixos mais longo e três volumes, projetada pelo estúdio Bertone – foi a primeira não desenhada pela Pininfarina. A Ferrari 308 GTB (ou GTS, no caso da versão targa) era mais tradicional, com design Pininfarina e linhas mais harmônicas, mas utilizava praticamente o mesmo chassi tubular da GT4.

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E o mesmo motor, também: um V8 de 2,9 litros (2.927 cm³) com curso x diâmetro de 77×71 mm (mesmas dimensões do V12 Colombo), quatro carburadores Weber 40DCNF, duas válvulas por cilindros e um ângulo de 90° entre as bancadas. Na Europa, o motor tinha cárter seco e entregava 255 cv a 6.600 rpm. Em outros mercados, como Japão, Austrália e EUA, o motor tinha cárter úmido, catalisador e 240 cv às mesmas 6.600 rpm.

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Para ilustrar, o motor de uma 308 GTB. Ela já tinha comando duplo nos cabeçotes, porém apenas duas válvulas por cilindro. Repare como ele fica montado na transversal – quando a Ferrari utilizou a 308 como base para a Ferrari 288 GTO, além de adicionar dois turbos e reduzir sua capacidade para dois litros, também mudou a instalação para longitudinal

A Ferrari 308 GTB tinha carroceria de fibra de vidro até 1977, quando passou a ser feita de aço. Naquele ano, também foi introduzida a 308 GTS, com teto targa. Em 1980, o motor passou a ser alimentado por um sistema de injeção Bosch K-Jetronic e, em 1982, a ter quatro válvulas por cilindro em vez de duas.

A 308 também foi a primeira Ferrari que Chayanin viu pessoalmente e, por isso, tornou-se sua favorita. Naturalmente, ao comprar sua própria Ferrari, Chayanin deu prioridade à 308. E ele queria um dos primeiros exemplares: carroceria de fibra de vidro, teto fixo e motor carburado.

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Só que, como você deve lembrar, Chayanin mora na Tailândia, e não na Itália ou no Reino Unido, onde o mercado de carros esportivos clássicos é abundante e aquecido. Ele precisou da ajuda do presidente do Clube de Proprietários de Ferrari da Tailândia, que o ajudou a rastrear exatamente o carro que ele queria.

O exemplar estava íntegro e bem cuidado, com carroceria Rosso Corsa e interior creme. Ao investigar o histórico do carro, porém, Chayanin descobriu que, originalmente, o mesmo era pintado de amarelo “Fly Yellow” e tinha o interior revestido com couro preto. Então, ele decidiu que restauraria a Ferrari e devolveria a ela suas especificações originais.

Chayanin não o fez sozinho, o que seria admirável, mas em vez disso, contou com a ajuda de alguns amigos, que se reuniam em um espaço vago em seu escritório para fuçar no carro nos fins de semana e nas horas vagas – às vezes, antes das seis da manhã. Nada foi feito às pressas. Chayanin garimpava por componentes na internet (como o sistema de escape new old stock original da 308 GTB), lia o manual de manutenção (que comprou antes mesmo de encontrar o carro) e estudava todas as características do modelo lançado em 1975 para que a restauração ficasse o mais fiel possível. Ele e os amigos descobriam juntos como realizar certos procedimentos, e os conhecimentos de todos se complementavam na hora de colocar a mão na massa.

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Aos poucos, o carro foi voltando a sua forma original, tudo feito com muito capricho e sem medir esforços ou gastos. Nenhuma modificação foi realizada, pois tudo o que Chayanin queria era ter um carro exatamente como deixou a fábrica em Maranello. Sequer os alinhamento dos painéis da carroceria foi corrigido pois, de acordo com ele, é este o grande charme de um carro feito à mão.

Prioridade foi o funcionamento da 308, especialmente dos freios, suspensão e arrefecimento do motor. “Se estes três sistemas estiverem em ordem, dá para dirigir este carro para qualquer lugar, em qualquer momento”.

E é exatamente isto que ele faz. O carro sai da garagem todos os dias e, segundo Chayanin, o mais bacana é ver como uma Ferrari antiga arranca sorrisos das pessoas.

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Foto: Petrolicious.com

Chayanin também diz que é mais gratificante do que uma Ferrari moderna, pois é um carro que pode ser levado ao limite. É mais divertido do que guiar um carro muito mais potente sem poder explorar todo seu potencial. Não é à toa que ele prefere a 308, com seu motor carburado e carroceria de fibra de vidro, a um Lamborghini Murciélago ou um Audi R8.

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