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Projetos Gringos Zero a 300

Este carro é a prova de que qualquer motor cai bem ao Chevette

Você, fã do Chevette, já sabe que o carro nesta foto não é exatamente um Chevette. Trata-se de um Opel Kadett C, lançado em setembro de 1973 na Alemanha – nosso Chevette foi lançado seis meses antes, em março. Você também sabe que o Chevette é uma boa base para project cars, pois além de abundante e relativamente barato (até quando?), é um carro leve, de motor dianteiro e tração tração traseira. E o visual agrada a maioria dos entusiastas.

E isto não é verdade apenas no Brasil. Lá na Europa, não é tão difícil assim encontrar bons projetos feitos com o Chevette, ou melhor, o Kadett C. Este aqui, por exemplo, vem lá da Noruega, onde os caras curtem bastante colocar seus projetos para deslizar de lado no Gatebil, um dos maiores eventos de pista da Escandinávia, voltado para drift e grip.

Também devemos notar que os europeus costumam ser bem menos rígidos quando se trata de misturar fabricantes em seus projetos. Os caras não estão nem aí se o motor usado no carro não é da mesma marca, desde que ele faça seu trabalho direito. É por isso que, em vez de um C20XE ou algum motor em V da General Motors, como um V6 Vortec ou um V8 small block, este Chevas tem um V6 J35, da Honda.

O carro pertence à equipe norueguesa OakHeart Racing, e já está no circuito faz algum tempo. Os primeiros registros na página do projeto no Facebook mostram fotos do Chevette em Nürburgring Nordschleife e equipado com um quatro-cilindros Volvo turbinado. É dele o som que se ouve no onboard abaixo, gravado no autódromo norueguês de Rudskogen – que é o autódromo mais antigo da Noruega, aberto em 1990, e sempre recebe edições do Gatebil.

Com o motor sueco o carro já andava bem, mas estamos falando de um daqueles project cars eternos que sempre mudam de configuração porque seus donos simplesmente não conseguem abandoná-lo. Ou ao menos é o que parece, pois o pessoal da OakHeart Racing se deu ao trabalho de desmontá-lo completamente para acomodar o novo conjunto mecânico.

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Em cima, antigamente. Embaixo, hoje em dia.

O V6 J35 da Honda equipou uma variedade de modelos diferentes e, bem, nenhum deles era exatamente um esportivo: a minivan Honda Odyssey, os suvs Honda Pilot e Acura MDX, a picape Honda Ridgeline e o sedã Acura RL. Trata-se de um motor relativamente moderno, com 60° entre os cilindros, comando simples nos cabeçotes e, nas versões mais recentes, um sistema de gerenciamento dos cilindros que desativa uma das bancadas e, efetivamente, transforma o V6 em um três-cilindros para economizar combustível. Não é exatamente um motor de alto desempenho, ao menos não de fábrica.

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Mas o J35 vem sendo muito usado em project cars lá fora por seu enorme potencial de preparação, especialmente quando sobrealimentado. No vídeo abaixo, um Honda Civic hatch EG equipado com um J35 turbo preparado para render mais de 800 cv (seus componentes internos foram substituídos por peças reforçadas e os cabeçotes foram trocados por outros de maior fluxo) chega aos 304 km/h:

Já neste outro vídeo, temos a Honda Odyssey que a fabricante levou para Pikes Peak em 2013: o J35 turbinado entrega nada menos que 540 cv.

Agora, estamos falando de um carro alemão fabricado nos anos 1970, preparado por noruegueses em 2017 para acomodar um motor lançado em 1996 – ou seja, foram necessárias algumas adaptações para acomodá-lo. Alguns cortes na parede de fogo foram necessários, bem como alterações nas caixas de roda e a fabricação de suportes sob medida para o motor. Por causa da tubulação do turbocompressor, foi necessário deslocar o radiador para a traseira. É provável que dutos sejam feitos nas janelas traseiras para alimentá-lo com ar frio. Já o tanque de combustível selado, que ficava no porta-malas quando o motor Volvo era utilizado, foi parar no lugar do banco traseiro.

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Originalmente o J35A3 (versão usada no Acura MDX e no Saturn Vue, uma Chevrolet Captiva rebatizada) entrega bons 250 cv sem indução forçada. Sua potência com o turbocompressor BorgWarner de 42 mm e componentes internos novos (pistões Wiseco, bielas ARP, válvulas Manley feitas sob medida) ainda não foi aferida, mas algumas dezenas de cavalos a mais certamente vieram. O motor está acoplado a uma caixa manual de cinco marchas vinda de um BMW 530D através de uma embreagem Quarter Master de dois discos.

Para compensar o ganho de peso por causa do motor V6, a dianteira recebeu capô e para-lamas de fibra de vidro. O interior também foi aliviado (até pouco tempo atrás, era um interior totalmente original de Chevette) e recebeu uma gaiola de proteção feita sob medida, além de uma caixa de pedais Willwood.

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O carro ainda não está pronto e, por esta razão, não há vídeos dele com o motor Honda. No entanto, isto não o impede de lhe servir de inspiração para um projeto com um Chevette, não é mesmo? Temos motores V6 interessantes disponíveis no Brasil (como o próprio Vortec, já usado em alguns projetos brasileiros de swap com o Chevas) e uma boa quantidade de exemplares do clássico da Chevrolet disponível. É uma receita difícil de errar.

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Foto: Gatebil

Se quiser acompanhar o projeto da OakHeart Racing, esta é sua página no Facebook.

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