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Achados meio perdidos

Este Chevrolet Monte Carlo pode ser seu novo clássico americano das antigas

Não importa quantos hot hatches e esportivos europeus bacanas existam por aí: para muitos entusiastas, o sonho mesmo é ter um clássico americano para chamar de seu. De vez em quando, surgem algumas oportunidades bacanas — e esta aqui é uma delas, ao menos ao nosso ver. Lembra do primeiro carro de Sean Boswell em “Velozes e Furiosos: Desafio em Tóquio” (The Fast and the Furious: Tokyo Drift, 2006)? Pois é.

Antes de ser forçado a mudar-se para o Japão por sua mãe, que não gostava nada de suas aventuras ao volante, Boswell dirigia um Chevrolet Monte Carlo de primeira geração que ficou totalmente destruído em um racha contra um Dodge Viper depois da aula. Foi a gota d’água para a Sra. Boswell, que mandou o rapaz ir morar com seu pai na Terra do Sol Nascente — e ficar longe de qualquer tipo de carro.

Não deu muito certo, porque Sean acabou conhecendo o drifter Han Lue e se envolvendo ainda mais com corridas de rua… e o Monte Carlo ficou para trás. O que é uma pena, porque aquele carro era bacana demais.

Enfim. Se você é daqueles que preferem a escola americana e queria que Sean Boswell tivesse voltado para os EUA e dado um jeito em sua banheira americana, temos uma boa notícia: um Chevrolet Monte Carlo 1972 à venda no Brasil — mais precisamente, no Distrito Federal. Além de bem cuidado e oferecido a um preço interessante, o carro tem uma história bacana.

O carro data do último ano do Monte Carlo de primeira geração — o modelo seguinte, apesar de ecoar suas linhas, tinha aspecto mais sóbrio e sofisticado. Aliás, foi em 1972 que o Monte Carlo ganhou da Chevrolet um apelo mais luxuoso que esportivo — e este também foi seu melhor ano em vendas, com mais de 180 mil unidades emplacadas.

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Como muitos importados “soltos” no Brasil, este Chevrolet Monte Carlo foi comprado por um diplomata da Organização dos Estados Americanos que morava no Rio de Janeiro. É um exemplar do modelo básico, com motor small block Chevrolet de 350 pol³ (5,7 litros) alimentado por dois carburadores de corpo duplo, bom para 175 cv — em 1972, a lei americana estipulou que a indústria adotasse números de potência líquida em vez de bruta.

A potência relativamente baixa foi uma das primeiras consequências da crise do petróleo de 1973 — os motores acabavam estrangulados para entregar menos cavalaria do que eram capazes de render. A transmissão é automática de três marchas com alavanca na coluna — uma caixa manual, também com três marchas e alavanca na coluna (a famosa three on the tree) era opcional naquele ano.

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Na época, a família do atual dono do carro, Ricardo Guimarães, era vizinha do diplomata. Seu pai, Lamartine Ribeiro Guimarães, decidiu comprar o carro em 1973 (mesmo ano em que se mudou para Brasília) e, devido à burocracia, levou cinco anos para registrá-lo definitivamente em seu nome. O Monte Carlo permaneceu na família desde então — lá se vão 43 anos.

Agora o carro está à venda: o pai de Ricardo já está com 86 anos de idade e não pode mais dirigir. Enquanto podia, ele foi extremamente meticuloso com a manutenção do carro. Além de deixar sempre tudo em dia, ele guardou todos os manuais de oficina e documentos e comprou diversas peças de reposição — muitas delas, jamais utilizadas até hoje. O carro também tem alguns recursos que hoje parecem corriqueiros, mas na época eram praticamente inexistentes na indústria automotiva brasileira da época, como pisca-alerta, aviso de porta aberta no painel e cintos de três pontos.

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Atualmente, o carro está com cerca de 86 mil milhas marcadas no hodômetro, o que dá por volta de 138 mil km — nada mau, considerando que são mais de 40 anos de uso. O carro é totalmente original (o dono dá destaque às calotas e aos pára-choques de metal, estes originais e praticamente impecáveis) e, obviamente, apresenta marcas do tempo — a pintura está cansada, o interior apresenta desgaste em alguns pontos mas, no geral, o carro está bastante íntegro (incluindo estrutura e suspensão, que tem buchas novas e amortecedores funcionando perfeitamente) e roda normalmente. De acordo com Ricardo, o carro jamais retornou ao Rio de Janeiro, o que ajuda a explicar a ausência de corrosão.

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Entre as peças sobressalentes, há bomba d’água, bomba de combustível, juntas, cabos de vela originais e até um kit para retífica (que, de acordo com Ricardo, não precisará ser utilizado tão cedo).  Um dos poucos detalhes a acertar é a maçaneta do lado do passageiro — há dois anos, o pai de Ricardo quebrou a peça ao entrar na garagem. Foi a última vez que ele dirigiu. Um par de maçanetas novas já foi comprado e só precisa ser instalado — isto ainda não foi feito para não dar diferença na pintura.

Agora, o carro está à venda apenas porque o senhor Lamartine não pode mais dirigir. A pedida é de R$ 60 mil — a nosso ver, um valor bem interessante considerando todo o histórico do carro — e Ricardo diz que não há pressa, afinal o carro já está na família há décadas.

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O carro está anunciado no OLX. Se você se interessou, pode entrar em contato com Ricardo pelo telefone (21) 98207-1011 ou pelo email [email protected]

[ OLX. Dica do leitor Luiz Camargo ]


“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! na qual selecionamos e comentamos anúncios de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial, tampouco de uma reportagem aprofundada. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios – todos os detalhes devem ser apurados com o anunciante.

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