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Achados meio perdidos Zero a 300

Este Daimler XJ40 todo original é uma legítima barca de luxo britânica à venda no Brasil

O Jaguar XJ é um dos sedãs britânicos mais emblemáticos de todos os tempos. O modelo manteve sua identidade visual praticamente inalterada ao longo de 40 anos – seu público era do tipo que só trocava de carro para comprar por outro do mesmo modelo, só que zero-quilômetro, e a Jaguar fazia questão de manter esta tradição.

Acontece que, entre 1960 e 1983, o Jaguar XJ também foi vendido sob outra marca: a Daimler. Que não tem muito a ver com a Mercedes-Benz fora o nome. E é justamente um Daimler XJ40 o nosso Achado meio Perdido de hoje, anunciado no GT40.

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A Daimler Company Limited foi uma fabricante de automóveis fundada em 1896, com sede em Coventry, no Reino Unido. O fundador, Harry John Lawson, foi um dos inventores da bicicleta moderna, mas no fim do século 19 buscava investir no então recém-nascido automóvel. Ele comprou os direitos sobre o nome Daimler do próprio Gottlieb Daimler, que morreu quatro anos mais tarde. Para quem não lembra, Gottlieb Daimler foi um dos fundadores da Daimler-Motoren-Gesellschaft, ao lado de Wilhelm Maybach, e esta empresa mais tarde se juntaria à Benz para formar a Daimler-Benz, fabricante dos Mercedes, smart e Unimog.

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Acontece que, fora o nome, da Daimler Company britânica nada tinha a ver com os negócios dos alemães, sendo uma operação totalmente independente. Depois de um início difícil a Daimler foi comprada pela fabricante de armas de fogo BSA (British Small Arms Company) – bem a tempo da Primeira Guerra Mundial, que acabou transformando toda a indústria automotiva britânica e uma indústria bélica. Dos anos 10 aos anos 30, a maior parte da produção da Daimler Company era concentrada em equipamentos militares, entre tanques, motores radiais e aviões.

Os automóveis voltaram a ser o foco em 1931, quando a Daimler lançou uma nova linha de automóveis com motores de seis e oito cilindros em linha. Nesta época a fabricante começou a investir nos carros de luxo, incluindo uma limousine para o então rei da Inglaterra, George VI.

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A limousine Daimler do Rei George VI

Com o início da Segunda Guerra Mundial a Daimler tornou a fabricar equipamentos bélicos, e depois do fim do conflito passou a fabricar veículos grandes como ônibus, caminhões e furgões. Os carros de passeio voltaram a fazer parte da linha pouco antes do início dos anos 60, quando a Daimler foi comprada pela Jaguar em 1960.

Sir William Lyons, fundador e presidente da Jaguar, estava interessado nas fábricas da Daimler. Seu plano era acabar com o estoque de modelos próprios da Daimler e, logo depois, dar início à produção de carros da Jaguar com emblemas da Daimler, aproveitando a reputação da marca no segmento de luxo. A Daimler pertenceu à Jaguar até 1966, quando ambas as companhias foram absorvidas pela BMH (British Motor Holdings), um conglomerado parcialmente estatal que estava engolindo praticamente toda a indústria automotiva britânica naquela época e viria a se tornar a infame British Leyland. Quando, em 1989, a Jaguar foi adquirida pela Ford, a Daimler foi junto. E o mesmo aconteceu em 2007, quando a indiana Tata comprou a Jaguar Land Rover. Dito isto, o último Jaguar XJ vendido como Daimler foi fabricado em 1997. A Daimler britânica está “hibernando” desde então.

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Os para-choques indicam que este é um exemplar feito para o mercado norte-americano

O exemplar anunciado no GT40 é um Daimler XJ fabricado em 1987, e de acordo com o anunciante tem 87.500 milhas marcadas no hodômetro – cerca de 140.000 km rodados. Dito isto, estamos falando de um exemplar que foi muito bem cuidado por todos estes anos e jamais foi restaurado. Silvio, o anunciante, diz que o XJ40 passou por uma revisão básica.

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O painel com mostradores digitais e os bancos traseiros individuais só eram de série nos Daimler

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O motor: um seis-em-linha de quatro litros e 220 cv, acoplado a uma caixa automática de quatro marchas. Apenas nos modelos da Daimler o eixo traseiro tinha um diferencial de deslizamento limitado de série – nos carros com emblemas Jaguar, o item era opcional em algumas versões

Ele observa que apenas as pastilhas de freio não foram substituídas: as peças originais contam com um sensor eletrônico de desgaste, ausente nas peças que estão no carro. Com isto, a luz no painel que indica pastilhas desgastadas está acesa, mas elas não estão desgastadas.

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O carro apresenta alguns sinais de desgaste por fora e por dentro, como pequenos pontos na lataria e marcas no couro dos bancos, mas nada que se estranhe em um automóvel de 31 anos que não passou todos eles trancafiado em uma garagem. Silvio garante que o carro está em perfeitas condições de funcionamento, e que só precisa de um novo dono atencioso para ficar perfeito também esteticamente.

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“Achados Meio Perdidos” é o quadro do FlatOut! no qual selecionamos e comentamos anúncios do GT40.com.br de carros interessantes ao público gearhead, como veículos antigos, preparados, exclusivos e excêntricos. Não se trata de publieditorial. Não nos responsabilizamos pelas informações publicadas nos anúncios nem pelas negociações decorrentes – todos os detalhes devem ser apurados atenciosamente com o anunciante!

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